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Há uma década, falou-se que Gran Torino (2008) marcaria o fim da carreira de Clint Eastwood como ator, e que um dos maiores astros da história de Hollywood estaria se despedindo das telas. Dizia-se que ele estava mais interessado em continuar apenas como diretor, o que era compreensível, e deixar de atuar seria até natural dada a escassez de bons papeis para septuagenários. Agora ator e diretor voltam a fazer dupla função em A Mula. Parece que apareceu um bom papel para um octagenário, afinal…

Baseado numa história real – e recente, ocorrida em 2017 – em A Mula Eastwood faz o papel de Earl Stone, um homem idoso que passou a vida na estrada trabalhando – ele é dono de uma fazenda e cultiva flores premiadas – e nunca deu muita atenção para a própria família. Em dificuldades financeiras, um dia ele aceita uma oferta de trabalho de um sujeito: transportar na sua velha caminhonete uma carga desconhecida. O trabalho lhe rende um bom dinheiro e ele o repete… De novo e de novo… Até que rapidamente ele se torna a mais rentável “mula” para o cartel mexicano, o transportador perfeito porque ninguém desconfia de um velhinho dirigindo pelo país.

Eastwood dirige essa história com seu conhecido naturalismo clássico. O estilo dele é tão preciso que é uma beleza de se ver, ainda mais nesta era em que os filmes ficaram cada vez mais agitados e cheios de enfeites, muitas vezes desnecessários. As cenas de diálogo são perfeitamente costuradas, uma situação leva à outra de maneira orgânica, o filme respira. Até inclui momentos de forte comentário sobre o preconceito tão natural, e por isso mesmo chocante, da sociedade norte-americana Numa cena, Earl chama uma família de afro-americanos parados na beira da estrada de “negroes”, em outra se coloca como patrão dos traficantes mexicanos que o acompanham numa das viagens para não serem importunados pela polícia. Earl é o dono do mundo ali no seu belo país: Como o homem branco, ele nunca é importunado pela polícia. Simplesmente por ser branco e homem.

O cineasta extrai ainda atuações sólidas de nomes como Bradley Cooper, a veterana Dianne Wiest e da própria filha, Alisson. A Mula tem sua cota de problemas: O roteiro de Nick Shenck – o mesmo de Gran Torino – possui ao menos uma situação dispensável, apontando um indício de amizade entre Earl e um jovem traficante que não dá em nada, e alguns diálogos expositivos demais perto do fim. E o desfecho não consegue deixar de ser um pouco anticlimático. Porém, nada disso prejudica seriamente o filme.  Por tudo isso, tomara que Clint Eastwood ache algum bom papel para um nonagenário no futuro próximo.

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