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Caso Benício: investigação aponta manipulação de vídeo apresentado à Justiça

Mensagens apontam tentativa de responsabilizar sistema por aplicação de medicamento

Material apresentado à Justiça atribuía falha técnica à aplicação de adrenalina

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informou, nesta segunda-feira (23/03), que mensagens encontradas no celular da médica Juliana Brasil, investigada pela morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, indicam a possível adulteração de um vídeo que atribuía falhas ao sistema eletrônico de prescrição médica de um hospital particular. A investigação apura se a irmã dela, a estudante de medicina Geovana Brasil, participou da adulteração.

A criança morreu no dia 23 de novembro de 2025. Conforme o boletim de ocorrência, Benício deu entrada na unidade com quadro de tosse, recebeu aplicação de adrenalina, apresentou reações imediatas, foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sofreu paradas cardiorrespiratórias e não resistiu.

Segundo o delegado Marcelo Martins, do 23º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o vídeo apresentado pela médica teria sido manipulado com o objetivo de atribuir a um erro do sistema a aplicação incorreta de adrenalina na criança. O vídeo chegou a ser apresentado à Justiça na tentativa de um habeas corpus a favor da médica

"Foi feita a extração dos dados do aparelho e  nessa extração foi identificado que o vídeo apresentado pela médica no Tribunal de Justiça para conseguir um habeas corpus se tratava de um vídeo alterado - palavras da própria médica. As mensagens indicavam que ela tinha comprado esse vídeo. Ela contatou outra médica , que sugeriu o pagamento para um profissional de saúde de outro hospital para que fizesse um vídeo alterado. Ela engendrou uma sistematica para indicar um erro no sistema", explicou o delegado.

Em janeiro deste ano, peritos do Instituto de Criminalística informaram que não foram identificadas falhas técnicas no sistema eletrônico de prescrição médica. A perícia foi realizada entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e incluiu visitas técnicas ao hospital, além da análise do sistema Tasy EMR, utilizado pelos profissionais da unidade.

Nesta segunda-feira, a irmã de Juliana Brasil, a estudante de medicina Geovana Brasil, suspeita de envolvimento na possível adulteração do material, foi ouvida pela Polícia Civil. “Durante o depoimento, Geovana optou por permanecer em silêncio”, informou Martins.

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