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Estiagem atinge mais de 104 mil famílias no Amazonas

Estado tem 42 municípios em situação de emergência; Autazes registra nível severo de poluição do ar, e outras cidades têm alertas por causa da fumaça de incêndios florestais.

Foto: Divulgação

Mais de 104 mil famílias foram atingidas pela estiagem no Amazonas. Segundo boletim divulgado pela Defesa Civil nesta quarta-feira (21), 104.690 famílias foram afetadas pela seca, que mantém 42 municípios em situação de emergência. Outros 15 estão em alerta e cinco em situação de atenção.

Além dos impactos da estiagem, incêndios florestais provocaram alterações na qualidade do ar em municípios do estado. Um dos alertas emitidos pelo Centro de Monitoramento e Alertas da Defesa Civil do Amazonas (CEMOA) aponta nível severo de poluição na área urbana de Autazes. Os avisos são válidos até a manhã de quinta-feira (22).

Municípios em emergência

Ao todo, 42 municípios estão em situação de emergência: Alvarães, Amaturá, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Boca do Acre, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Humaitá, Ipixuna, Itamarati, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.

Outros 15 municípios estão em situação de alerta: Barcelos, Beruri, Boa Vista do Ramos, Borba, Canutama, Fonte Boa, Guajará, Japurá, Manaus, Manicoré, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga e Urucará.

Já Anamã, Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga estão em situação de atenção.

Autazes tem nível severo de poluição do ar

Os novos alertas do CEMOA foram emitidos nesta quarta-feira devido à alteração na qualidade do ar provocada por incêndios florestais em áreas não protegidas do estado.

O nível severo, que indica concentrações de partículas finas (MP2,5) superiores a 125 microgramas por metro cúbico e qualidade do ar considerada péssima, foi identificado na área urbana de Autazes.

O alerta de nível alto, com concentrações de MP2,5 entre 50 e 125 microgramas por metro cúbico em 24 horas, abrange Barreirinha, Boca do Acre, Careiro, Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara, Itamarati, Manaus, Manaquiri, Maués, Nhamundá, Novo Aripuanã, Nova Olinda do Norte, Parintins, São Sebastião do Uatumã, Silves e Urucurituba. Nesses locais, a qualidade do ar é classificada entre ruim e muito ruim.

Já o nível moderado, com concentrações acima de 15 microgramas por metro cúbico em 24 horas, foi registrado em Alvarães, Anamã, Boca do Acre, Borba, Carauari, Coari, Envira, Humaitá, Japurá, Manicoré, Novo Airão, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, São Paulo de Olivença, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga, Tapauá e Tefé.

Combate aos incêndios

Cerca de 1,5 mil servidores, entre bombeiros militares e brigadistas, atuam nas ações de prevenção e combate aos incêndios e aos efeitos da estiagem no Amazonas, em articulação com o governo federal. A operação conta com 18 aeronaves, sendo 16 do governo federal e duas do governo estadual. A frota inclui oito aviões Air Tractor, dois KC-390 e oito helicópteros.

Entre as medidas adotadas estão a contratação de mais 153 brigadistas florestais, por meio do programa Floresta em Pé, além do monitoramento e combate aos incêndios e da entrega de viaturas e equipamentos. Picapes equipadas com kits de combate a incêndio também integram a estrutura de resposta.

Na fiscalização ambiental, a Operação Tamoiotatá atua em 13 municípios, enquanto a Amazonas+Verde realiza ações de combate a incêndios em 33. Já a Operação Alerta Fogo fiscaliza o uso ilegal do fogo com apoio de drones e viaturas equipadas com internet via Starlink. As infrações podem resultar em multas e embargos.

Entre 1º de junho e 20 de outubro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) registrou 3.789 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais e atuou no combate a 23.527 focos de incêndio. Desse total, 4.708 foram na capital e 18.819 no interior.

Como medida preventiva, o estado proibiu o uso do fogo por 120 dias em todo o Amazonas, ressalvadas as exceções previstas em lei. Decretos também estabeleceram situações de emergência por 180 dias em áreas afetadas por incêndios florestais e em todo o estado devido à estiagem, permitindo ampliar as ações de resposta e recuperação.

As iniciativas incluem atividades de educação ambiental, que alcançaram mais de 43 mil pessoas entre junho e agosto de 2026, e o monitoramento de focos de calor por imagens de satélite, realizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). Os dados ajudam a direcionar fiscalizações e identificar possíveis infrações ambientais.

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