A montadora chinesa BYD e o cantor Amado Batista entraram nesta segunda-feira (6) na lista suja do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), cadastro que reúne pessoas físicas e jurídicas que teriam submetido trabalhadores a condições consideradas análogas à escravidão.
No caso de Amado Batista, 14 funcionários teriam sido submetidos a condições análogas à escravidão, sendo 10 no Sítio Esperança e quatro no Sítio Recanto da Mata, na Região Metropolitana de Goiânia, segundo o governo federal. As ações de fiscalização foram realizadas em 2024.
Em nota, a assessoria do cantor informou que as informações sobre o suposto resgate de 14 trabalhadores em propriedades vinculadas ao artista são falsas e que os funcionários continuam atuando na propriedade normalmente.
Segundo a equipe do cantor, foram identificadas irregularidades na contratação de quatro empregados vinculados a uma terceirizada e já estão sendo tomadas providências para encerrar a autuação.
BYD
A entrada da montadora chinesa na lista ocorre um ano e meio após trabalhadores chineses serem resgatados em meio a condições de trabalho precárias nas obras da nova fábrica da montadora, em Camaçari (BA), segundo apontou fiscalização no local. Segundo o MTE, 163 empregados foram submetidos a um regime considerado análogo à escravidão.
Os empregados da BYD dormiam em camas sem colchões e não tinham armários. Em um dos alojamentos, havia apenas um banheiro para 31 pessoas. Os trabalhadores também eram submetidos a uma jornada de, no mínimo, dez horas, sem concessão de folgas. Um trabalhador acidentado relatou ter ficado 25 dias sem descanso.
Os auditores fiscais do trabalho identificaram indícios de fraudes nos documentos apresentados às autoridades migratórias, o que viabilizou a entrada dos trabalhadores chineses de forma ilegal no país.
Em janeiro, a BYD e duas empresas terceirizadas, também responsáveis pela construção da fábrica, firmaram acordo de R$ 40 milhões com o Ministério Público do Trabalho, que serão divididos entre os trabalhadores resgatados e um fundo para futuro pagamento de dano moral coletivo.
Lista Suja
A inclusão na lista suja ocorre apenas quando a empresa já não pode mais recorrer do auto de infração da fiscalização, por decisão administrativa no âmbito do MTE. O novo cadastro inclui 169 novos nomes, elevando o total para cerca de 613 registros: 102 são pessoas físicas e 67, pessoas jurídicas.
De acordo com o Ministério do Trabalho, os novos casos envolvem ocorrências entre 2020 e 2025, em 22 estados, e resultaram no resgate de 2.247 pessoas. As atividades com maior número de registros incluem trabalho doméstico, criação de bovinos para corte, cultivo de café e construção civil. De acordo com o levantamento, os estados com maior número de empregadores incluído foram Minas Gerais (35), São Paulo (20), Bahia (17) e Paraíba (17).