
O debate da Rede Amazônica (Globo) entre os candidatos ao Governo do Amazonas foi mais morno que garapa vendida no verão amazônico. Teve momento em que o telespectador precisou se esforçar para não dormir.
De um lado, Omar Aziz (PSD) e Maria do Carmo (PL) protagonizaram um verdadeiro bate-bola. Do outro, Isael Munduruku (Rede) atirava para todos os lados, mas ninguém comprava briga com ele.
Os momentos em que o debate realmente esquentou aconteceram quando David Almeida (Avante) e Roberto Cidade (União Brasil) bateram de frente e trocaram acusações sobre contratos e uso de recursos públicos.
O debate reuniu os cinco candidatos na noite desta terça-feira (29), na sede da Rede Amazônica, em Manaus.
Logo na primeira pergunta, David tocou no ponto mais sensível para Cidade ao questioná-lo sobre contratos do governo com empresas ligadas à sua família.
— Candidato, quando o senhor assumiu o governo, declarou em uma entrevista que tinha rescindido todos os contratos do governo com as suas empresas. Você confirma essa informação?
Cidade começou respondendo com críticas ao adversário:
— Candidato, você abandonou a cidade de Manaus. Você é um candidato que não tem propostas e já veio para o enfrentamento.
Em seguida, entrou no assunto e negou ter realizado pagamentos em benefício próprio:
— Eu quero dizer: nós rescindimos, sim. Dei entrada no processo legal, tramitou e não teve nenhum pagamento a qualquer empresa que prestava serviços, da qual eu não era sócio e não sou sócio.
Cidade afirmou ainda que se afastou das empresas quando ingressou na vida pública.
Chumbo trocado
Ao ouvir a resposta, David Almeida partiu para o ataque e acusou Cidade de faltar com a verdade.
— Você mentiu para todos aqui. Você não desfez nenhum contrato. Você pagou R$ 16 milhões para as suas próprias empresas. Você mesmo pagou para si.
Navegando sem licitação
O candidato do Avante também acusou o governador de reconhecer uma dívida de 2023 da Navegação Cidade, empresa ligada à família do adversário.
— Isso num contrato de 2023, feito sem licitação, e que a gente não sabe nem se o serviço foi prestado para a população da cidade de Manaus e do Estado do Amazonas.
Política, um grande negócio
David afirmou que, enquanto o governo realiza pagamentos a empresas ligadas à família de Cidade, programas sociais enfrentam dificuldades e existem problemas nas áreas de saúde e segurança pública.
Também afirmou que o faturamento das empresas da família do governador teria crescido durante a gestão de Wilson Lima.
— Eu quero dizer para você que o Estado do Amazonas não aguenta mais esse tipo de política e de político. Enquanto você faturava, antes do Wilson Lima, R$ 31 milhões, com o governo Wilson Lima você faturou R$ 719 milhões.
— Portanto, a política para você é um grande negócio, porque você é um empresário. O povo do Amazonas não aguenta mais esse tipo de política — arregaçou David.
O Pinóquio de Manaus
Na tréplica, Roberto Cidade devolveu os ataques.
Chamou David Almeida de mentiroso e afirmou que o adversário estaria desesperado por causa de sua rejeição eleitoral.
— Eu afirmo para todos vocês que estão nos assistindo que ele está mentindo, porque ele é o Pinóquio da cidade de Manaus e do Amazonas. O candidato David Almeida está desesperado porque ele é o candidato mais rejeitado desta eleição. Ele abandonou Manaus. Foi reeleito para quatro anos e abandonou a cidade.
Eu sou ficha limpa
Mais à frente, Cidade afirmou que David quer ser governador, mas questionou como o ex-prefeito resolveria os problemas do Amazonas se, segundo ele, não conseguiu solucionar os problemas de Manaus.
— Eu estou aqui afirmando: eu sou ficha limpa, eu não respondo a nenhum processo de corrupção. Estou governando o Estado com muita responsabilidade e dedicação desde quando assumi, mesmo com uma queda de receita de quase R$ 700 milhões.
Bomba na reta final da campanha

Uma reportagem do jornalista Rodrigo Rangel, publicada pelo PlatôBR, revelou arquivos mantidos por Alexandre Santini, ex-sócio e antigo amigo de Flávio Bolsonaro.
O material reúne mensagens, fotos, documentos e notas fiscais envolvendo despesas pessoais, encontros com garotas de programa, um Rolex de R$ 305 mil e uma suposta interlocução de Flávio com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), em favor do interesse de um cliente de Santini.
O conteúdo foi revelado pelo PlatôBR e cedido ao UOL.
Até tu, Kassio?
Um dos pontos mais delicados da reportagem envolve justamente o gabinete de Kassio Nunes Marques.
Segundo mensagens guardadas por Santini, o ex-sócio afirmou saber que Flávio havia conversado diretamente com o ministro para tratar do interesse de um cliente que tinha um processo em seu gabinete.
A reportagem ressalva, porém, que não identificou o cliente nem o processo e não apresentou comprovação independente de que a alegada intermediação tenha efetivamente ocorrido.
Notas fiscais e mensagens também indicam que o advogado Alan Belaciano, que acompanhava a demanda do cliente de Santini no STF, teria comprado um Rolex Submariner Date de ouro branco, avaliado em R$ 305 mil, para Flávio Bolsonaro.
Belaciano também teria pago mais de R$ 90 mil em equipamentos de academia instalados na casa do senador em Brasília.
Flávio já havia afirmado anteriormente que a compra do relógio por um amigo teria sido um “empréstimo pessoal” que estava sendo quitado.
Kassio Nunes responde

Procurados pelo UOL, Alexandre Santini, Flávio Bolsonaro e Alan Belaciano não haviam respondido até a publicação da reportagem.
O gabinete de Kassio Nunes Marques afirmou que o ministro “atende parlamentares de todos os partidos, que defendem interesses distintos” e que isso é uma prática comum nos gabinetes do Supremo, sem prejuízo à imparcialidade dos magistrados.
Bomba já era esperada
O jornalista Leonardo Sakamoto afirmou que tanto a campanha de Flávio Bolsonaro quanto a de Lula já esperavam o surgimento de fatos potencialmente negativos envolvendo a candidatura do filho de Jair Bolsonaro.
— A gente não sabe se é essa a bomba ou se essa vai ser uma das várias bombas que vão atingir a reta final da campanha.
“Rachadinha” também…
O Ministério Público do Amazonas denunciou o vereador de Manaus Dione Carvalho (Agir) por suspeita de participação em um esquema de “rachadinha” envolvendo seu gabinete.

…na Câmara de Manaus!
Um ex-assessor identificado como Anderson Pontes Caldas relatou às autoridades que foi nomeado para trabalhar no gabinete do vereador em janeiro de 2021, mas permaneceu pouco tempo no cargo.
Segundo a acusação, ele teria sido obrigado a devolver parte da remuneração recebida.
É dando que se recebe
Anderson recebeu salário referente a apenas um mês de trabalho e afirmou que teve de devolver a maior parte do dinheiro.
Também foram denunciadas Lorena Fernandes Leão, mulher do vereador, e Herika Rayane Lima Silva, apontadas pelo Ministério Público como participantes do suposto esquema.
As acusações ainda dependem de julgamento e não significam condenação dos denunciados.
Cidade sendo bombardeado
A reta final da campanha também trouxe mais uma denúncia envolvendo o candidato Roberto Cidade (União Brasil).
O Portal AM1 publicou, no final da tarde desta quarta-feira (30), imagens que, segundo o veículo, aparentam mostrar distribuição de combustível para veículos que participariam de uma carreata de apoio ao candidato em Borba.
Segundo o AM1, as imagens teriam sido registradas por volta das 10h, pouco antes da carreata, cuja concentração estava prevista para as 10h30 nas proximidades do aeroporto do município.
O próprio portal ressalva que as imagens, isoladamente, não permitem confirmar quem financiou o combustível nem estabelecer eventual vínculo direto com a campanha.
ÚLTIMA HORA
“UM CANALHA CHAMADO NIKOLAS!” - Lula explica fala sobre “toque” em mulheres e chama deputado bolsonarista de “canalha”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) explicou nesta terça-feira (29) que se referia a exames ginecológicos quando afirmou que mulheres “aprendem a tomar toque desde pequenas”.
Lula disse que a declaração, feita na véspera, pretendia comparar a disposição das mulheres para realizar exames preventivos com a resistência de muitos homens ao exame de próstata.
O presidente também chamou Nikolas Ferreira (PL-MG) de “canalha”, acusando o deputado de retirar sua declaração do contexto.
Lula reconheceu que poderia ter empregado uma formulação melhor e explicou o que pretendia dizer.
— Eu estava contando a história de que o homem tem dificuldade de fazer exame para saber se tem câncer de próstata. Tem um monte de preconceito. Eu estava contando isso e quis fazer uma comparação de como as mulheres são corajosas, porque as mulheres fazem exames e não têm medo de fazer exame.
Nikolas publicou um vídeo destacando o trecho da declaração de Lula e contestou a formulação usada pelo presidente.
Com um cartaz afirmando que meninas não são tocadas “desde cedo”, o deputado relacionou a frase ao debate sobre abuso sexual infantil e criticou Lula.
ORGULHO

Os brasileiros parecem ter colocado o pé no freio depois da proibição das bets.
O número de transações realizadas por Pix caiu 10% nos três primeiros dias após a publicação da medida: entre sábado (26) e segunda-feira (28), foram registradas 608,6 milhões de operações, segundo dados do Banco Central.
Mas é preciso fazer uma ressalva: os dados gerais do Pix não permitem afirmar que toda a redução tenha sido provocada exclusivamente pela proibição das apostas.
Ainda assim, a coincidência temporal chama atenção.
O volume financeiro movimentado também recuou. Foram R$ 183,58 bilhões no período, queda de 15,5% em relação aos mesmos dias da semana anterior.
VERGONHA

O cantor e compositor Chico Buarque acionou a Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta segunda-feira (28) depois de ser alvo de uma ameaça de morte publicada na internet.
A defesa do artista apresentou uma notícia-crime à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e pediu a abertura de investigação para identificar o responsável pela publicação.
A ameaça foi publicada na área de comentários de uma matéria de um jornal de São Paulo.
O autor escreveu:
— Adoraria abreviar a vida deste desgraçado!
O comentário foi posteriormente retirado do ar pelo veículo por violar as regras de participação da página.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a matéria que motivou o comentário fazia referência à atuação política de Chico Buarque.
O artista manifesta publicamente, há décadas, posições políticas de esquerda e participa de atos e mobilizações desse campo político.
OUTRAS PALAVRAS

“NÃO BASTA APENAS QUERER MUDANÇA… VOCÊ PRECISA IR E FAZER A MUDANÇA VOTANDO.” (Taylor Swift)