
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, telefonou nesta sexta-feira (21) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A conversa durou uma hora e vinte minutos e transcorreu em tom “amistoso e cordial”, segundo relato do Palácio do Planalto.
Entre os assuntos tratados estavam o novo tarifaço contra produtos brasileiros, o combate ao crime organizado e os conflitos internacionais. Trump teria sugerido ainda que os dois presidentes se encontrem em breve.
Durante a conversa, Lula também fez referência ao Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), sediado em Manaus.
O centro funciona como um núcleo permanente de inteligência voltado ao combate aos crimes transnacionais e ambientais e reúne forças policiais dos nove estados da Amazônia Legal, além de representantes de países sul-americanos.
A estrutura conta ainda com cooperação de organismos como Interpol, Europol e Ameripol e foi criada para ampliar o monitoramento e permitir operações conjuntas de combate às atividades criminosas na região.
— O presidente Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área — informou Lula.
Tarifaço não faz sentido
Sobre o novo tarifaço, que entrou em vigor em 22 de julho com taxas de 25% sobre produtos brasileiros, Lula argumentou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos são infundadas.
O governo norte-americano alegou que determinadas práticas brasileiras seriam prejudiciais ou restritivas aos interesses dos Estados Unidos, citando questões relacionadas ao Pix, corrupção e desmatamento ilegal.
— As tarifas afetam negativamente tanto o Brasil quanto os Estados Unidos. Seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países — informou o governo brasileiro ao relatar a conversa.
Parceiros comerciais
Lula também reiterou a importância de os dois países trabalharem juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil.
Segundo o Planalto, Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois governos voltem a se reunir o mais brevemente possível.
Crime organizado
Ao tratar do crime organizado, Lula manifestou interesse em ampliar a cooperação com os Estados Unidos no enfrentamento às organizações criminosas.
O presidente brasileiro argumentou que esses grupos exercem terror cotidiano sobre as populações mais vulneráveis, mas ressaltou que, na avaliação do governo brasileiro, eles não devem ser confundidos com organizações terroristas.
Facções criminosas
No final de maio, os Estados Unidos classificaram as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida entrou em vigor em junho.
A decisão provocou reação do governo Lula, que passou a defender a utilização dos instrumentos previstos na legislação brasileira e a soberania do país na definição das estratégias de combate ao crime organizado.
Brasil tem instrumentos
Lula afirmou que o Brasil dispõe de instrumentos para enfrentar essas organizações sem necessidade de uma classificação especial.
O presidente citou a estratégia de asfixiar financeiramente as facções e a aprovação da Lei Antifacção, que facilita medidas como a apreensão de bens e passaportes de integrantes de organizações criminosas.
“Neutralizar” quer dizer…
Já o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, adotou um discurso mais duro contra o narcotráfico durante visita ao complexo portuário de Santos.
Flávio afirmou que traficantes que utilizam o Porto de Santos serão “presos ou neutralizados” caso seja eleito presidente.
…matar traficantes?
A declaração foi feita durante visita ao complexo portuário nesta segunda-feira (20).
— A partir de 2027, todo narcotraficante que utiliza o Porto de Santos será preso ou neutralizado. Isso é mais que parte de nosso plano de governo; é compromisso com a população, que não aguenta mais ser refém da violência e do crime organizado — declarou Flávio.
Cutucando onça…

Candidato ao Senado, o ex-governador Wilson Lima criticou a atuação da atual bancada do Amazonas no Senado Federal.
Segundo ele, quando um estado não possui uma representação atuante em Brasília, o gestor enfrenta dificuldades até mesmo para conseguir a aprovação de operações de crédito.
…com vara curta!
Wilson citou como exemplo o Prosamin, projeto que, segundo ele, foi executado nas comunidades da Sharp e Manaus 2000 com recursos provenientes de uma operação de crédito junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
— Esse crédito precisava ser aprovado no Senado e demoraram um ano para aprovar a nossa operação. Isso dificultou e atrasou as obras — afirmou.
Sarafa de olho na greve
O vice-governador Serafim Corrêa (PSB) está acompanhando a paralisação dos motoristas do transporte especial que atende empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM).
Na avaliação de Serafim, trata-se de uma questão trabalhista envolvendo o sindicato patronal e a entidade representativa dos trabalhadores.

— São dois sindicatos, um patronal e um dos trabalhadores, e é um assunto que deve ser resolvido no âmbito da Justiça do Trabalho, porque é um litígio trabalhista — avaliou.
Madrugou
O vice-governador afirmou que acompanha os reflexos da mobilização desde as primeiras horas da manhã.
— Às 5h da manhã, o meu telefone já tocou. Nós estamos monitorando para evitar qualquer exagero, qualquer apedrejamento, qualquer tumulto — declarou.
Serafim informou ainda que representantes dos sindicatos estavam reunidos e disse torcer para que “cheguem e mantenham um bom entendimento”.
ÚLTIMA HORA
RONDA NOS RIOS
Omar Aziz apresenta projeto para enfrentar o crime organizado nos rios do Amazonas

“Ronda nos Rios”. Esse é o programa que o candidato ao Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD), pretende implantar caso seja eleito para combater o crime nas principais rotas fluviais do Estado.
O projeto prevê a implantação de bases fluviais e pontos de apoio em orlas, portos e comunidades consideradas estratégicas para ampliar a presença das forças de segurança no interior.
— Polícia se faz com homens e mulheres preparados, valorizando os policiais, treinando os policiais, para que eles tenham o respeito do cidadão de bem — afirmou Omar.
O Plano Estratégico de Desenvolvimento da Segurança Pública identifica as rotas fluviais como pontos estratégicos para o enfrentamento ao crime organizado e aponta a necessidade de ampliar a presença do Estado nas calhas dos rios, especialmente nas regiões mais distantes dos grandes centros urbanos.
— O Ronda nos Rios deverá atuar principalmente no enfrentamento à pirataria fluvial, ao tráfico de drogas, ao contrabando e aos crimes ambientais — explicou o senador.
A proposta parte de uma característica própria do Amazonas: os rios funcionam como as principais vias de circulação em grande parte do Estado e, ao mesmo tempo, são utilizados como corredores para atividades criminosas.
O objetivo é adaptar a estrutura da segurança pública a essa realidade, combinando policiamento fluvial, inteligência, tecnologia e integração entre diferentes forças.
ORGULHO
Festival de Gramado: José Loreto vive Chorão em longa que concorre ao Kikito

O filme sobre Chorão, com José Loreto no papel do líder do Charlie Brown Jr., finalmente chegou às telas e teve sua primeira exibição mundial nesta segunda-feira (17), durante o 54º Festival de Cinema de Gramado, no Rio Grande do Sul.
“Chorão: Só os Loucos Sabem” foi exibido no Palácio dos Festivais e integra a Mostra Competitiva de Longas-Metragens Brasileiros, concorrendo aos prêmios Kikito.
José Loreto esteve no evento ao lado de Nanda Marques, que interpreta Graziela Gonçalves, companheira de Chorão.
A expectativa do ator em relação à produção é grande. Loreto afirmou acreditar que o longa “vai ser um marco na história do cinema nacional”.
Antes mesmo da première, ele já havia definido a cinebiografia como “o projeto da minha vida” ao falar sobre seu envolvimento com o personagem.
VERGONHA

O escândalo envolvendo repasses milionários relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, chegou ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A menção aos R$ 46 milhões está relacionada a recursos de um fundo de previdência municipal que aparecem em investigação da Polícia Federal sobre supostos desvios para negócios ligados ao grupo de Vorcaro, e não a valores recebidos pelo presidente Lula.
Mensagens e áudios revelados pela imprensa também apontam negociações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As circunstâncias dessas tratativas passaram a integrar as apurações sobre as relações entre o senador e Vorcaro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou as conversas entre Flávio e o banqueiro como um “caso de polícia”.
OUTRAS PALAVRAS

“EXISTIAM OS PROFETAS DA CATÁSTROFE QUE DIZIAM QUE ESSA CONSTITUIÇÃO NÃO DURARIA SEIS MESES OU QUE DEIXARIA O PAÍS INGOVERNÁVEL.” (Bernardo Cabral - Ex-relator-geral da Assembleia Nacional Constituinte)