O ex-prefeito de Barreirinha Mecias Pereira Batista, conhecido como Mecias Sateré, de 62 anos, foi preso na noite de domingo (13/7) para cumprir pena definitiva de 8 anos e 3 meses de reclusão, em regime inicialmente fechado. A condenação é por crimes previstos na antiga Lei de Licitações e por crimes de responsabilidade de prefeitos.
O mandado de prisão foi cumprido por equipes da 42ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Barreirinha, após semanas de monitoramento. Segundo o delegado Hugo Guimarães, os policiais identificaram que o ex-prefeito estava no município durante o fim de semana e montaram uma operação na Travessa Pindorama, no bairro São Judas Tadeu.
De acordo com a Polícia Civil, Mecias foi abordado por volta das 23h, quando retornava de motocicleta ao imóvel onde estava hospedado. A prisão ocorreu sem resistência e sem necessidade do uso de algemas. Em seguida, ele foi submetido a exame de corpo de delito, que não constatou lesões.
A condenação, já com trânsito em julgado, está relacionada ao processo nº 4000094-72.2024.4.01.3200 e envolve irregularidades em procedimentos licitatórios, além de crimes de responsabilidade previstos no Decreto-Lei nº 201/1967. Conforme a polícia, o processo tramita sob sigilo judicial.
Após a audiência de custódia, a Polícia Civil solicitou a transferência do ex-prefeito para uma unidade prisional em Parintins ou Manaus. O pedido leva em consideração a superlotação da carceragem da delegacia de Barreirinha, que atualmente abriga cerca de 20 presos em duas celas.
Mecias Sateré administrou o município de Barreirinha por dois mandatos consecutivos, entre 2009 e 2016. Até a publicação desta reportagem, a defesa do ex-prefeito não havia se manifestado sobre a prisão.
Histórico de processos
Em 2019, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 363,1 mil em bens do ex-prefeito após ação do Ministério Público Federal (MPF), que apontou indícios de irregularidades na prestação de contas de um convênio de R$ 1,2 milhão firmado com o Fundo Nacional de Saúde (FNS). Segundo o MPF, parte dos recursos não teve a prestação de contas apresentada.
Já em outubro de 2023, Mecias foi condenado a 6 anos, 7 meses e 28 dias de prisão, em regime semiaberto, por utilizar recursos públicos para comprar passagens aéreas destinadas a familiares e pessoas sem vínculo com a Prefeitura de Barreirinha, conforme denúncia do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM).