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Fórum das Águas leva debate sobre ‘Saneamento e Trabalho’ para a praça neste sábado

Coletivo de entidades quer incentivar reflexão e questionamento dos usuários do serviço

A V edição da Tribuna das Águas acontece na Praça Heliodoro Balbi

O coletivo Fórum das Águas e a Organização Habitat para a Humanidade promovem, neste sábado, 04.05.24, a partir das 9h, a V edição da Tribuna das Águas, na Praça Heliodoro Balbi (Praça da Polícia), com a participação de representantes das entidades que integram o fórum, convidados e demais interessados.

O objetivo é promover a discussão em torno do tema ‘Trabalho e Saneamento’, promovendo o debate e a reflexão dos usuários do serviço prestado em Manaus.

“Quantos dias você consegue viver sem água? Já pensou nisso? E se a água que estamos pagando para ter hoje não está sendo bem tratada? Não deveríamos cobrar os responsáveis?”, são alguns dos questionamentos propostos pelo coletivo que vem mobilizando os participantes por meio das redes sociais.

O último recenseamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 2022) revela que 6 milhões de pessoas vivem sem água tratada no Brasil e 49 milhões de brasileiros vivem em lares sem redes de esgoto. Esta agressão é vivenciada de forma mais dramática nas regiões norte e nordeste, tornando visível a desigualdade estrutural que configura o país.

Membro organizador do Fórum das Águas, Sandoval Rocha destaca que, no Nordeste, somente 41,2% da população possui esgotamento sanitário, enquanto na região Norte apenas 22,8% da população possui acesso ao serviço. No que diz respeito ao abastecimento de água, o Nordeste apresenta 76,3% da população com acesso à água potável, enquanto a região Norte possui apenas 55,7% da população com acesso a redes de abastecimento.

No ranking das unidades federativas, o Amazonas está entre os piores estados, ocupando a 23ª posição no abastecimento de água pela rede geral. Somente 66% dos domicílios particulares permanentes ocupados (713.550) possuem ligação à rede geral. Manaus está na 21ª posição entre as capitais, com 76,2% dos domicílios ligados à rede geral.

“Um péssimo desempenho para uma cidade cujos serviços são privatizados. Depois de duas décadas e meia de concessão – 24 anos – há evidências irrefutáveis de que a privatização não veio para melhorar a vida da população, mas somente aquecer o mercado, beneficiando as empresas que por aqui passaram. Transformaram água e serviços essenciais em moedas de troca, ignorando o mais importante, que é o bem da população”, avalia Sandoval Rocha, filósofo, doutor em Ciências Sociais pela PUC-Rio e mestre em Ciências Sociais pela Unisinos/RS, membro da Companhia de Jesus, associado do ONDAS, trabalha no Instituto Amazonizar, da PUC-Rio.

A privatização do serviço de água e esgoto em Manaus ocorreu no ano 2000. De lá para cá,  já assumiram a concessão a Lyonnaise des eaux, Solví, Águas do Brasil e agora, Aegea Saneamento.

“As expectativas geradas pelo processo de privatização se encontram frustradas, exigindo dos poderes públicos maiores esforços para que a concessão cumpra as metas projetadas. Ao que parece, a privatização do saneamento foi realizada para sermos os piores, ocupando invariavelmente as últimas colocações no ranking dos estados e capitais. Falta fiscalização e responsabilidade. Na verdade, falta democracia na gestão dos serviços. Algo que o mercado não pode oferecer”, avalia.

Trabalho

No dia 1º de Maio, o Fórum das Águas participou da mobilização organizada por coletivos e entidades ligadas à Pastoral Operária da Arquidiocese de Manaus, no Centro de Manaus, destacando a necessidade de que os trabalhadores sejam respeitados nos seus direitos mais básicos, como os direitos à água e ao saneamento.

“São direitos fundamentais para garantir uma vida digna e saudável. Sem água a vida não é possível para ninguém; sem esgotamento sanitário somos lançados em situações de risco de contrair doenças diversas e até a morte”, pontua.

Ele ressalta que, durante a Tribuna das Águas, quem quiser comparecer, pode retratar a situação vivenciada em seu bairro ou comunidade e entender como funciona o sistema de abastecimento hoje e discutir alternativas viáveis para melhoria da prestação de serviço.

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