O Amazonas tem 40 municípios em situação de emergência por causa da estiagem, segundo boletim divulgado neste domingo (18) pelo Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec), do Governo do Estado. Ao todo, 101.084 famílias foram afetadas pela seca. Outros 17 municípios estão em situação de alerta e cinco, em atenção. Nenhum município está em situação de normalidade.
De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, os municípios em emergência são Alvarães, Amaturá, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Ipixuna, Itamarati, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.
Em situação de alerta estão Barcelos, Beruri, Boa Vista do Ramos, Boca do Acre, Borba, Canutama, Fonte Boa, Guajará, Humaitá, Japurá, Manicoré, Manaus, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga e Urucará.
Já Anamã, Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga estão em situação de atenção.
Bombeiros combateram quase 23 mil focos de incêndio
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) atua em 36 municípios com cerca de 1,5 mil profissionais, entre bombeiros militares, brigadistas municipais e agentes federais. As equipes dispõem de 96 viaturas para atender ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais.
Entre 1º de junho e 17 de outubro, os bombeiros registraram 3.748 ocorrências relacionadas a incêndios e combateram 22.974 focos. Desse total, 4.668 foram na capital e 18.306 no interior. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas contabilizou 8.165 focos de calor até 18 de outubro.
O Governo Federal também deve ampliar o apoio às operações no estado, com o envio de agentes das Forças Armadas e da Força Nacional, além de 153 brigadistas do programa Floresta em Pé. A previsão é aumentar de 11 para 16 o número de aeronaves mobilizadas, incluindo aviões Air Tractor, KC-390 e helicópteros.
A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) mantém cerca de 100 policiais do Comando de Policiamento Especializado e 25 viaturas nas áreas com maior incidência de queimadas. No sábado (17), 11 pessoas foram presas em Autazes, suspeitas de envolvimento em crimes ambientais.
Operações de fiscalização
O estado mantém diferentes operações para combater incêndios e crimes ambientais. A Operação Tamoiotatá atua em 13 municípios, enquanto a Amazonas+Verde realiza ações em 33 municípios. Já a Operação Alerta Fogo fiscaliza o uso irregular do fogo com apoio de drones e viaturas equipadas com conexão via Starlink.
As infrações identificadas podem resultar em multas e embargos de áreas. Até meados de outubro, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) havia aplicado mais de R$ 167 milhões em multas e realizado 421 embargos, que abrangem mais de 65 mil hectares.
Em setembro, a Polícia Civil do Amazonas registrou 66 boletins de ocorrência por incêndio e 151 por desmatamento.
Estado mantém medidas preventivas
O governo estadual estabeleceu, por meio do Decreto nº 55.339, de 9 de setembro, a proibição do uso do fogo por 120 dias em todo o Amazonas, com exceção das situações previstas em lei. Outra medida, prevista no Decreto nº 55.338, instituiu o Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas.
Também foram decretadas situações de emergência por 180 dias em razão dos incêndios florestais em 36 municípios e dos efeitos da estiagem em todo o estado. O Decreto nº 55.751, publicado em 10 de outubro, abrange os municípios afetados pelos incêndios. Já o Decreto nº 55.486, de 21 de setembro, reconhece a emergência estadual provocada pela estiagem agravada pelo fenômeno El Niño.
As ações incluem atividades de educação ambiental, que alcançaram mais de 43 mil pessoas entre junho e agosto, além do monitoramento de focos de calor por imagens de satélite. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e o Ipaam utilizam os dados para orientar fiscalizações e identificar possíveis infrações.
O CBMAM também ampliou de 11 para 25 o número de bases permanentes no interior. As equipes contam ainda com veículos aéreos não tripulados, incluindo o Vant Harpia, e drones com câmeras térmicas para auxiliar no monitoramento e no combate aos incêndios.