A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, nas primeiras horas desta sexta-feira (20), a Operação Erga Omnes com foco na desarticulação de uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional.
Ao todo, 13 pessoas foram detidas, oito delas no Amazonas. A investigação aponta que o grupo possuía ramificações dentro da administração pública e atuava de forma estruturada em diferentes estados.
A ação foi coordenada pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), com apoio das forças de segurança do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí, devido ao caráter interestadual das movimentações financeiras identificadas.
Delegados detalham alcance da investigação
Durante coletiva, o delegado Alessandro Albino, diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), afirmou que o foco principal da operação foi o combate à lavagem de dinheiro associada ao tráfico com participação de agentes públicos.
“Realizamos uma ação exitosa, com prisões em quase todos os estados, inclusive aqui no Amazonas.”

O delegado Marcelo Martins, titular do 24º DIP, informou que as investigações começaram em agosto do ano passado e revelaram conexões do tráfico de drogas dentro da estrutura estatal.
Segundo ele, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) foram fundamentais para identificar transações de alto valor realizadas por servidores que, conforme a apuração, colaboravam com o grupo criminoso.
De acordo com a polícia, essa colaboração ocorria por meio de:
- suporte logístico ao esquema
- facilitação de acesso a órgãos públicos
- fornecimento de informações sigilosas
Saiba quem são os presos no Amazonas
Entre os alvos presos no estado estão servidores públicos, ex-assessores e agente de segurança. Veja quem são:
- Izaldir Moreno Barros — servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas
- Adriana Almeida Lima — ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas
- Anabela Cardoso Freitas — investigadora da Polícia Civil
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior — citado por movimentações financeiras suspeitas
- Josafá de Figueiredo Silva — ex-assessor parlamentar
- Osimar Vieira Nascimento — policial militar
- Bruno Renato Gatinho Araújo — investigado por participação no esquema
- Ronilson Xisto Jordão — preso em Itacoatiara



A Polícia Civil não detalhou o grau de participação individual de cada investigado, mas confirmou que todos são apontados como integrantes ou colaboradores da organização criminosa.
Alvos fora do Amazonas
Outras cinco prisões ocorreram em diferentes estados, dentro da estratégia de desarticulação financeira do grupo. Até o momento, a polícia não divulgou publicamente a identidade completa desses investigados.
Esquema tinha alcance interestadual
As investigações indicam que a organização criminosa utilizava empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos e ocultar valores provenientes do tráfico de drogas.
O cruzamento de dados financeiros revelou operações suspeitas que ultrapassavam as fronteiras do Amazonas, exigindo cooperação entre forças policiais de diferentes unidades da federação.
A Polícia Civil informou que novas fases da operação não estão descartadas, conforme o avanço da análise dos materiais apreendidos.

Investigação continua
Os investigados poderão responder por:
- organização criminosa
- tráfico de drogas
- lavagem de dinheiro
- corrupção ativa e passiva
- violação de sigilo funcional
A Operação Erga Omnes segue em andamento, com a promessa de aprofundar a apuração sobre a suposta infiltração do crime organizado em estruturas públicas.

