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Amazonas deve fechar 2023 com 500 mil empregos formais, aponta Cieam

O setor que mais contribuiu com a alta foi o de Serviços

De acordo com estudo, o nível de empregos na região segue em crescimento

A quarta edição do Painel Econômico do Amazonas (PEA), levantamento realizado pelo Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (CIEAM), divulgado ontem, apresenta uma análise da economia amazonense para o último mês de outubro, trazendo também novos dados relevantes sobre setembro e novembro. O estudo mostra, por exemplo, que o nível de empregos na região segue em crescimento, e deve atingir um volume de 500 mil postos de trabalhos ocupados até dezembro, o que representará um recorde histórico para a região.

De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), realizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o estado do Amazonas fechou outubro de 2023 com um total de 497.210 empregos formais, uma elevação de 3,7% sobre outubro de 2022. Esse volume representa um crescimento de quase 3.000 novas vagas em comparação com setembro (494.477 empregos). Em janeiro de 2023, o total de empregos formais no estado chegava a 473.000. Entre janeiro e outubro, portanto, a ampliação dos postos de trabalho foi de 5,1%.

Esse bom desempenho ocorreu em todas as áreas, mas o setor que mais contribuiu com a alta foi o de Serviços. “O resultado demonstra que os impactos gerados pela Grande Seca sobre a atividade industrial, iniciada em outubro, não afetou os empregos formais. Só na Indústria de Transformação foram criados cerca de 500 postos de trabalhos em outubro”, explica Luiz Barreto Rocha, presidente do Conselho Superior do CIEAM.

Atividade industrial da região

A atividade econômica do Polo Industrial de Manaus (PIM), em geral, apresentou queda de 0,87% em outubro quando comparada ao mês anterior. Esse desempenho mensal negativo foi concentrado nos setores de Indústria (queda de 0,3% em relação a setembro) e Serviços (redução de 3,2% sobre o mês anterior). Na comparação com outubro de 2022, a retração foi ainda maior: 5,69% e 4,51%, respectivamente. Por outro lado, o setor de Comércio apresentou em outubro  um crescimento de 4,14% sobre setembro e de 2,26% em relação a outubro de 2022.

“Entendemos que esta queda de 5,69% na comparação anual é a expressão dos impactos do primeiro mês da Grande Seca na atividade industrial da região. A indústria reduziu a produção diante da falta de insumos e dificuldade para escoar os produtos finais”, avalia Rocha. “O setor de Serviços provavelmente sofreu os impactos da Seca devido à menor movimentação nos portos. Já o Comércio prossegue usufruindo das quedas da inflação e das taxas de juros, e sucessivos recordes no nível de empregos formais no Amazonas”, acrescenta o presidente do CIEAM.

É interessante observar a queda ainda mais acentuada, de 6,68% (na comparação com outubro de 2022), ocorrida entre as indústrias extrativistas – justamente uma área menos dependente da navegação de grande porte para adquirir seus insumos. Outros setores que apresentaram uma redução forte no mês foram: Equipamentos de Informática (- 3%) e Aparelhos e materiais elétricos (- 6%). “O setor de Equipamentos de Informática segue sofrendo devido à redução no volume dos programas de transferência de renda que impulsionaram a demanda em 2022”, aposta Luiz Barreto.

Por outro lado, alguns segmentos, no mesmo período, se destacaram positivamente, como Máquinas e equipamentos, que registrou um aumento extraordinário na produção, de aproximadamente 19%. E mais: Bebidas e Químicos aumentaram a produção em 8% e 11%, respectivamente.

Setor de Duas Rodas se destaca em 2023

O setor de Duas Rodas registrou em 2023 um dos melhores desempenhos da sua história, apesar da queda de outubro. Segundos dados divulgados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), em novembro a produção de motocicletas subiu 0,5% na comparação mensal e 2,1% na comparação com novembro de 2022. Novembro foi o segundo mês da Grande Seca. A produção de motocicletas manteve um patamar elevado, com 131 mil unidades produzidas.

“O setor de Duas Rodas é composto por empresas com tal porte e conhecimento da logística local que conseguiram contornar com relativo êxito as restrições impostas pela Grande Seca”, afirma Luiz Barreto. “O faturamento de setembro dos fabricantes novamente foi superior ao do mês equivalente de 2022, em 8%. A disseminação dos serviços de transporte por aplicativos e o elevado valor dos automóveis vêm sendo apontados como motivadores da forte demanda por motocicletas no mercado interno brasileiro”, complementa o presidente do CIEAM.

Queda nas importações de insumos para as indústrias

Entre outubro e novembro, o PIM deixou de importar o equivalente a US$ 1 bilhão em insumos, devido à Grande Seca, quando se compara com o patamar importado em setembro. Foi uma redução de, aproximadamente, 82% em relação ao previsto antes da seca. No entanto, os volumes de produção não foram afetados na mesma proporção. “Isso demonstra que as empresas usufruíram do estoque de insumos acumulado até o final de setembro”, destaca Rocha.

A interrupção da navegação de grande porte gerou reduções na arrecadação tributária do estado. “As perdas acumuladas na arrecadação de ICMS de outubro e novembro foram de R$ 253 milhões, se usarmos como referência o volume arrecadado em setembro. Já as perdas acumuladas na arrecadação de Imposto de Importação foram de R$ 23 milhões no mesmo período. No entanto, acreditamos que parte dessas perdas serão revertidas nos meses seguintes”, ressalta o presidente do CIEAM.

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