A Justiça Federal em Tabatinga decidiu manter a prisão preventiva de Ruben Dario da Silva Villar, conhecido como "Colômbia", acusado de participar dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. A decisão foi proferida na quinta-feira (9/7) pela Vara Federal Cível e Criminal da Subseção Judiciária de Tabatinga.
A defesa havia solicitado a revogação da prisão preventiva durante a fase de alegações finais do processo, propondo que a medida fosse substituída por outras restrições previstas em lei. No entanto, o pedido foi rejeitado após manifestação do Ministério Público Federal (MPF), que defendeu a permanência da prisão.
Na decisão, a magistrada destacou que permanecem os elementos que justificam a medida cautelar. Entre eles, estão os indícios da participação de Ruben Villar no crime, já reconhecidos na decisão de pronúncia que encaminhou o caso para julgamento pelo Tribunal do Júri.
Outro ponto considerado pela Justiça é o fato de o acusado responder a outro processo no qual é apontado como suposto líder de uma organização criminosa investigada por envolvimento em ameaças, atos violentos e homicídios. Segundo a decisão, essa circunstância representa risco à ordem pública e reforça a necessidade da manutenção da prisão.
A juíza também levou em consideração a possibilidade de fuga. Conforme consta nos autos, Ruben Villar é colombiano e informou residir na região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Para a magistrada, a facilidade de circulação na região, onde o controle migratório é limitado, pode dificultar a aplicação da lei penal caso o acusado seja colocado em liberdade.
Além de negar o pedido da defesa, a Justiça abriu prazo para que o Ministério Público Federal, a assistência de acusação e os advogados do réu se manifestem sobre um eventual desaforamento do julgamento. Caso a medida seja acolhida, o Tribunal do Júri poderá ser realizado em outra comarca, se houver entendimento de que existem razões que justifiquem a transferência do processo.