Manaus (AM) — O Grupo Atem inicia em outubro as operações de sua base fluvial em Itacoatiara (AM), estrutura montada pela Navemazônia, empresa de logística fluvial do Grupo, para apoiar a transferência de cargas de navios para balsas durante a vazante. A primeira operação ship-to-barge com um navio acontece no dia 3 de outubro.
A base integra o planejamento do Grupo para reduzir os impactos de eventuais restrições à navegação e manter o fluxo de petróleo e derivados até Manaus e outras localidades do Amazonas.
O planejamento combina monitoramento dos rios, antecipação de viagens e estoques, reforço da frota e previsões produzidas pelo Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre, o Labclim, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Segundo atualização apresentada pelo Labclim em 17 de setembro, o El Niño atingiu a categoria “muito forte” e poderá continuar influenciando as chuvas e os rios até março ou abril de 2027. O cenário de 2026, porém, permanece diferente das estiagens históricas de 2023 e 2024. Em Manaus, o Rio Negro continua em processo de descida, mas ainda dentro da faixa considerada normal para o período. A maior preocupação hidrológica está no Alto Rio Negro, onde as chuvas e os níveis dos rios permanecem abaixo do padrão esperado.
As projeções científicas se somam à experiência operacional acumulada pelo Grupo Atem nas estiagens históricas de 2023 e 2024. Essa experiência reforçou a atuação coordenada da Refinaria da Amazônia, da Atem Distribuidora, da Navemazônia, no transporte fluvial, e da Rodoamazônia, no transporte rodoviário.
A integração permite combinar diferentes etapas da cadeia e adaptar embarcações, estoques, rotas e modais às condições encontradas durante a vazante.
O número de balsas-tanque empregadas na operação em 2026 mais do que dobrou em relação a 2024, ampliando as possibilidades de remanejamento de estoques e de utilização de embarcações com características adequadas às diferentes condições de navegabilidade.
“Nas estiagens anteriores, aprendemos na prática que não existe uma única solução para enfrentar as restrições de navegabilidade. É preciso combinar antecipação de estoques e viagens, diferentes embarcações, rotas e modais. Hoje, somamos essa experiência às informações produzidas pelo monitoramento climático para tomar decisões com maior antecedência”, afirma Guilherme Santana, Vice-Presidente de Distribuição e Operações do Grupo Atem.
Do navio à balsa: logística se adapta à vazante
Um dos pontos críticos durante a estiagem é a Costa do Tabocal, na rota de acesso a Manaus. A redução do nível do rio pode restringir a passagem de navios de grande porte que transportam petróleo e derivados destinados à Refinaria da Amazônia, responsável pelo fornecimento de combustíveis às distribuidoras, empresas de navegação e outros setores.
A operação em Itacoatiara amplia a capacidade de adaptação do Grupo Atem. Na modalidade ship-to-barge, as cargas são transferidas dos navios para balsas-tanque, que podem prosseguir até Manaus diante de limitações às embarcações de maior porte. A Navemazônia também realizada o barge-to-ship, quando as cargas são transferidas de balsas para navios.
Realizada em área de fundeadouro no Rio Amazonas – com a devida autorização e homologação dos órgãos competentes -, a operação exige coordenação entre embarcações, estoques e transporte. No atendimento ao interior, o combustível também pode ser transferido para balsas menores ou seguir por trechos rodoviários, conforme as condições de cada rota.
Combustível para cidades isoladas
Essa capacidade de adaptação é especialmente relevante nos municípios atendidos pelo sistema isolado de geração de energia. Atualmente, a Atem fornece combustível para mais de 90% das usinas no Amazonas, contribuindo para a geração de energia que atende hospitais, escolas, delegacias, comércio, serviços e residências.
O planejamento inclui a antecipação de entregas e o reforço dos estoques destinados à geração de energia, aos postos e a outros clientes.
“Quando planejamos a logística para a estiagem, olhamos toda a jornada do combustível. Há localidades em que esse abastecimento também está diretamente ligado à geração de energia e ao funcionamento de serviços essenciais. Por isso, estoques, embarcações, rotas e alternativas precisam estar preparados antes do período mais crítico”, reforça Guilherme Santana.