O vazamento de estireno registrado no Distrito Industrial de Manaus causou uma corrida às unidades de saúde e levou 107 pessoas a buscar atendimento médico com sintomas relacionados à exposição ao produto químico. O balanço foi divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM). Segundo a SES-AM, 104 pacientes já receberam alta médica e três permanecem internados.
Nesta quinta-feira (16/7), escolas municipais, fábricas do Distrito Industrial e a unidade do Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) do Studio 5 suspenderem atividades após relatos de odor do produto químico percebido na região.
🏭PIM
— Mário Adolfo Filho (@marioadolfo) July 16, 2026
Empresas do Distrito Industrial de Manaus liberaram funcionários na manhã desta 5ª-feira após a persistência do forte odor do produto químico e novos relatos de trabalhadores passando mal.
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Até agora, não há registro de mortes diretamente relacionadas ao incidente nem de feridos graves. Um óbito de um idoso de 67 anos com graves comorbidades está sendo investigado, mas, segundo as autoridades, ainda não é possível confirmar relação entre a inalação do produto químico e a morte.
Segundo o diretor do Grupo Samel, Hiram Nicolau, o Hospital Samel registrou um aumento repentino na procura por atendimento logo após o incidente. As equipes foram mobilizadas para receber os pacientes, independentemente de serem beneficiários do plano de saúde. A rede possui entre os clientes funcionários de fábricas do Distrito Industrial.
“Recebemos um grande volume de pacientes relacionado à ocorrência. Prestamos assistência a todos que precisaram do nosso atendimento, independentemente de serem beneficiários do nosso plano ou não, reforçando que, numa situação extrema de emergência, o nosso compromisso é, acima de tudo, com a vida”, afirmou.
Hiram afirmou que todos os pacientes passaram por avaliação médica, realizaram os exames necessários e permaneceram em observação conforme indicação da equipe assistencial. Ele disse que nenhum paciente precisou ser internado.
A SES-AM informou que todas as unidades de saúde da rede estadual permanecem de prontidão para atender pessoas que apresentem sintomas relacionados à exposição ao produto. A orientação é que quem sentir irritação nos olhos, dor de garganta, falta de ar ou outros sintomas, como desconforto abdominal, procure uma unidade de saúde e informe que os sinais surgiram após a ocorrência.
Investigação
De acordo com o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Orleilso Ximenes Muniz, as evidências iniciais apontam que o incidente pode ter sido provocado por uma reação química espontânea no interior de um tanque de armazenamento de estireno. O acionamento automático de três válvulas de segurança evitou um cenário mais grave, mas provocou a liberação controlada de vapores sob alta pressão.
“Quando as moléculas de estireno sofrem uma ruptura, inicia-se uma reação em cadeia que eleva a temperatura de forma irreversível. Caso não ocorra a liberação das válvulas de segurança, há risco iminente de explosão”, explicou o comandante.
Mesmo com a situação considerada controlada, a ocorrência ainda deve ser acompanhada pelas próximas horas e permanece um perímetro de isolamento de 300 metros ao redor da empresa, conforme previsto no plano de contingência.
"Estimamos que a ocorrência ainda perdure por cerca de 24 horas. O Comitê de Crise continuará ativado até que uma avaliação conjunta permita decidir sobre a retomada das atividades das empresas vizinhas", declarou o comandante, acrescentando que o vento levou o odor característico do produto para diversos bairros, atingindo desde a zona Sul até regiões centrais e a Ponta Negra.
O que diz a empresa
A Videolar-Innova informou, em nota, que houve elevação anormal da temperatura em um dos tanques de armazenamento de monômero de estireno e que os vapores foram liberados de forma controlada pelos dispositivos de segurança.
“A situação foi prontamente contida de acordo com os procedimentos de emergência estabelecidos pela companhia, e todo o resíduo proveniente recebeu destinação adequada para posterior tratamento conforme as normas ambientais vigentes”, declarou a empresa.
A companhia acrescentou que “não houve risco à saúde da população nem ao meio ambiente”.
Orientações à população
A Defesa Civil orienta que a população evite permanecer nas proximidades da área industrial, mantenha portas e janelas fechadas caso sinta o odor do produto e desligue aparelhos que puxem ar externo para dentro das residências.
A orientação também é procurar atendimento médico em caso de sintomas como irritação ocular, dificuldade para respirar, dor de garganta, tontura, náusea ou mal-estar.
Emergências e notificações de sintomas de intoxicação devem ser informadas pelos números 192, do Samu; 193, dos Bombeiros; ou 199, da Defesa Civil.
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