A Escola Estadual Cid Cabral da Silva, em Manaus, recebeu o primeiro biodigestor instalado na rede pública estadual de ensino do Amazonas. O equipamento, apresentado durante o lançamento do projeto Escolas do Futuro, transforma resíduos orgânicos em biogás e biofertilizante e tem potencial para suprir cerca de 70% da demanda de gás utilizada pela unidade escolar.
A iniciativa é liderada pela Eneva, em parceria com a Amazônia B e o Instituto Ecoleta, e será expandida para outras nove escolas da rede estadual. Ao todo, cerca de 5 mil estudantes deverão ser beneficiados pelo projeto, que alia geração de energia renovável, redução de resíduos e atividades voltadas à educação ambiental.
Além de contribuir para o funcionamento da escola, o biodigestor será incorporado às atividades pedagógicas. A proposta é aproximar os estudantes de temas como economia circular, bioeconomia, sustentabilidade e inovação por meio de experiências práticas dentro do ambiente escolar.
“O projeto tem o papel de despertar os alunos para que eles ocupem esse lugar de cidadão com o conhecimento sobre essa cultura sustentável. É gerar um impacto positivo neles para que eles possam fazer escolhas melhores não só enquanto cidadãos, mas também escolhas profissionais que possam fazer diferença no futuro do nosso meio ambiente”, afirmou Bellmond Viga, diretor da Amazônia B.
O lançamento contou com a participação do coordenador de Relações Institucionais da Eneva na Região Norte, Márcio Lira; dos gerentes da planta do projeto Azulão 950, Miguel Lobo e Thiago Cury; da supervisora regional de Meio Ambiente da companhia, Tarinara Pedrosa; e da secretária executiva adjunta da capital da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc), Edilene Pinheiro.
Segundo Márcio Lira, a proposta vai além da instalação de um equipamento nas escolas.
“O que torna esse projeto tão especial é a capacidade de transformar conceitos como economia circular, transição energética e mudanças climáticas em experiências concretas para os estudantes. Ao ver resíduos orgânicos se transformarem em energia renovável e biofertilizante, os alunos compreendem, na prática, que os desafios ambientais podem ser enfrentados com inovação, conhecimento e ação local.”
Durante o evento, Edilene Pinheiro destacou o apoio da Secretaria de Educação a iniciativas voltadas à formação dos estudantes e parabenizou a equipe da Escola Estadual Cid Cabral da Silva pela articulação do projeto.

Expansão para dez escolas
O projeto será implantado em dez escolas públicas do Amazonas: quatro em Manaus, duas em Silves, duas em Itapiranga e duas em Rio Preto da Eva. A proposta é integrar a tecnologia ao cotidiano escolar, permitindo que os estudantes acompanhem, na prática, o processo de transformação de resíduos em energia e biofertilizante.
Como parte da programação de lançamento, os alunos participaram de uma Feira de Sustentabilidade, com oficinas, visitas guiadas ao biodigestor e atividades sobre economia circular, compostagem, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aproveitamento de alimentos, bioeconomia e o funcionamento da tecnologia.
Como funciona o biodigestor
Os biodigestores HomeBiogas utilizam bactérias anaeróbias para decompor resíduos orgânicos em um ambiente fechado. O metano gerado durante esse processo é capturado e convertido em biogás, que pode ser utilizado no preparo das refeições da escola. O material remanescente é transformado em biofertilizante, empregado nas hortas e áreas verdes da unidade.
Cada equipamento é capaz de processar até 10 quilos de resíduos orgânicos por dia. Após a instalação, o sistema passa por um período de 25 a 30 dias para a formação da microbiota responsável pela biodigestão. Somente depois dessa etapa começa a produção de biogás e biofertilizante.
De acordo com os organizadores, a implantação do projeto permitirá que mais de 20 toneladas de resíduos orgânicos deixem de ser destinadas aos aterros sanitários ao longo de um ano. A estimativa também é evitar a emissão de aproximadamente 8 toneladas de dióxido de carbono (CO₂) e até 300 quilos de metano no mesmo período.
A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente os relacionados à educação de qualidade, energia limpa, cidades sustentáveis, consumo responsável e ação climática, e busca aproximar os estudantes de soluções voltadas aos desafios ambientais por meio de experiências práticas no ambiente escolar.