O candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o Brasil não vive uma democracia plena e que, quando falou em mudar a Constituição caso eleito, estava falando sobre aprovar PECs (propostas de emenda à Constituição).
Nesta terça (6), em Goiânia, Flávio Bolsonaro falou em usar a vantagem da direita no Congresso para mudar a Constituição e "redemocratizar o país". No entanto, a declaração não caiu bem e o candidato passou a ser criticado pela própria base por uma possível manipulação do judiciário.
Vendo a repercussão negativa, Flávio negou que a fala tenha a ver com seguir planos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe. "Eu já vi gente começar a dizer: 'ah, agora o Flávio, com esse Congresso com ampla maioria, ele vai fazer o que o pai dele não fez'. Vamos parar de mentir, vamos aterrissar no mundo real. Para de fazer torcida", disse.
As suspeitas vão de encontro com uma ação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques, que foi indicado por Jair Bolsonaro ao STF, que sinalizou a auxiliares que irá julgar a ação que pede a soltura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O magistrado avalia libertar Bolsonaro por meio de uma decisão liminar.
Com a ação de Kassio e as declarações de Flávio Bolsonaro, os indícios da continuação da tentativa de um golpe de estado continuam, porém agora a família Bolsonaro tem um apoio maior no congresso para levar a diante a imposição de um governo de extrema-direita, com o foco em desestruturação do poder judiciário.
Mudança da Constituição
O PL elegeu as maiores bancadas das duas Casas para a próxima legislatura, com 28 das 81 cadeiras do Senado e 121 das 513 vagas da Câmara dos Deputados. Os números, no entanto, não representam maioria absoluta do partido isoladamente. É justamente a nova composição do Congresso que Flávio cita ao falar sobre seus planos para um eventual governo.
"O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que ele já é hoje. Com maioria no Senado para [eleger] o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara", afirmou. "Para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar este país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição", acrescentou durante discurso.