O presidente do Inmetro, Márcio André Brito, entrou em campo para discutir a revisão da Portaria 367/2017, norma que instituiu a Inspeção Acreditada de Empreendimentos de Infraestrutura no país. A movimentação ganhou força em reunião com o Sinaenco, entidade que representa empresas de arquitetura e engenharia consultiva, e recoloca no centro do debate um instrumento regulatório que hoje alcança projetos, obras e serviços de infraestrutura. 
Pelo que foi apresentado, a discussão não é apenas burocrática. O setor quer atualizar o regulamento, ampliar o escopo para “Operação e Desempenho” e enfrentar pontos de conflito com normas da ANTT, especialmente em contratos ligados a concessões rodoviárias. O tema interessa diretamente ao mercado porque mexe com critérios de conformidade, fiscalização técnica e segurança jurídica na execução de empreendimentos. 
A Portaria 367 criou, ainda em 2017, o mecanismo de inspeção acreditada para avaliar a conformidade de projetos, obras e serviços de infraestrutura com requisitos específicos e parâmetros técnicos. Agora, ao abrir a mesa para revisar esse marco, Márcio André sinaliza que o Inmetro quer atualizar uma ferramenta que passou a enfrentar novos desafios regulatórios e operacionais com o avanço das concessões e a maior exigência por controle de desempenho. 
O movimento conversa com outra agenda recente do Inmetro sob a gestão de Márcio André: o reforço da fiscalização e a modernização dos serviços prestados pela rede de metrologia legal e qualidade. Em plenária realizada em São Luís, o instituto reuniu representantes de todo o país para tratar de alinhamentos estratégicos, vigilância de mercado e aperfeiçoamento das atividades regulatórias.
Na prática, a revisão da norma pode ter efeito bem além do ambiente técnico. Quando o Inmetro mexe nas regras de inspeção acreditada, mexe também na forma como o Estado, concessionárias e empresas contratadas se relacionam com exigências de controle, certificação e entrega. E esse é o tipo de mudança que repercute do papel ao canteiro de obras.
O recado político e institucional da iniciativa é claro: Márcio André tenta posicionar o Inmetro não apenas como órgão certificador, mas como peça ativa na reorganização de padrões de qualidade e fiscalização da infraestrutura brasileira. Num setor em que atraso, disputa contratual e insegurança normativa custam caro, a revisão da Portaria 367 pode virar mais do que um ajuste técnico — pode se transformar em pauta econômica.