Falsas ligações, pedidos de senhas bancárias, propostas de dinheiro facilitado. Esses são alguns meios utilizados pelos golpistas para aplicar golpes financeiros. Neste Mês do Consumidor, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), por meio do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon), alerta a população sobre os golpes mais aplicados e como evitá-los.
A desconfiança é o alerta inicial para o consumidor se atentar a possíveis golpes. Dependendo do tipo de esquema, o estelionatário pode oferecer acesso facilitado a dinheiro ou bens, mas também pode agir através do medo do consumidor, mentindo sobre possíveis movimentações financeiras ou roubos em contas bancárias.
Segundo o último levantamento do Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian, o Brasil registrou 10,8 milhões de tentativas de fraudes no acumulado de janeiro a setembro de 2025. Dessas, quase 174 mil tentativas foram feitas no Amazonas. No perfil geral das vítimas, a faixa etária de 26 a 50 anos representa mais de 50% de todas as tentativas de golpes realizadas no período em todo o Brasil.
De acordo com coordenador do Nudecon, defensor Christiano Pinheiro, é importante ter um olhar individual para cada caso que chega ao núcleo, como a procedência do golpe, comprovantes, entre outras provas para que a ação tenha êxito.
“O Nudecon vem recebendo alegações de diversos tipos de golpes. Nem todos os casos terão uma procedência favorável ao consumidor, por isso nossa equipe jurídica está aqui presente para fazer a análise de cada caso. Qualquer consumidor que se sentir lesado na esfera consumerista pode nos procurar”, ressaltou.
Como os estelionatários agem em cada golpe
Golpe da falsa central telefônica: o consumidor recebe uma ligação com um número clonado da central telefônica do seu respectivo banco, informando que uma movimentação suspeita aconteceu na conta e por isso é preciso fornecer senhas e dados pessoais para que a situação seja resolvida. Ao fazer isso, o golpista tem acesso total a conta do consumidor e realiza empréstimos, retiradas de dinheiro, entre outras movimentações financeiras.
Golpe do falso defensor público: o estelionatário se passa por um defensor público, geralmente utilizando foto pessoal ou logo da instituição, e solicita pagamentos indevidos de taxas. É importante ressaltar que a Defensoria Pública oferece assistência jurídica integral e 100% gratuita.
Golpe do falso advogado: um terceiro se passa por um advogado e utiliza informações de processos que já existem em nome do consumidor. Ao fazer isso, o golpista informa que o processo teve atualização e que é preciso pagar uma taxa para receber o valor de uma suposta indenização antecipada.
Golpe do consórcio contemplado: o golpista oferece para o consumidor uma oferta de crédito com valores reduzidos e garantia imediata ou em pouco de tempo de algum bem, seja ele um imóvel, carro, entre outros. O dinheiro é repassado para o estelionatário, mas o que foi comprado não é repassado ao cliente.
“Os estelionatários se passam por defensores públicos e solicitam pagamentos. Todos os serviços da Defensoria Pública são gratuitos, portanto, sempre desconfie de pedidos de pagamento de taxas para liberar algum tipo de valor. O recomendado é procurar presencialmente a Defensoria, assim você terá a certeza se tem, de fato, um valor a receber do seu processo judicial”, falou o coordenador do Nudecon.
Caí em um golpe. E agora?
O primeiro passo a ser seguido pelo consumidor é procurar uma delegacia, de preferência a Delegacia do Consumidor, para registrar o Boletim de Ocorrência (B.O). Com a situação formalizada, a pessoa pode procurar a unidade presencial do Nudecon imediatamente ou agendar o atendimento via 129.
"Em todos os casos, uma condição necessária para a procedência das ações judiciais e recuperação de eventual dinheiro perdido é a reunião de provas: faça prints das conversas, traga extratos bancários, entre outros comprovantes", acrescentou o coordenador do núcleo, Christiano Pinheiro.
Onde buscar atendimento
O Nudecon funciona no Shopping Grande Circular, localizado na Av. Autaz Mirim, zona leste de Manaus, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h. Os interessados podem realizar agendamento pelo whatsapp da Defensoria (92) 98559-1599 ou diretamente pelo site.