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Fórum de Mulheres de Manaus denuncia o senador Plínio Valério por violência política

Denúncia foi protocolada na Procuradoria-Geral da República. O senador disse, nesta quarta-feira (19), que não se arrepende do comentário que fez

Valério afirmou na última sexta-feira (14), que sentiu vontade de “enforcar” a ministra durante CPI das ONGs

O Fórum Permanente de Mulheres de Manaus, juntamente com diversas organizações feministas e de defesa dos direitos das mulheres, protocolou nesta terça-feira (19) uma denúncia na Procuradoria-Geral da República contra o senador Plínio Valério (PSDB-AM) por violência política de gênero e raça.

A denúncia tem como base declarações feitas pelo parlamentar durante a cerimônia de entrega da Medalha do Mérito Comercial do Amazonas 2025, promovida pela Fecomércio-AM. Na ocasião, Plínio Valério afirmou: “Imagina o que é tolerar a Marina por seis horas sem enforcá-la”, em referência à ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

De acordo com a coordenadora do Fórum Permanente de Mulheres de Manaus, Marília Freire, episódios como esse devem ser denunciados para que não fiquem impunes. "Essa fala violenta compõe a estrutura do tecido social e cultural que mata e violenta todas nós, mulheres, diariamente. Não vamos aceitar isso em silêncio e, por isso, entregamos uma notícia de fato criminoso dessa violência política de gênero e raça ao Ministério Público Federal, para que sejam tomadas as providências legais cabíveis diante das inaceitáveis palavras proferidas pelo senador contra a ministra. Esperamos que episódios como este não sejam relevados impunemente", explica.

As entidades signatárias destacam que a fala do senador configura uma grave violação da Lei nº 14.192/2021, que estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher. Além disso, a declaração pode ser enquadrada nos crimes de injúria (Art. 140 do Código Penal), incitação ao crime (Art. 286 do Código Penal) e apologia ao crime (Art. 287 do Código Penal).

Para as organizações, o episódio representa um atentado à participação feminina na política e reforça o ambiente de hostilidade enfrentado por mulheres, especialmente mulheres negras, em espaços de poder. O Fórum Permanente de Mulheres de Manaus e as entidades parceiras solicitam à PGR que tome as providências cabíveis para garantir a responsabilização do senador e reforçar o compromisso com a democracia e a igualdade de gênero.

A denúncia foi protocolada com base na Constituição Federal, na Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher (CEDAW) e em legislações nacionais que asseguram a participação plena e segura das mulheres na política.

Não se arrepende

Nesta quarta-feira (19), o senador afirmou que não se arrepende do comentário que fez sobre a ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva.

Valério afirmou na última sexta-feira (14), durante um evento da Fecomércio no Amazonas, que sentiu vontade de “enforcar” a ministra ao relembrar sua participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das ONGs.

O senador voltou a falar sobre o assunto nessa quarta-feira (19). Dessa vez, no plenário do Senado: “Foi brincadeira. Se você perguntar ‘você faria de novo’? Não. Mas [se] ‘se arrepende’? Não. Foi uma brincadeira. […] Eu não excedi, eu brinquei, talvez, fora da hora. Mas não me excedi. Eu passei seis horas e 10 minutos tratando [a ministra] com decência, como merece toda mulher”, disse.

A fala de Valério aconteceu logo após ele ser repreendido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

“Eu acho que ele foi muito infeliz nessa colocação”, disse Alcolumbre, que relatou a cobrança de alguns parlamentares em relação à postura.

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