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Idesam certifica novos produtores de café orgânico em Matupi

São 75 hectares de café robusta, que agora se estendem para os distritos de Matupi, já em fase de certificação e Sucunduri

Ainda neste mês, essas famílias entrarão para o grupo de famílias certificadas do projeto

O Idesam realiza sua maior meta de restauração este ano. Com o maior plantio de café em sistemas agroflorestais (SAF) já operacionalizado pelo Idesam, também está passando por uma expansão de território, agora não só em Apuí como também no distrito de Santo Antônio do Matupi. No distrito de Matupi, localizado ao redor da BR 320, na transamazônica e pertencente ao município de Manicoré, os novos produtores já estão em processo de recebimento da certificação da modalidade participativa, chamada Sistemas Participativos de Garantia (SPG).

Segundo Marina Yasbek, consultora de Serviços Ambientais no Idesam, essa certificação confere o selo de produto orgânico, que é importante, pois, agrega valor e traz a possibilidade de aumento de geração de renda aos agricultores. “Nossos primeiros produtores de café em Matupi datam de 2018. E é esse grupo de seis famílias produtoras que estão concluindo agora o processo de formação e conversão orgânica de sua produção.”

Ainda neste mês, essas famílias entrarão para o grupo de famílias certificadas do projeto. Elas serão capacitadas e assessoradas pelo Idesam e Amazônia Agroflorestal, para garantir a conformidade e acesso ao selo orgânico e a expectativa é de ampliação no número de plantios no distrito.

De acordo com o artigo 2, da Lei n° 10.831 - que estabelece o que é um sistema de produção orgânica - um produto da agricultura orgânica ou classificado como produto orgânico, é obtido por meio de um sistema de produção agropecuária orgânica ou de um processo extrativista sustentável, que não cause danos ao ecossistema local, seja ele na forma in natura ou após processamento. O uso de agrotóxicos, pode contaminar o solo, a água e os alimentos, causando danos à biodiversidade e gerando riscos à saúde.

A legislação brasileira prevê três diferentes maneiras de garantir a qualidade orgânica dos seus produtos: a Certificação, os Sistemas Participativos de Garantia e o Controle Social para a Venda Direta sem Certificação. Os chamados Sistemas Participativos de Garantia (SPG), junto com a Certificação, compõem o Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SisOrg), administrado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A Iniciativa de Serviços Ambientais do Idesam e a Amazônia Agroflorestal são parceiras do Sistema Participativo de Garantia (SPG) da Rede Maniva de Agroecologia do Amazonas. A Rede é um importante movimento social de promoção da agroecologia no Amazonas, a única SPG da região norte e certifica grupos em 5 municípios do estado. Além disso, realiza mutirões, oficinas e vivências para promover o intercâmbio de práticas agroecológicas e é uma importante rede parceira do Idesam.

Para Seu Manoel Siqueira, de 62 anos, a certificação chega como forma de gratificação de um trabalho de 10 anos. “A primeira vez que eu insisti no café, nem recebi nada, até o café mesmo, não tinha pra quem vender, e aí eu desisti do café. Mas com esse novo formato, com o Idesam, foi diferente. Porque eu sei que, o que eu planto, eu tenho pra quem eu vender”, relata.

Em uma região cercada pelo avanço da agropecuária, Seu Manoel conta que nasceu para plantar, e com o apoio técnico que vem recebendo do Idesam e da Amazônia Agroflorestal, está podendo dar novas perspectivas para a família.

“Eu gosto de plantar. Esse negócio de criar bovino não é comigo não. Nasci na roça e me criei na roça, então o meu pai me ensinou foi plantar o café, a roça, a mandioca, o cupuaçu, a banana. Então ter isso (organização) pra me incentivar ainda foi melhor. Porque eu já tô na idade, né? E aí tendo essa ‘firma’ (Amazônia Agroflorestal) que eu possa produzir e vender, sem me preocupar pra quem eu vou vender, fica melhor ainda”, destacou.

Meta de Restauração

Segundo dados da iniciativa, o programa impacta positivamente 83 famílias locais, oferecendo não apenas fontes de renda sustentáveis, mas também fomentando a conservação da floresta. Os participantes deste projeto inovador têm a chance de ganhar até R$ 8 mil por hectare, cultivando o Café Apuí Agroflorestal, que possui certificação orgânica. O investimento por hectare, que ultrapassa os R$ 30 mil, é disponibilizado aos produtores sem custo algum.

O trabalho do Idesam, voltado para a recuperação do solo e do bioma por meio de sistemas agroflorestais, não só proporciona benefícios econômicos, mas também contribui para a diversidade alimentar e oferece uma alternativa de renda por meio da cadeia produtivas sustentáveis. Atualmente, o Idesam é responsável pelo apoio à conservação de 7,13 milhões de hectares de floresta na Amazônia, tendo concluído o restauro de 152 hectares, conforme o seu Painel de Indicadores.

Recentemente, o Idesam tornou-se um ator oficial no Brasil para a Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas (2021-2030), alinhando-se com a meta global de acelerar a restauração por meio de iniciativas conectadas. Com um plantio de 75 hectares voltados para a produção de café robusta, que se estende de Apuí, para os distritos de Matupi e Sucunduri, o Idesam atingiu um avanço significativo na restauração ecológica.

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