
Lula é o tipo do nordestino cismado e criado na casca do alho. Significa dizer que é precavido, observador e moldado pelas dificuldades, desenvolvendo uma forte capacidade de enfrentar as adversidades da vida.
E, goste-se ou não da estratégia, o presidente decidiu não pagar para ver.
Três dias antes do primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, não compareceu ao debate presidencial que a TV Globo pretendia realizar nesta quinta-feira (1º).
A campanha já havia decidido que Lula ficaria fora do confronto. Na avaliação de seus aliados, o formato inicialmente previsto colocaria o presidente, único candidato de esquerda entre os convidados, diante de quatro adversários — Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury.
Seria, na leitura da campanha, um quatro contra um.
Depois, porém, o cenário mudou: decisões judiciais alteraram as regras e determinaram também a participação de Renan Santos (Missão). Flávio Bolsonaro desistiu horas antes do programa e, diante das mudanças de última hora, a Globo acabou cancelando o debate.
Escapou da arapuca
Se a intenção era evitar um bombardeio coletivo na reta final da campanha, Lula escapou daquilo que seus aliados consideravam uma “arapuca”.
Em vez de entrar no estúdio da Globo, o presidente foi para outro terreno: o Flow Podcast.
E encontrou público.
A entrevista chegou ao pico de aproximadamente 1,7 milhão de espectadores simultâneos no YouTube, superando a marca alcançada pelo próprio Lula no Flow em 2022.
Muito a perder, pouco a ganhar
A estratégia adotada pela campanha foi reduzir os riscos de um confronto direto poucos dias antes da eleição.
Para candidatos que aparecem à frente nas pesquisas, debates podem representar uma oportunidade para os adversários concentrarem ataques, produzirem confrontos e tentarem provocar erros capazes de repercutir na reta final.
Lula preferiu não correr esse risco.
Tritura o cabra
No desenho original do debate, Lula teria pela frente Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury.
Quatro candidatos de campos políticos à sua direita, todos com espaço para confrontar o presidente.
Na avaliação da campanha petista, a tendência seria Lula se transformar no alvo principal do programa, tendo de dividir seu tempo entre responder aos adversários e apresentar suas próprias propostas.
Com a decisão posterior que incluiu Renan Santos, o número de participantes aumentaria ainda mais.
Qualquer descuido…
E hoje o problema de um debate não termina quando as câmeras são desligadas.
Uma frase atravessada, uma resposta mal formulada ou alguns segundos de irritação podem virar imediatamente um “corte” para Instagram, TikTok, X, WhatsApp e YouTube.
O trecho passa a circular separado do contexto e pode produzir muito mais repercussão do que o próprio debate.
Na reta final de uma eleição, qualquer descuido pode custar caro.
Trocou a Globo pelo Flow
Foi justamente por isso que Lula preferiu um ambiente completamente diferente.
No mesmo horário em que estava previsto o debate da Globo, participou do Flow Podcast.
Sem adversários no estúdio, teve quase duas horas para responder às perguntas e falar sobre temas como economia, eleições, bets e Banco Master.
1,7 milhão ao mesmo tempo
A aposta na internet produziu números expressivos.
Lula chegou a cerca de 1,7 milhão de pessoas assistindo simultaneamente à entrevista no YouTube.
Flávio Bolsonaro, que também acabou realizando uma transmissão própria depois de desistir do debate, chegou a aproximadamente 900 mil espectadores simultâneos.
E os números continuaram crescendo depois.
Cerca de 15 horas após a transmissão, a entrevista de Lula já acumulava aproximadamente 10 milhões de visualizaçõesno YouTube, enquanto a live de Flávio registrava cerca de 5 milhões. Visualizações acumuladas e audiência simultânea são métricas diferentes, mas ambas mostram o tamanho do público alcançado pelas transmissões digitais naquela noite.
Precaução ou fuga?
Para os aliados, Lula fez uma escolha estratégica: evitou um ambiente considerado desfavorável e falou diretamente a uma audiência gigantesca na internet.
Para os adversários, foi fuga.
Flávio Bolsonaro, por exemplo, chamou Lula de “fujão” e vinha usando a ausência do presidente como argumento político.
São duas interpretações distintas da mesma decisão.
O fato é que Lula não foi ao debate.
E o debate, no fim das contas, também não aconteceu.
E Flávio, hein?
Flávio Bolsonaro passou os dias anteriores cobrando a presença de Lula e prometendo enfrentá-lo.
Mas, horas antes do programa, também anunciou que não participaria.
O candidato do PL atribuiu a decisão ao que chamou de “censura” do Tribunal Superior Eleitoral depois que a Justiça proibiu a Globo de manter no cenário um púlpito vazio identificado com Lula e de permitir perguntas dirigidas ao candidato ausente.
Correu do quê?
Flávio escreveu nas redes sociais:
— A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas.
A desistência aconteceu depois que decisões judiciais mudaram aspectos importantes do debate.
Além da decisão relacionada à ausência de Lula, outra determinação garantiu a participação de Renan Santos.
Com Lula fora, Flávio desistindo e as regras sendo modificadas praticamente em cima da hora, a Globo decidiu cancelar o debate alegando insegurança jurídica.
No fim, ninguém debateu
O resultado foi inédito nesta reta final.
Os dois candidatos que ocupavam as primeiras posições nas pesquisas não se enfrentaram na Globo.
Lula foi para o Flow.
Flávio fez sua própria transmissão.
Caiado, Zema, Cury e Renan ficaram sem debate.
E a tradicional noite de confronto presidencial da Globo, a três dias das urnas, acabou substituída por uma disputa de audiência na internet.
Falar até papagaio fala
O senador Eduardo Braga (MDB) começou a lamber a cria.
Acompanhou o início das obras do novo Porto da Manaus Moderna — bandeira pela qual lutou bastante — e comemorou com uma frase de efeito:
— Falar até papagaio fala. Agora, fazer são poucos. E nós somos da turma que faz! — sapecou o senador.
Obra de R$ 1 bilhão

Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo afirmou que foram anos de trabalho e articulação para ajudar a tirar o novo Porto da Manaus Moderna do papel.
— Hoje, as máquinas já estão trabalhando. Estamos falando de quase R$ 1 bilhão em investimentos e do maior projeto de porto fluvial da América do Sul.
Dois momentos na história
O senador afirmou ainda que o novo porto deverá humanizar e viabilizar a economia entre a capital e o interior do Estado.
— Nós vamos ter dois momentos na história da micro e macroeconomia entre o interior e a capital: um antes e outro depois do novo Porto da Manaus Moderna. Estamos juntos!
ÚLTIMA HORA
IGNORANDO AS URNAS - Abstenção volta a preocupar na reta final das Eleições de 2026

A possibilidade de uma abstenção elevada nas Eleições de 2026 entrou no radar de campanhas, institutos de pesquisa e analistas políticos.
Entre os fatores apontados para explicar uma eventual redução do comparecimento estão o desgaste provocado pela polarização política, a desconfiança de parte dos eleitores em relação às instituições e mudanças no perfil do eleitorado.
A ausência de eleitores também representa um desafio para os institutos de pesquisa.
Isso porque as pesquisas medem intenção de voto entre pessoas entrevistadas, mas nem todo eleitor que declara uma preferência necessariamente comparecerá às urnas.
Em disputas apertadas, diferenças no comparecimento dos diversos segmentos do eleitorado podem influenciar o resultado final.
ORGULHO
Richarlison: bom de bola e bom de coração

O jogador recebeu o título de Cidadão Paraibano depois de doar R$ 200 mil para ajudar Letícia Maria Carvalho, jovem que perdeu as duas pernas em um grave acidente de trânsito em João Pessoa.
Letícia tinha 24 anos quando lançou, em fevereiro, uma campanha para arrecadar R$ 400 mil. Richarlison entrou em campo e bancou metade do valor necessário.
O dinheiro seria destinado à compra de próteses e à continuidade do processo de reabilitação.
A vida de Letícia mudou em 12 de janeiro de 2023. Ela seguia de motocicleta para a universidade, em João Pessoa, quando foi atingida e arrastada por um ônibus.
Os ferimentos foram graves e a jovem precisou ter as duas pernas amputadas.
VERGONHA
Vereador Dione: para acusação de corrupção não tem escudo
Após ser muito criticado pela forma como se vestiu ao ser diplomado como vereador de Manaus, Dione Carvalho fez postagem nas redes sociais dizendo: “Para aqueles que não compreendem o significado de minha vestimenta na diplomação, o escudo simboliza a causa que represento há mais… pic.twitter.com/9JbMgej5f7
— Mário Adolfo Filho (@marioadolfo) December 19, 2024
O vereador Dione Carvalho (Agir) agora terá de responder na Justiça às acusações relacionadas a um suposto esquema de “rachadinha” em seu gabinete.
A Justiça do Amazonas recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) contra o vereador, sua mulher, Lorena Fernandes Leão, e outros investigados.
Com o recebimento da denúncia, eles passaram à condição de réus em uma ação penal que apura supostos desvios de salários de servidores comissionados.
Importante: o recebimento da denúncia não significa condenação. Caberá à Justiça analisar as provas e decidir sobre a responsabilidade de cada acusado.
Deu ruim, hein, Dione?
OUTRAS PALAVRAS

“SE OS PORCOS PUDESSEM VOTAR, O HOMEM COM O BALDE DE COMIDA SERIA ELEITO SEMPRE, NÃO IMPORTA QUANTOS PORCOS ELE JÁ TENHA ABATIDO NO RECINTO AO LADO.” (Orson Scott Card)