A primeira edição da revista “Amazônia: Futuro em Foco”, lançada no último dia 21 pela FPFtech, deve se consolidar como um espaço permanente para pesquisadores e atores relevantes da Amazônia apresentarem seus trabalhos, além de fortalecer o debate público sobre tecnologia, inovação e desenvolvimento regional. Partindo de uma perspectiva baseada em evidências e experiências locais, a revista, disponibilizada gratuitamente online, nasce em um contexto de transformações globais e regionais.
Para o diretor de educação da FPFtech, Niomar Pimenta, a Amazônia ocupa o papel central nesse cenário em mutação. “Nós estamos passando por um processo de transformação muito grande da humanidade. Mudanças climáticas, mudanças geopolíticas e a Amazônia está no meio desse processo. A Amazônia representa 60% do país e o Amazonas cerca de 20% do Brasil. A região é protagonista desse processo”, afirma.
Segundo Niomar, nesse contexto, a publicação busca evidenciar que o desenvolvimento regional pode ocorrer de forma compatível com a preservação ambiental. “Os países desenvolvidos fizeram isso à custa de muito impacto no meio ambiente. A Amazônia, e o Amazonas em particular, está mostrando que é possível o desenvolvimento com a manutenção da floresta. Nós estamos desenvolvendo indústrias, o interior desenvolve produtos amazônicos e temos a mais rica fauna e flora do mundo preservada”, disse.
Ele acrescentou que a revista “vem dar voz às pessoas que transformam a Amazônia, às inovações, às comunidades do interior, aos pesquisadores, às indústrias e ao poder público, para divulgar políticas e movimentos da região”.
A edição inaugural traz como artigo de destaque o estudo “O ecossistema de empreendedorismo e inovação do Amazonas”, apresentado como um estudo de caso da FPFtech, que aborda a articulação entre políticas públicas, instituições de ciência e tecnologia, setor produtivo e formação de profissionais. Entre os destaques editoriais estão a entrevista com Bosco Saraiva, que analisa sua atuação à frente da Superintendência da Zona Franca de Manaus e o ambiente de desenvolvimento regional, e o artigo “BR-319: devemos retomá-la ou não?”, apresentado no formato “Ponto & Contraponto”, com análises dos articulistas Afonso Lins e Philip Fearnside.
A revista também reúne entrevista com Ulisses Tapajós, artigo de Ricardo Moura sobre Indústria 4.0 e a transformação digital no Brasil, entrevista com Etelvina Garcia, que aborda a história, os desafios e as oportunidades da Zona Franca de Manaus, além do artigo “O papel da Lei Geral de Proteção de Dados”, assinado pela diretora jurídica da FPFtech, Rosanila Feitoza.
Representando o Governo do Amazonas, o secretário executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação, Jeibi Medeiros, destacou a relevância da iniciativa editorial. “A humanidade conta a sua história desde sempre, e a FPFtech, ao lançar essa revista, conta boas histórias. É disso que a gente está precisando: pessoas de várias áreas e níveis de conhecimento contando histórias para ajudar a construir uma Amazônia mais sustentável”, ressalta. O secretário também pontuou a importância do diálogo entre diferentes setores. “Fico muito feliz por essa oportunidade e por iniciativas que fortalecem esse caminho”, completa.
Ao apresentar a proposta da publicação, o CEO da FPFtech, Luís Braga, salientou o papel das políticas públicas no desenvolvimento do ecossistema regional de inovação. “Grande parte do que a gente vê hoje de inovação e tecnologia na nossa região é fruto das políticas públicas que existem a nosso favor. Se não fossem essas políticas, não teríamos nem 10% do que temos hoje em termos de ecossistema de inovação e empreendedorismo”, defende.
Luís Braga destacou ainda a evolução da formação de profissionais locais. “Quando começamos, éramos seis pesquisadores e 90% vinham de outros estados. Hoje, 100% do nosso quadro é formado por pessoas da região. Isso é resultado de investimento, de políticas públicas e de leis de incentivo”, disse. Braga concluiu ao definir o propósito da publicação. “Não é uma revista da Fundação, é uma revista da nossa região. Queremos mostrar tudo o que temos aqui, contar histórias com base científica e mostrar como a transformação digital está acontecendo, porque precisamos nos unir como um ecossistema para nos tornarmos fortes”.