O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), defendeu a contratação de novos empréstimos pelo Estado. A declaração foi dada nesta quinta-feira (10), durante entrevista ao G6, grupo formado pelo Portal Mário Adolfo, Amazonas Atual, BNC Amazonas, Portal Único, Portal Marcos Santos e Blog do Hiel Levy.
Segundo Cidade, o empréstimo com o Banco Mundial seria usado para substituir dívidas antigas do Estado por uma operação com juros menores. A ideia, de acordo com o governador, não seria aumentar os gastos, mas reduzir o custo dos contratos já existentes.
“Essa operação de crédito não vai sair. Os senadores da República não ajudaram o Estado do Amazonas”, afirmou.
O governador disse que a troca das dívidas poderia gerar uma economia inicial de cerca de R$ 100 milhões e ultrapassar R$ 1 bilhão em oito anos. Ele comparou a operação à renegociação de uma dívida bancária com juros mais baixos.
De acordo com Cidade, a proposta ainda precisaria passar pela Casa Civil da Presidência da República antes de chegar ao Senado. Ele afirmou que o prazo previsto para a operação já foi perdido.
Empréstimo de R$ 1,4 bilhão
Durante a entrevista, Cidade também defendeu um empréstimo de R$ 1,4 bilhão que o Estado pretende contratar com o Banco do Brasil. Segundo ele, a operação está em fase final e os recursos serão usados em investimentos.
Entre as áreas citadas pelo governador estão obras de pavimentação no interior, hospitais e outros projetos de infraestrutura.
Cidade afirmou que o Amazonas tem capacidade para assumir novos empréstimos e citou a classificação fiscal do Estado no Tesouro Nacional como argumento para defender a operação.
“O Estado do Amazonas precisa contrair esses empréstimos. Isso acontece em todos os estados, em todas as prefeituras. São empréstimos que você vai contraindo, vai pagando e vai investindo no Estado”, disse.
O governador também comparou a situação com a Prefeitura de Manaus e afirmou que grupos políticos que se posicionam contra os empréstimos estaduais apoiaram anteriormente uma operação de R$ 620 milhões contratada pelo município.
Cidade ainda acusou adversários de utilizarem influência política para dificultar ações do governo nas áreas de saúde, segurança, infraestrutura e educação. Ele classificou essas ações como “velha política”.
Espaço fiscal
Outro assunto abordado na entrevista foi um projeto aprovado pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) que, segundo Cidade, amplia o espaço fiscal do Estado para 2027.
O governador afirmou que a medida poderá gerar uma economia de cerca de R$ 8 bilhões. A declaração, porém, não foi acompanhada, na entrevista, de detalhamento sobre como o valor seria alcançado.
Segundo Cidade, a mudança busca preparar as contas estaduais para o próximo governo e ampliar a capacidade de investimento do Estado a partir de 2027.