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Dito & Feito - É isso que o Brasil quer?

Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno na frente de Lula mesmo sob investigações envolvendo o Banco Master e após uma trajetória marcada pelo caso das “rachadinhas” e por controvérsias envolvendo milicianos

Charge de Mário Adolfo

A análise publicada pelo Diário do Centro do Mundo é fatalista e preocupante.

Ao levar Flávio Bolsonaro (PL) ao segundo turno com cerca de 2,22 milhões de votos de vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), parte expressiva do eleitorado brasileiro mostrou que os escândalos e controvérsias envolvendo a família Bolsonaro não foram suficientes para afastá-la das urnas.

Com o resultado final do primeiro turno, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Os dois voltam a se enfrentar nas urnas em 25 de outubro.

O texto publicado pelo DCM cita uma análise da jornalista Eliane Brum sobre o significado político do resultado e recupera episódios da história recente do bolsonarismo.

Entre eles estão a tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022, os planos investigados para assassinar Lula, Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes e os ataques de 8 de janeiro de 2023.

A reflexão é dura: apesar de tudo isso, o bolsonarismo chegou novamente ao segundo turno e, desta vez, terminou a primeira votação à frente.

E o passado?

Flávio Bolsonaro chega à disputa final carregando controvérsias e investigações.

O senador é formalmente investigado pela Polícia Federal no caso “Dark Horse”, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento de uma cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Documentos da PF e da Procuradoria-Geral da República apontam Flávio como interlocutor direto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas negociações para o financiamento do filme. Flávio nega irregularidades. (Folha de S.Paulo)

Um áudio revelado durante as investigações registra ainda Flávio cobrando de Vorcaro parcelas atrasadas de um pagamento de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação mencionada à época — destinado ao projeto cinematográfico. (UOL Notícias)

E as “rachadinhas”?

Também faz parte da trajetória política de Flávio o conhecido caso das “rachadinhas” em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O episódio produziu investigações e intensa disputa judicial ao longo dos últimos anos.

Agora, às vésperas do segundo turno, uma juíza de Brasília rejeitou pedido de Flávio para retirar das redes um vídeo que o relacionava ao Banco Master e ao caso das “rachadinhas”. A magistrada entendeu que críticas políticas baseadas em fatos e reportagens estão protegidas no debate democrático. A decisão ainda pode ser objeto de recurso. (UOL Notícias)

É isso que o Brasil quer?

É essa a pergunta levantada pela análise.

Depois de tudo o que o país viveu nos últimos anos, quase metade dos votos válidos do primeiro turno foi destinada ao candidato do PL.

E Flávio chegou ao segundo turno na primeira colocação.

É isso que a maioria dos brasileiros quer?

Não é surpresa

Eliane Brum lembra que o resultado não surge do nada.

Em 2018, o Brasil já havia eleito Jair Bolsonaro, mesmo depois de décadas de declarações públicas controversas sobre mulheres, negros, homossexuais, adversários políticos e a própria ditadura militar.

Bolsonaro também declarou publicamente sua admiração pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-Codi de São Paulo durante a ditadura e reconhecido judicialmente como torturador.

O fantasma da pandemia

A pandemia também volta à memória.

O governo Bolsonaro foi duramente criticado por sua condução da crise sanitária, especialmente pela demora nas negociações para aquisição de vacinas e pelos confrontos com medidas de prevenção adotadas por governadores e prefeitos.

A atuação do governo durante a Covid-19 foi investigada por uma CPI no Senado.

Destruição da floresta

A política ambiental do governo Bolsonaro também foi alvo de críticas dentro e fora do Brasil, especialmente pelo crescimento do desmatamento na Amazônia e pelo enfraquecimento de estruturas de fiscalização ambiental.

É nesse contexto que a análise de Eliane Brum apresenta sua conclusão mais dura: parte do eleitorado estaria votando contra seus próprios interesses.

Perderam, mas ainda não sabem

Também ficaram na memória a fila do osso, a disparada dos combustíveis em determinados momentos daquele governo, o desemprego, o 8 de Janeiro e a tentativa de ruptura institucional investigada e julgada nos anos seguintes.

O resultado das urnas mostra, porém, que a memória política do eleitor brasileiro é muito mais complexa do que imaginavam os adversários do bolsonarismo.

GRANDES SURPRESAS…

Esta foi uma eleição de surpresas e derrotas amargas no Amazonas.

Se pudessem ler o futuro, o ex-prefeito David Almeida (Avante) e o governador Roberto Cidade (União Brasil) provavelmente teriam feito cálculos diferentes antes de abrir mão dos caminhos políticos que tinham pela frente para disputar o Governo do Estado.

Os dois ficaram fora do segundo turno.

…amargas derrotas!

David ainda teria mais de dois anos de mandato na Prefeitura de Manaus.

Tinha acabado de conquistar a reeleição quando decidiu deixar o cargo para disputar o Governo do Amazonas.

Não deu certo.

Com 100% das urnas apuradas, David terminou em quarto lugar, com 218.490 votos, ou 10,54% dos votos válidos. (Eleições 2026 · Correio Braziliense)

Cidade também está fora

Roberto Cidade (União Brasil) é outro que as urnas deixaram fora do segundo turno.

Depois de exercer dois mandatos de deputado estadual e comandar a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Cidade foi escolhido pela Assembleia, em maio de 2026, para cumprir o mandato-tampão de governador após a saída de Wilson Lima.

Nem sempre a máquina resolve

Com a máquina estadual nas mãos, Cidade entrou na disputa buscando permanecer no governo.

Não conseguiu.

Terminou em terceiro lugar, atrás de Omar Aziz (PSD) e Maria do Carmo (PL).

Cidade recebeu 453.896 votos, equivalentes a 21,91% dos votos válidos. Omar terminou com 40,63% e Maria do Carmo, com 24,49%. (Eleições 2026 · Correio Braziliense)

Cidade permanece no mandato-tampão até a posse do próximo governador, em janeiro de 2027.

A opção de Cidade

Roberto Cidade poderia ter buscado outros caminhos eleitorais, mas optou pela disputa pelo Governo do Amazonas.

Ao assumir o Executivo, passou também a estar sujeito às regras eleitorais aplicáveis ao ocupante do cargo de governador.

Na prática, fez sua escolha: tentou permanecer no Palácio da Compensa.

Nem um, nem outro

Agora, nem um nem outro.

Cidade não passou ao segundo turno e também não integrará a próxima legislatura da Assembleia.

Concluirá o mandato-tampão e deixará o Governo do Estado em janeiro de 2027.

Zé Ricardo bombou

Zé Ricardo: o Homem da Kombi é campeão de votos

O vereador José Ricardo (PT) colheu nas urnas os frutos de sua campanha.

Bombou.

Com 72.518 votos, Zé Ricardo foi o candidato a deputado estadual mais votado do Amazonas nas eleições de 2026. (Folha de S.Paulo)

Três bolsonaristas “roxos”

Para não fugir à força eleitoral do bolsonarismo, o Partido Liberal manteve representantes na Assembleia Legislativa do Amazonas.

Débora Menezes, Delegado Péricles e Cabo Maciel garantiram cadeiras na próxima legislatura.

Débora Menezes recebeu 68.438 votos e foi a segunda candidata mais votada para a Aleam, atrás apenas de Zé Ricardo. Delegado Péricles teve 58.737 votos, enquanto Cabo Maciel recebeu 39.417. (Folha de S.Paulo)

Só perdeu pro Zé

Filha do coronel Menezes, Débora surpreendeu nas urnas.

Foi a mulher mais votada na eleição para a Assembleia Legislativa e terminou em segundo lugar na votação geral, atrás apenas de Zé Ricardo. (Folha de S.Paulo)

Bem votado, mas não deu

Capitão Carpê (PL), que entrou na eleição buscando uma cadeira na Assembleia Legislativa, ficou fora das vagas efetivas.

Carpê recebeu 30.254 votos e ficou na suplência do PL.

Com isso, retorna à Câmara Municipal de Manaus, onde ainda possui mandato.

Votação “foi o bicho!”

Joana Darc e o marido Aldenor: ela se elegeu, ele não

A eleição de 2026 deixou outro ensinamento: as aparências enganam.

Muita gente duvidava da eleição da deputada Joana Darc (União Brasil) para a Câmara dos Deputados.

Pois vai ter que tirar o chapéu para a defensora dos cachorros, gatos, capivaras e outros bichos.

Joana Darc foi eleita deputada federal com 85.461 votos, garantindo uma das oito cadeiras do Amazonas na Câmara. (UOL Notícias)

Habemus mulher no Congresso

A eleição de Joana Darc também encerra um longo período sem uma mulher amazonense eleita para a Câmara dos Deputados.

A partir de 2027, o Amazonas voltará a ter representação feminina entre seus deputados federais.

A última das moicanas

A última mulher eleita pelo Amazonas para a Câmara dos Deputados havia sido Conceição Sampaio.

Ela conquistou uma cadeira nas eleições de 2014, então pelo PP.

ÚLTIMA HORA

DIFERENÇA ENTRE FLÁVIO E LULA É A MENOR DA HISTÓRIA - Flávio termina primeiro turno cerca de dois pontos à frente de Lula e os dois voltam às urnas em 25 de outubro

A diferença entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) foi a menor registrada entre primeiro e segundo colocados no primeiro turno de uma eleição presidencial desde a redemocratização.

No resultado final, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

A diferença foi de aproximadamente 2,22 milhões de votos. (Agência Brasil)

O recorde anterior era justamente de 2022, quando Lula terminou o primeiro turno com 48,43% e Jair Bolsonaro, com 43,20% — distância de 5,23 pontos percentuais.

Como nenhum dos dois ultrapassou 50% dos votos válidos, o Brasil volta às urnas no dia 25 de outubro para escolher o próximo presidente.

Há, porém, um dado histórico que pesa sobre Flávio.

Desde 1989, todas as eleições presidenciais brasileiras decididas em segundo turno terminaram com a vitória do candidato que havia liderado o primeiro: Fernando Collor, em 1989; Lula, em 2002 e 2006; Dilma Rousseff, em 2010 e 2014; Jair Bolsonaro, em 2018; e Lula, em 2022.

Isso é apenas um dado histórico — não uma previsão sobre 2026.

Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro no segundo turno por 50,90% a 49,10%, diferença de aproximadamente 1,8 ponto percentual.

Foi a eleição presidencial mais apertada desde a redemocratização.

ORGULHO

LATAM: eleita a melhor companhia aérea da América do Sul

As melhores companhias aéreas de 2026 foram anunciadas no World Airline Awards, e duas empresas bastante conhecidas dos brasileiros ganharam destaque.

A LATAM foi eleita a Melhor Companhia Aérea da América do Sul, enquanto a Azul venceu na categoria Melhor Companhia Aérea Regional da América do Sul.

No ranking sul-americano, a Azul também aparece em segundo lugar geral, atrás da LATAM. JetSMART, SKY Airline e Avianca completam as cinco primeiras posições, e a Gol aparece em sexto.

No ranking mundial, a Singapore Airlines conquistou o primeiro lugar, seguida por Qatar Airways e Cathay Pacific.

VERGONHA

Santa Catarina elegeu Jair Renan Bolsonaro deputado federal neste domingo (4).

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e irmão de Flávio Bolsonaro, ele amplia a presença da família no Congresso Nacional.

Antes de disputar a Câmara, Jair Renan exercia mandato de vereador em Balneário Camboriú.

Durante sua passagem pela Câmara Municipal, ele esteve entre os parlamentares que votaram contra a criação do Dia Municipal da Democracia, proposta que homenageava o ex-prefeito Higino João Pio, preso durante a ditadura militar e encontrado morto em 1969.

O episódio provocou forte repercussão política na cidade.

OUTRAS PALAVRAS

“ESTE PAÍS NÃO PODE DAR CERTO. AQUI PROSTITUTA SE APAIXONA, CAFETÃO TEM CIÚME, TRAFICANTE SE VICIA E POBRE É DE DIREITA.”(Frase atribuída a Tim Maia)
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