
No regime democrático, homens públicos têm responsabilidade política e jurídica sobre suas palavras. Afinal, representam instituições e exercem cargos que exigem uma conduta compatível com a função pública.
A liberdade de expressão é assegurada pela Constituição, inclusive aos políticos, mas não elimina responsabilidades por eventuais excessos.
Infelizmente, ainda existem representantes do poder público — principalmente na política — que parecem não perceber que hoje vivemos numa espécie de grande “Big Brother”, onde praticamente tudo pode ser visto, ouvido e registrado.
É o caso do vereador e candidato a deputado estadual reeleição Capitão Carpê (PL).
Na manhã desta sexta-feira, por volta das 11h30, no terminal de desembarque do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, Carpê disparou uma série de ataques contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os senadores Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD), este candidato ao Governo do Amazonas.
Ofensas ao presidente e senadores
Ao defender aliados políticos como Flávio Bolsonaro, Maria do Carmo, Alberto Neto, Plínio Valério e Alfredo Nascimento, Carpê, vestido de verde e amarelo, discursava para uma roda de apoiadores bolsonaristas.
Segundo relato feito ao portal marioadolfo.com, o deputado chamou Lula de “ladrão”, mencionou a prisão de irmãos de Omar Aziz e afirmou que Eduardo Braga nada fez pelo Amazonas e, por isso, “não merece o voto de vocês”.
— Se o ladrão ganhar e ficar mais quatro anos no governo, estamos todos fodidos! — teria vociferado Carpê, sem perceber que havia outras pessoas acompanhando a conversa.
Paredes têm ouvidos
Ao que tudo indica, Carpê assimilou bem o estilo político de Jair Bolsonaro: falar sem muitos filtros e transformar ataques pessoais em instrumento de discurso político.
Só que o capitão do Amazonas não aprendeu uma velha lição que nossos avós repetiam:
— As paredes têm ouvidos.
Os limites da fala
É claro que a liberdade de expressão é um direito fundamental de qualquer cidadão, inclusive dos políticos.
Esse direito, no entanto, convive com outras garantias constitucionais e com responsabilidades civis, penais e político-administrativas.
No caso de parlamentares, existe ainda o debate sobre decoro e sobre os limites da imunidade parlamentar, especialmente quando declarações são feitas fora do exercício direto da atividade legislativa.
Cury trouxe a chuva
O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) não deu muita sorte com o tempo em sua passagem por Manaus.
Depois de um longo período de estiagem, uma chuva forte caiu justamente na quinta-feira (24), quando o candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida (Avante), realizava um ato político com o presidenciável na Avenida Professor Nilton Lins.
A chuva atrapalhou o evento e também provocou reflexos no trânsito da região.
O público presente acabou enfrentando o aguaceiro durante a programação.
E amazonense sabe: quando a chuva aperta em Manaus, muita gente prefere não sair de casa.
“Lula vai destruir Flávio”
E, por falar em Cury, o candidato afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) será “destruído” por Lula (PT) em um eventual segundo turno.
O presidenciável declarou que prefere avançar pessoalmente à etapa final da eleição para enfrentar o atual presidente.

— O modelo de Lula da Silva está falido, o modelo de Flávio Bolsonaro também. Se o pai perdeu, o filho também vai perder e tudo o que o Lula quer é pegar Flávio Bolsonaro no segundo turno. Ele vai trucidar, ele vai destruir Flávio.
Mais uma do Rachadinha
A ideia era atingir somente o ministro Alexandre de Moraes por ter utilizado um jato ligado a Daniel Vorcaro.
Mas deu ruim.
Uma viagem realizada por Flávio Bolsonaro (PL) entre os Estados Unidos e o Brasil, em janeiro de 2025, ocorreu justamente no mesmo Legacy 650, de prefixo PP-NLR, que meses depois transportaria Moraes.
Na época do voo de Flávio, uma das três cotas da aeronave pertencia à Prime You, empresa da qual Daniel Vorcaro era sócio. A informação foi revelada pelo jornalista Breno Pires, da revista Piauí.

Família que voa unida
O voo ocorreu em 19 de janeiro de 2025, quando Flávio retornou de Fort Lauderdale, na Flórida, para Brasília.
Segundo a piauí, estavam na aeronave a mulher do senador, Fernanda Bolsonaro, as duas filhas do casal e o advogado e empresário Willer Tomaz.
A aeronave era o mesmo Legacy 650, de prefixo PP-NLR, do qual Alexandre de Moraes foi filmado desembarcando sete meses depois, em agosto de 2025.
Por que só o Xandão, hein?
A revelação acrescentou um novo ingrediente à controvérsia.
Flávio havia criticado publicamente Moraes pelo uso da aeronave. Depois, veio à tona que o próprio senador havia viajado no mesmo avião meses antes.
A pergunta, portanto, é inevitável: se o uso do avião por Moraes mereceu tantos questionamentos, por que a viagem de Flávio não deveria ser submetida ao mesmo escrutínio?
ÚLTIMA HORA
MAIS UMA DO LULA
Governo federal libera aeronaves para reforçar combate às queimadas no entorno de Manaus

O governo federal vai disponibilizar aeronaves para reforçar o combate às queimadas no entorno de Manaus, em meio aos episódios de fumaça que atingiram a capital amazonense e municípios da Região Metropolitana nos últimos dias.
A informação foi divulgada pelo BNC Amazonas.
A mobilização ocorrerá por meio do Projeto Pegasus, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que permite o emprego de aviões e helicópteros públicos da União, dos estados e do Distrito Federal em situações de emergência e calamidade.
O programa permite utilizar aeronaves públicas para apoiar estados e municípios em situações que demandem reforço da estrutura de resposta.
A decisão ocorre depois de dois dias consecutivos de forte presença de fumaça em Manaus e municípios da Região Metropolitana.
Nesta sexta-feira (25), a qualidade do ar apresentou melhora após as chuvas registradas durante a noite anterior e a madrugada. Apesar disso, as queimadas continuam sendo monitoradas pelas autoridades.
O objetivo é ampliar a capacidade operacional das equipes que atuam no combate aos incêndios registrados na região de Manaus.
ORGULHO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira (25), em São Paulo, uma medida provisória que proíbe o funcionamento das casas de apostas on-line no Brasil.
Com a publicação da MP, as plataformas ficam impedidas de receber novos depósitos e novas apostas. Os sites permanecerão disponíveis temporariamente para que os usuários retirem o dinheiro que ainda possuem nas contas.
O prazo para o resgate vai até as 23h59 do dia 5 de outubro. A partir do dia seguinte, os sites e aplicativos deverão sair do ar.
— A partir de hoje não se pode mais colocar dinheiro nos sites de apostas do país. Os sites ficarão disponíveis para os apostadores fazerem o resgate do saldo remanescente até as 23h59 do dia 5 de outubro — afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
VERGONHA

De acordo com reportagem do Metrópoles, o influenciador Vinícius Ferreira, conhecido como Vini Biólogo, é acusado de estelionato e responde a cerca de oito processos relacionados à venda de pacotes para expedições à Amazônia. Ele nega ter aplicado golpes nos clientes.
O portal teve acesso a oito processos movidos contra Vinícius — três deles já resultaram em condenações — e ouviu pessoas que afirmam ter comprado pacotes da chamada Expedição Amazônia, mas não conseguiram participar das viagens nem recuperar os valores pagos.
Os pacotes custavam cerca de R$ 3 mil e incluíam transporte, hospedagem, alimentação e passeios.
Em um dos processos, julgado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, um cliente havia comprado um pacote de R$ 2,4 mil para uma viagem prevista para março de 2021.
Segundo o processo, a viagem foi inicialmente cancelada em razão da pandemia de Covid-19. O comprador alegou posteriormente que o passeio não foi efetivamente remarcado e que o dinheiro não foi devolvido.
Procurado pelo Metrópoles, Vini Biólogo negou ter aplicado golpes. Ele afirmou que enfrentou dificuldades financeiras após a pandemia e atribuiu parte dos problemas a uma disputa envolvendo o SBT.
OUTRAS PALAVRAS

“ENTÃO NÃO ME CONTE. SE VOCÊ, QUE É O DONO DO SEGREDO, NÃO CONSEGUE GUARDÁ-LO, IMAGINE EU.” (Tancredo Neves)