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IBGE: mais amazonenses estão trabalhando, mas metade segue na informalidade

Estado fechou o segundo trimestre com 1,847 milhão de ocupados e taxa de desocupação de 7,5%

O setor público foi um dos principais motores da expansão - Foto: Reprodução

O mercado de trabalho do Amazonas ganhou fôlego no segundo trimestre de 2026. Entre abril e junho, 85 mil pessoas passaram a estar ocupadas no estado, enquanto caiu o número de amazonenses procurando trabalho e também o de pessoas que desistiram de buscar uma vaga. O movimento ajudou a reduzir a taxa de desocupação de 8,3% para 7,5%.

Os números da PNAD Contínua, divulgados nesta sexta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram, porém, que a melhora ainda convive com um problema antigo: mais da metade dos trabalhadores amazonenses está na informalidade. São 955 mil pessoas, o equivalente a 51,7% dos ocupados — a terceira maior taxa do país.

Ao todo, 1,847 milhão de pessoas estavam trabalhando no Amazonas no trimestre, 4,8% a mais que nos três meses anteriores. O nível de ocupação também avançou, de 54,9% para 56,9%.

Onde o emprego cresceu

O setor público foi um dos principais motores da expansão. O número de trabalhadores no setor passou de 298 mil para 327 mil, alta de 9,8% em apenas um trimestre.

O emprego com carteira assinada no setor privado também avançou. Eram 461 mil trabalhadores formais, 25 mil a mais que no trimestre anterior, crescimento de 5,7%.

Outro dado que chama atenção é o número de empregadores. Em um ano, o contingente saltou de 43 mil para 58 mil pessoas, alta de 34,9%. O avanço foi puxado principalmente pelos empregadores com CNPJ, que passaram de 26 mil para 40 mil.

O trabalho por conta própria, por outro lado, permaneceu praticamente estável, com 551 mil pessoas.

Indústria vai na contramão

Enquanto alguns setores ampliaram o número de trabalhadores, a indústria seguiu no sentido contrário.

O segmento tinha 238 mil ocupados em junho de 2025 e chegou a 206 mil um ano depois, uma redução de 32 mil pessoas, ou 13,3%. Foi o único setor a apresentar queda estatisticamente significativa na comparação anual.

A construção civil também perdeu trabalhadores no período, passando de 113 mil para 105 mil, mas a variação ficou dentro da margem de estabilidade estatística.

Na outra ponta, a administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais reuniram 391 mil ocupados, 36 mil a mais que no trimestre anterior.

O transporte, armazenagem e correio também teve avanço expressivo: chegou a 124 mil trabalhadores, crescimento de 12,5% em três meses e de 14,8% em um ano.

A agropecuária, pesca, produção florestal e aquicultura também registraram alta na comparação anual, com 267 mil ocupados — 31 mil a mais que um ano antes.

Mais trabalho, mas muita informalidade

Apesar da melhora nos indicadores de ocupação, o mercado amazonense continua marcado pela informalidade.

51,7% dos trabalhadores ocupados não estavam em empregos formais, segundo o IBGE. São 955 mil pessoas.

Com esse resultado, o Amazonas aparece como o terceiro estado brasileiro com maior taxa de informalidade, atrás do Maranhão (56,9%) e do Pará (55,9%).

O contraste é grande com estados como Santa Catarina, que registrou 25,4%, e São Paulo, com 30,1%.

Menos gente desistindo de procurar emprego

Um dos sinais mais positivos da pesquisa aparece no indicador de subutilização da força de trabalho.

A taxa caiu de 16,9% para 13,8% em apenas um trimestre — redução de 3,1 pontos percentuais. O indicador reúne pessoas desempregadas, aquelas que trabalham menos horas do que gostariam e as que estão disponíveis para trabalhar, mas não estão efetivamente na força de trabalho.

O número de pessoas na força de trabalho potencial caiu de 126 mil para 94 mil.

Entre elas, o grupo que mais encolheu foi o dos desalentados — pessoas que desistiram de procurar emprego por acreditar que não encontrariam uma vaga. Eram 66 mil e passaram a 41 mil, uma redução de 38,2%.

Renda cai no trimestre

A melhora na ocupação não veio acompanhada de aumento da renda média no trimestre.

O rendimento médio real dos trabalhadores amazonenses ficou em R$ 2.771, contra R$ 2.840 nos três meses anteriores. A queda foi de 2,4%.

Ainda assim, o valor está acima dos R$ 2.554 registrados no mesmo período de 2025, uma diferença de 8,5%.

Como houve mais gente trabalhando, a massa de rendimentos do estado cresceu: chegou a R$ 4,781 bilhões, alta de 2,7% em relação ao trimestre anterior e de 8,5% na comparação anual.

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