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Vídeo: Flávio oferece riquezas estratégicas do Brasil aos EUA e Eduardo usa CPAC para atacar Justiça

Em evento da direita trumpista no Texas, senador apresentou o Brasil como solução para os EUA em terras raras e minerais críticos, enquanto Eduardo voltou a pedir pressão contra instituições brasileiras.

A fala caiu como uma confissão política: a família Bolsonaro decidiu internacionalizar sua guerra contra o Brasil 

Em pleno palanque da CPAC, nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que “o Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras raras e minerais críticos”. No mesmo ambiente, também defendeu que o chamado “mundo livre” exerça “pressão diplomática” sobre as instituições e as eleições brasileiras. A fala caiu como uma confissão política: a família Bolsonaro decidiu internacionalizar sua guerra contra o Brasil oferecendo, no balcão geopolítico, parte das riquezas estratégicas do país.

A reação veio imediata porque o conteúdo é explosivo. Reportagens publicadas neste domingo mostram que governistas leram o gesto como um aceno explícito de submissão aos interesses de Washington em troca de apoio político para 2026. O Correio Braziliense resumiu a controvérsia ao relatar que Flávio “propôs ceder reservas de terras raras ao governo Trump em troca de apoio político”, enquanto o Metrópoles registrou a indignação de lideranças que classificaram a fala como entreguista.

E não se trata de qualquer ativo. As terras raras e os minerais críticos estão no centro da disputa estratégica entre Estados Unidos e China, com impacto direto sobre defesa, tecnologia, inteligência artificial, transição energética e indústria de ponta. A própria CNN Brasil vem mostrando, há meses, que Washington ampliou o interesse sobre projetos brasileiros e que o governo americano vê o Brasil como peça relevante para reduzir sua dependência da cadeia controlada pela China. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro tem sustentado que não aceitará virar “mero exportador” dessas riquezas sem agregação de valor, refino e transferência de tecnologia.

É justamente aí que a fala de Flávio ganha gravidade política. Porque ela não aparece como defesa de uma política industrial soberana, nem como proposta de cooperação estratégica em bases equilibradas. Surge, isso sim, como uma senha oferecida à direita americana: apoio externo em troca de acesso privilegiado a recursos essenciais do subsolo brasileiro. Quando um pré-candidato transforma patrimônio mineral em moeda de alinhamento ideológico, o debate deixa de ser eleitoral e entra no terreno da soberania nacional. Essa leitura é reforçada pelo próprio apelo feito por Flávio para pressão internacional sobre o processo político brasileiro.

Eduardo Bolsonaro, por sua vez, não fez papel de coadjuvante. Também presente à CPAC, o ex-deputado voltou a atacar Alexandre de Moraes, disse que a direita terá maioria no Senado para “impichar” o ministro e afirmou que os EUA terão “o maior aliado no Brasil no ano que vem”. A fala reforça a estratégia de buscar, no exterior, respaldo político para confrontar instituições brasileiras e alimentar a narrativa de perseguição judicial.

O contexto agrava ainda mais o episódio. Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar humanitária temporária, por 90 dias, após decisão de Alexandre de Moraes, com tornozeleira eletrônica, proibição de uso de celular, visitas restritas e vigilância policial na residência. A medida foi concedida por razões de saúde, depois de internação por pneumonia, e não elimina as restrições impostas ao ex-presidente. Ou seja: enquanto o pai cumpre prisão domiciliar sob ordem do STF, os filhos viajam aos Estados Unidos para debochar politicamente da situação e tensionar, em solo estrangeiro, o ambiente institucional brasileiro.

O dado mais perturbador é o método. A família Bolsonaro já não esconde que aposta numa articulação internacional da extrema direita para interferir no debate político interno do Brasil. Flávio pede pressão sobre eleições. Eduardo promete revanche contra ministros do Supremo. E ambos fazem isso diante de uma plateia alinhada ao trumpismo, justamente no momento em que os minerais críticos brasileiros se tornaram peça cobiçada no xadrez global. Não há patriotismo nisso. Há dependência, cálculo eleitoral e disposição para negociar o interesse nacional como ativo de campanha.

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