Jovens de famílias de baixa renda no Amazonas têm apenas 1,15% de chance de chegar ao grupo dos 10% mais ricos do país na vida adulta. Em contrapartida, 82,19% permanecem entre os 50% mais pobres. Os dados são do Atlas da Mobilidade Social, plataforma desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) em parceria com o Prospera Lab.
Em Manaus, o cenário é semelhante: a probabilidade de ascender ao grupo dos 10% mais ricos é de 1,18%, enquanto 84,61% dos jovens oriundos de famílias de baixa renda continuam entre a metade mais pobre da população.
O levantamento mostra que o Amazonas está entre os estados com menor mobilidade social do país. Enquanto Santa Catarina lidera o ranking, seguida por Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul, os menores índices estão concentrados na Região Norte. Além do Amazonas, Acre (8,32%), Amapá (8,35%) e Pará (9,40%) aparecem entre os piores resultados.
Segundo o estudo, as regiões Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste concentram as maiores oportunidades de ascensão social, enquanto Norte e Nordeste registram maior persistência da pobreza entre gerações.
O Atlas aponta ainda que raça, gênero e origem familiar continuam sendo fatores determinantes para a mobilidade social no Brasil. Entre jovens brancos nascidos em famílias que pertenciam aos 25% mais pobres, 36,3% permanecem nesse grupo na vida adulta. Entre os não brancos, o percentual sobe para 51,6%.
A desigualdade também é maior entre as mulheres. Entre filhos de famílias dos 25% mais pobres, 32,9% dos homens permanecem nessa faixa de renda quando adultos, contra 65,1% das mulheres. Entre mulheres não brancas, esse índice chega a 69%.
O estudo mostra ainda que quase metade (48%) dos filhos de pais que estavam entre os 25% mais pobres continua no mesmo grupo de renda na vida adulta. Apenas 8,32% conseguem alcançar os 25% mais ricos e somente 1,28% chegam ao grupo dos 10% com maior renda do país.
Entre os fatores mais associados à ascensão social, a educação aparece como o principal. Municípios com melhores indicadores educacionais, como maior Ideb e menor distorção idade-série, tendem a oferecer mais oportunidades de mobilidade econômica.
Segundo o Imds, o Atlas foi elaborado com base em dados da Receita Federal, dos ministérios do Trabalho e do Desenvolvimento Social e do IBGE, utilizando metodologia de medição da mobilidade intergeracional de renda.