A transformação da rua Ferreira Pena, no Centro Histórico de Manaus, avança com uma combinação de cuidado com o patrimônio e preparação para uma nova infraestrutura urbana. A obra da primeira “Rua Gastronômica” da capital é executada pela Prefeitura de Manaus, com projeto do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), dentro do programa “Nosso Centro”, no trecho entre as ruas 10 de Julho e Ramos Ferreira.
Nesta etapa das obras, as equipes atuam na instalação das placas de obra, finalização do canteiro, retirada manual dos meios-fios e remoção cuidadosa das pedras lioz existentes, que serão preservadas para posterior reaproveitamento na paginação da nova pista.
A proposta prevê a requalificação completa da via, com nova pavimentação, calçadas renovadas, drenagem, infraestrutura subterrânea para redes de serviços e iluminação cênica.
Segundo o engenheiro responsável pela obra, Leandro Ladeira, os trabalhos desta primeira fase estão concentrados na preparação do trecho para receber as novas estruturas. “Hoje, as atividades aqui da rua Ferreira Pena consistem na instalação das placas de obra, na remoção dos meios-fios de forma manual e também na finalização das instalações do canteiro de obra”, comentou.

Pedra lioz será reaproveitada
Um dos cuidados da intervenção está na retirada das pedras lioz existentes na via. O material está sendo removido manualmente, evitando danos às peças e permitindo que elas sejam preservadas para voltar a fazer parte do espaço depois da execução das novas etapas da obra.
A iniciativa reforça a proposta de requalificação da Ferreira Pena com reforço nos elementos que já fazem parte da paisagem da rua. O material retirado será incorporado novamente à composição da via, dentro da nova paginação prevista no projeto. Depois da etapa de remoção, começa uma fase fundamental para a transformação da infraestrutura, as redes subterrâneas.
“Na próxima semana, está programado o início das escavações das infraestruturas subterrâneas de energia elétrica, nova rede de água pela Águas de Manaus, infraestrutura também da captação da drenagem de águas pluviais e de telecom”, afirmou o engenheiro.
A implantação subterrânea vai organizar as redes de serviços e preparar a Ferreira Pena para receber a nova configuração urbana. Depois dessa etapa, avançam os serviços de pavimentação, calçadas e iluminação cênica.

Oitizeiros são protagonistas
As árvores existentes na Ferreira Pena serão integralmente preservadas. Os oitizeiros, que já fazem parte da identidade e da paisagem da rua, foram tratados como protagonistas desde a concepção do projeto de requalificação. A proposta foi desenvolvida a partir da arborização existente, valorizando a sombra, o conforto térmico e a experiência de quem circula pelo espaço. Para isso, os canteiros serão ampliados e adequados para permitir melhores condições de desenvolvimento das árvores, que permanecerão na nova configuração da via.
A arquiteta e urbanista Rejane Gaston, gerente da Divisão de Planejamento Urbano (Dipu), destaca que a arborização foi uma das premissas da intervenção.
“A árvore é essencial, é o charme da rua. Inclusive, pegamos ela como âncora para o projeto. Vamos fazer uma iluminação cênica, e a árvore não tem como não fazer composição com o projeto”, disse.
Além de preservar os exemplares existentes, o projeto prevê a arborização de um pequeno trecho atualmente sem árvores. A vegetação também terá papel importante na iluminação cênica, criando uma composição entre patrimônio, paisagismo e os novos elementos urbanos.
Comércio ativo
Mesmo com a interdição da Ferreira Pena para a execução dos serviços, os estabelecimentos comerciais da via seguem funcionando normalmente. O acesso local aos imóveis e empreendimentos permanece disponível pelas vias laterais, especialmente pelas ruas Ramos Ferreira e Monsenhor Coutinho.
A movimentação dos comerciantes também é acompanhada durante a execução da obra. Conforme o diretor-presidente do Implurb, Antônio Peixoto, a intervenção não interrompe as atividades econômicas da área.
“Já tivemos várias reuniões com os empreendedores aqui, eles estão muito satisfeitos. Agora, inclusive, com a interrupção do tráfego de carros, mais pessoas estão vindo para cá. Mas reforçamos o cuidado que a população deve ter ao circular pelo setor, evitando o canteiro e utilizando as calçadas e trechos sinalizados. Vamos manter a segurança na obra, dos trabalhadores e dos frequentadores do espaço”, comentou.
A nova configuração da Ferreira Pena pretende transformar a relação entre a rua, os estabelecimentos e quem frequenta o centro histórico, criando um espaço mais confortável para circulação e permanência, sem deixar de lado as características que já fazem parte da identidade do lugar.
Lugar de cultura e encontro
A requalificação da Ferreira Pena integra as ações do “Nosso Centro” e prevê, além da nova infraestrutura, a criação de um ambiente voltado à gastronomia, à cultura, ao turismo e à convivência.
A previsão é de conclusão da obra até novembro. Após a entrega, a prefeitura também pretende levar apresentações culturais para o espaço aos fins de semana.
“Depois de entregue, nós teremos aqui apresentações culturais. Nos fins de semana, teremos música ao vivo, para que as pessoas possam vir para cá, se encontrar, se alegrar e, sem sombra nenhuma de dúvida, resgatar um pouco da nossa história”, afirmou o prefeito Renato Junior, durante visita ao trecho em obras.
Com a reabilitação, a Ferreira Pena começa a ganhar uma nova infraestrutura sem perder elementos que já fazem parte de sua identidade.