Agente públicos e advogadas foram presos em Manaus, na manhã desta sexta-feira (20/02), na Operação "Erga Omnis", realizada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) para combater a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas pela facção criminosa Comando Vermelho. A ação foi deflagrada para desmantelar o “núcleo político” do grupo criminoso com infiltrações no Executivo, Legislativo e Judiciário no Amazonas.
Segundo o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), entre os alvos estão ex-assessores parlamentares de vereadores de Manaus, um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas, uma servidora da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e policiais. O nome dos investigados não foi divulgado.
Conforme Martins, as investigações revelaram que o tráfico de drogas tinha tentáculos dentro da administração pública tendo como parceiros do crime vários servidores públicos e traficantes.
"Os relatórios do Coaf usados na investigação identificaram transações financeiras de altos valores de servidores públicos que atuavam colaborando com o crime organizado, seja dando suporte, abertura, fornecendo informações sigilosas estatais para o crime organizado", afirmou o delegado.
Conforme o titular do 24º DIP, até o momento foram cumpridos 13 de 24 mandados de prisão nos estados do Pará, Piauí, Ceará, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo, além da apreensão de veículos e o bloqueio de valores de investigados e de empresas que usadas para operacionalizar ações do tráfico de drogas no país inteiro.
"Essas drogas eram adquiridas em Tabatinga e esses valores eram transacionados por empresas fantasmas do Amazonas e do Pará para que essas drogas fossem vendidas em outros estados do Brasil", disse Martins.
Segundo o delegado, o líder da organização criminosa identificado Allan Cleber não foi preso durante a operação. Ele fugiu do local onde estava em São Paulo. Marcelo afirmou que Allan usava igrejas evangélicas para guardar drogas. O líder e outros alvos da operação estão foragidos e as diligências vão continuar.
Os investigados serão processados por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Erga Omnis, nome da operação, significa “Contra Todos”.
Veja o vídeo:
NOTA OFICIAL DA PREFEITURA DE MANAUS
A Prefeitura de Manaus esclarece que não é alvo da operação realizada nesta sexta-feira, 20/2, pela Polícia Civil do Estado do Amazonas. Conforme informado pelas próprias autoridades, nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município integram o objeto da investigação.
É inaceitável que setores da política tentem distorcer fatos para criar narrativas mentirosas e atingir a honra de quem tem trabalhado com responsabilidade pela cidade. A exploração oportunista de investigações que não envolvem a gestão municipal revela mais sobre os seus autores do que sobre os fatos.
A atual administração mantém compromisso absoluto com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições. Qualquer servidor eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, nos termos da lei, sem prejuízo do funcionamento regular da máquina pública.
Manaus não pode ser refém de ataques especulativos nem de tentativas de desinformação. A verdade prevalece nos fatos, não nas insinuações.