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A primeira semana de Roberto Cidade como governador do Amazonas

Posse rápida, discurso firme, agendas de vitrine e decisões preventivas marcaram os primeiros dias do novo governador

A posse foi formalizada em sessão extraordinária da Assembleia Legislativa - Foto: ALEAM

Roberto Cidade completou a primeira semana no comando do Governo do Amazonas cercado por dois movimentos simultâneos: a necessidade de transmitir estabilidade administrativa após a dupla renúncia de Wilson Lima e Tadeu de Souza, e a pressão política para definir quem ficará no cargo até o fim do mandato. Cidade assumiu interinamente em 5 de abril, depois que governador e vice deixaram os cargos na noite anterior, no último dia do prazo de desincompatibilização. A posse foi formalizada em sessão extraordinária da Assembleia Legislativa, sob a condução de Adjuto Afonso, que passou a responder interinamente pela presidência da Casa.

Nos primeiros discursos, Cidade tentou fixar uma marca clara para a transição: continuidade, serenidade e governabilidade. Na posse, falou em “imprimir nosso jeito de governar”, mas sem romper com a estrutura herdada. No dia seguinte, na sede do governo, reuniu o secretariado e afirmou que a prioridade era manter a estabilidade institucional e dar sequência às ações já em andamento. Na mesma agenda, segundo relatos da imprensa local, estavam presentes Wilson Lima, Tadeu de Souza e Adjuto Afonso, num gesto calculado para sinalizar passagem de bastão sem ruptura aberta.

O discurso administrativo veio acompanhado de uma tentativa de desarmar crises logo na largada. Em coletiva no primeiro dia útil à frente do Executivo, Cidade disse que o foco inicial seria entender os “números” do Estado para assegurar a continuidade das políticas públicas e afirmou que manteria o secretariado. Também foi cobrado sobre problemas imediatos, como a manifestação de professores contra o corte do plano de saúde dos servidores, e respondeu que trataria o tema com urgência. Era uma forma de mostrar que, embora sua chegada tenha sido produto de uma reviravolta política, o governo não poderia se limitar à espuma da sucessão.

Na agenda pública, a primeira semana foi usada para associar a imagem do novo governador a ações de Estado já em curso. Em 7 de abril, Cidade comandou a formatura de 60 oficiais superiores da Polícia Militar que concluíram o Curso Superior de Polícia, reforçando a vitrine da segurança pública, uma das áreas centrais do governo amazonense. Dois dias depois, em 9 de abril, inaugurou em Manaus o Centro de Atenção Integral Juventude TEA, voltado ao atendimento especializado de adolescentes e jovens com Transtorno do Espectro Autista. A cerimônia serviu para exibir continuidade administrativa e presença em entregas concretas, evitando que os primeiros dias fossem consumidos apenas pelo noticiário político.

Entregas também marcaram a primeira semana

Mas o gesto mais sensível da semana veio no campo ético e preventivo. Em 8 de abril, Cidade determinou a suspensão e o cancelamento de contratos do governo com empresas vinculadas à sua família enquanto estiver no exercício provisório do cargo. Segundo nota divulgada pelo próprio governo e repercutida pela imprensa, a medida também envolveu a orientação para que a Secretaria de Educação e a Procuradoria-Geral do Estado construíssem, junto ao Tribunal de Contas, um termo para viabilizar a substituição dos serviços sem descontinuidade ao público. Foi um movimento para blindar o governo interino de uma crise previsível logo na largada.

Ao mesmo tempo, a política nunca saiu do centro da cena. Pela Constituição estadual, como a vacância ocorreu nos dois últimos anos do mandato, cabe ao presidente da Assembleia assumir interinamente e convocar eleição indireta para escolher o governador tampão. As reportagens consultadas apontam prazo de até 30 dias para a realização desse pleito, que será decidido pelos deputados estaduais e poderá ter candidatos filiados a partidos políticos. Em outras palavras, a primeira semana de Cidade foi da instalação de um governo pleno para a abertura de uma disputa pelo controle do restante do mandato.

Esse é o ponto que define a semana inaugural de Roberto Cidade. Administrativamente, ele tentou vender previsibilidade: manteve equipe, reuniu secretários, apareceu em agendas institucionais e adotou medida preventiva na área de contratos. O novo governador passou os primeiros dias governando sob prazo, com a máquina na mão, mas com o futuro dependente da eleição indireta que a Assembleia terá de conduzir.

Foi uma semana de posse, transição e demonstração de força e consolidação para a eleição indireta que, hoje, o aponta como favorito.No Amazonas de agora, isso vale mais que uma posse. Vale a disputa pelo comando efetivo do Estado.

Agendas institucionais fizeram parte da agenda
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