Após ter sido adiado quatro vezes, o julgamento que vai decidir sobre a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa em Roma, na Itália, está marcado para esta terça-feira (10/2). A decisão caberá à Justiça italiana.
Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Zambelli teve sua extradição pedida à Itália após ter deixado o Brasil, o que levou à sua prisão pela polícia italiana. Agora, porém, cabe às autoridades judiciais do país europeu abrir e concluir o procedimento que definirá se a extradição será ou não autorizada, especialmente porque a ex-parlamentar também possui cidadania italiana.
egundo o advogado Fabio Pagnozzi, que representa Zambelli no país, o senador italiano Matteo Gelmetti tem atuado junto ao Ministério da Justiça para tentar barrar a extradição, sob o argumento de um suposto desrespeito a garantias processuais no Brasil por parte do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Segundo a defesa, Gelmetti também pediu explicações às autoridades italianas sobre como o deputado Angelo Bonelli, do Partido Verde da Itália, obteve o endereço de Zambelli em Roma.
Em julho do ano passado, Bonelli publicou em seu perfil no X que havia localizado Zambelli em Roma e informado o endereço às autoridades.
Segundo apuração do Estadão junto a investigadores, Zambelli foi localizada pelo adido da Polícia Federal em Roma, que atua na embaixada brasileira, em conjunto com autoridades italianas. A prisão ocorreu no mesmo dia da publicação de Bonelli. Desde então, a ex-deputada permanece detida na capital italiana.
Condenação
No Brasil, Zambelli foi condenada duas vezes pelo STF. Na primeira ação, recebeu pena de dez anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto. Ele afirmou ter sido contratado por ela para inserir documentos falsos no sistema do CNJ, incluindo um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Após essa condenação, Zambelli deixou o País e acabou presa na Itália em operação conjunta da Polícia Federal com autoridades locais.