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Manaus responde ao clamor de 'Justiça por Orelha', que ecoou em todo o país

Manifestações reuniram cerca de 800 pessoas na Ponta Negra para cobrar punição aos responsáveis pela morte do cachorro comunitário Orelha.

Durante os dois atos, foram exibidas faixas de protesto e distribuídos panfletos especificando a Lei nº 9.605/1998 - Fotos: marioadolfo.com

A estrada da Ponta Negra (Avenida Jorge Teixeira) se transformou, na manhã de domingo (1º), numa imensa praça de manifestações de protesto para exigir justiça pelo cão de rua Orelha, morto brutalmente em Santa Catarina, provocando revolta em todo o país. As duas concentrações ao longo da pista reuniram perto de 800 pessoas, entre líderes de associações defensoras de animais, políticos e moradores de condomínios próximos à praia, que levaram seus pets com coleiras exigindo “justiça por Orelha”.

O primeiro ato de protesto foi montado no início da avenida, que aos domingos é interditada como faixa liberada para o lazer. O segundo ato aconteceu no trecho próximo ao Anfiteatro da Ponta Negra.

— Está sendo uma verdadeira “cachorriata”! — brincou uma moça que segurava um cachorrinho poodle, com uma coleira pedindo justiça.

Orelha era um cachorro comunitário da Praia Brava, em Florianópolis, que morreu no dia 15 de janeiro após ser agredido a pauladas por um grupo de quatro adolescentes filhos da classe média alta. Depois do crime com resquícios de crueldade, os adolescentes foram retirados do país pela família, para o exterior. Dois deles viajaram para os Estados Unidos, mas retornaram ao Brasil na quinta-feira (29).

Lei

Quem chegava à faixa interditada da Ponta Negra, por volta das 8h, para caminhar, correr, pedalar ou tomar café na feirinha montada todos os domingos, foi atraído pelos discursos transmitidos por carros de som, que repetiam incessantemente o grito de “Justiça por Orelha!”.

Durante os dois atos, foram exibidas faixas de protesto e distribuídos panfletos especificando a Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), que estabelece punição para quem pratica abuso, maus-tratos, ferimentos ou mutilação contra animais. Além disso, os manifestantes vestiam camisas pretas e erguiam cartazes com a frase “Justiça para Orelha”.

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— O sacrifício de Orelha já está surtindo efeito, porque antes os autores desse ato cruel ficariam impunes. Mas agora isso não vai acontecer — disse a Secretária de Estado de Proteção Animal, Joana Darc (União Brasil), que participou do evento.

Para a ex-deputada, que adotou como causa a defesa dos animais em seus mandatos políticos, Orelha é apenas um dos milhares de animais maltratados país afora. Segundo Darc, o grito de indignação não é apenas por um animal sacrificado, não é apenas por um cachorro.

— É sobre o tipo de sociedade que não aceita mais a crueldade como algo normal. Esses menores e seus responsáveis precisam enfrentar a lei e entender que ela vale para todos, independentemente da classe social — cobrou Joana Darc.

O vereador Rodrigo Guedes tmabém participou de um ato na Ponta Negra
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