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Braga confronta efeitos da privatização no Amazonas e tensiona debate sobre política energética nacional

Ele voltou a criticar o processo de privatização da Amazonas Energia. “Foi um erro, um desastre em todos os sentidos”, resumiu

Senador foi à Camata noa segunda-feira, 17 de março - Fotos: Ascom

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) participou de um debate inédito com vereadores de Manaus nesta segunda-feira (17), onde criticou a condução da política energética no Amazonas e a falta de investimentos estratégicos na região. Relator da Reforma Tributária, Braga tem utilizado sua posição para defender a Zona Franca de Manaus e levantar pontos da relação do governo federal com o estado.

Durante o encontro, Braga classificou a privatização da Amazonas Energia como “um desastre” e acusou a Petrobras de abandonar a Refinaria de Manaus. Ele destacou que a falta de investimentos compromete a competitividade regional e afeta diretamente pequenos produtores que dependem do preço dos combustíveis.

Sobre a polêmica privatização da Amazonas Energia, Braga negou qualquer participação nas articulações que levaram à venda da estatal, ocorrida após sua passagem pelo Ministério de Minas e Energia, e voltou a criticar o processo. “Foi um erro, um desastre em todos os sentidos”, resumiu.

Ao final, defendeu a necessidade de um planejamento energético mais robusto para o Estado, com foco na transição energética, infraestrutura e segurança no abastecimento. “Precisamos repensar o modelo. A BR-319 tem papel estratégico para o escoamento e para evitar o isolamento do Amazonas, assim como novas rotas de transmissão de energia, além do Linhão de Tucuruí, para que não fiquemos vulneráveis a apagões”, concluiu.

A relatoria da Reforma Tributária conferiu a Braga um novo protagonismo em Brasília, garantindo a manutenção dos incentivos da Zona Franca no texto final após décadas de resistência do setor produtivo local às mudanças no sistema tributário. Ele se apresentou como fiador da estabilidade fiscal do modelo e responsável por preservar empregos e a atratividade econômica da região.

“Durante quatro décadas se discutiu a Reforma Tributária no país. O setor produtivo do Amazonas era contra a reforma porque tinha medo da mudança da tributação da origem para o destino. Essa mudança afetaria os benefícios do Polo Industrial de Manaus assim como o polo comercial e de serviços. Esse comportamento mudou porque ao longo dos anos a tributação sobre consumo se tornou um emaranhado de legislações. São 27 legislações de ICMS, uma em cada estado e as legislações municipais, cada uma diferente da outra. O contencioso jurídico chega a R$ 1,5 trilhão”, explicou Eduardo Braga.
Braga em discurso na CMM

Braga também criticou a negligência histórica com a infraestrutura da região, defendendo a BR-319 e a necessidade de uma segunda rota de transmissão de energia além do Linhão de Tucuruí, reforçando sua imagem de defensor da soberania econômica do Amazonas.

De olho em 2026

Nos bastidores políticos do Amazonas, a movimentação de Eduardo Braga é vista como um passo firme rumo à reeleição ao Senado em 2026. O capital político acumulado com a relatoria da Reforma Tributária e sua atuação em pautas estratégicas para a região o colocam entre os nomes mais bem avaliados nas pesquisas internas.

De acordo com uma pesquisa recente realizada pela Perspectiva Mercado e Opinião, Braga lidera as intenções de voto para o Senado no Amazonas, seguido pelo governador Wilson Lima (União Brasil). A pesquisa entrevistou 2.000 pessoas na capital e no interior do estado, indicando que Braga e Lima estão bem posicionados para as duas vagas ao Senado nas próximas eleições.

Aliados do senador avaliam que ele está ampliando sua base eleitoral além do MDB, consolidando-se como defensor dos interesses amazonenses em Brasília, especialmente na proteção à Zona Franca e na melhoria da infraestrutura regional. Com a entrega da Reforma Tributária e sua crescente presença no debate sobre a transição energética, a expectativa é que Braga chegue em 2026 como favorito para manter sua cadeira no Senado.

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