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Modelo amazonense denuncia jogadores por estupro

O caso foi revelado pelo jornal Folha de São Paulo e o crime teria acontecido em um hotel no Santo Cristo, zona portuária do Rio de Janeiro

A modelo amazonense Alcimara Ventura, de 27 anos, natural do município de São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros de Manaus), denunciou três jogadores do Botafogo de Ribeirão Preto por estupro. O caso foi revelado pelo jornal Folha de São Paulo e o crime teria acontecido em um hotel no Santo Cristo, zona portuária do Rio de Janeiro.

Em entrevista, a modelo disse que está morando na cidade carioca há sete meses. Ela disse que está recebendo mensagens anônimas de intimidação nas redes sociais e, por isso, resolveu revelar sua identidade e contar sua versão a respeito do ocorrido.

“Passei a receber no meu Instagram mensagens de pessoas perguntando o porquê de estar prestando queixa. Não quero acabar com a carreira de ninguém, só quero justiça. Tenho medo e estou sendo julgada […] um dos jogadores já tentou fazer contato comigo e até ligou para o meu irmão”, disse a modelo.

Denunciados por Alcimara, os jogadores João Diogo Jennings, Eduardo Barbosa Hatamoto e o argentino Lucas Delgado não se manifestaram à Folha de São Paulo a respeito do caso.

Alcimara chama de irmão Iuri Maia, 30, também modelo, seu amigo de infância. Maia estava com ela em uma boate da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, onde conheceu os jogadores.

“No domingo fomos até a boate para nos divertir. Lá, um conhecido deu pulseiras para o camarote e um argentino se aproximou da Alcimara. Ele estava com dois amigos. Não sabíamos que eram jogadores. Troquei contato com um deles, o Diogo”, contou Maia.

Segundo Alcimara, por volta das 3h30, ela saiu da boate com o amigo Iuri Maia e com Delgado – os três entraram em um carro de aplicativo e foram até o local onde o time de Ribeirão Preto estava hospedado. No hotel, somente Delgado e Alcimara teriam entrado; Maia se despediu.

O que aconteceu?

Alcimara diz que Delgado e ela passaram a se tocar com consentimento, mas isso mudou quando foram tomar banho. “Quando chegamos ao quarto, o Lucas me chamou para o chuveiro. Eu disse para ele pegar camisinha, ele disse que não queria. Ele não quis pegar a camisinha e gozou dentro, o que ocorreu rápido.”

De acordo com Alcimara, nesse momento, bateram na porta do quarto. “Ele saiu do chuveiro, eu ainda disse ‘não abre a porta’, mas ele abriu.”

A modelo conta que dois homens entraram no quarto e que ela os reconheceu como os mesmos que estavam na boate com Delgado: Jennings e Hatamoto.

Ela conta que os jogadores que entraram no quarto tocaram em seu corpo. “Estava de toalha ainda, o Lucas passou a arrumar a mala dele e eu passei a me vestir. O Diogo e o Eduardo passaram a me alisar e eu disse para eles pararem. Olhava para o Lucas e ele me ignorava. Rindo, o Diogo se deitou na cama de cueca e disse: ‘É uma puta marrenta’”, relatou Alcimara.

Segundo a versão da modelo, ela tentou fugir e foi contida no corredor, antes de finalmente chegar até a recepção. “Comecei a chorar e a perguntar o motivo de eles estarem fazendo aquilo comigo. Saí correndo do quarto em direção ao elevador. Nisso, o Eduardo (Hatamoto) veio atrás de mim e me levou para outro quarto. Lá, ele disse para eu ficar calma. Respondi que só queria ir embora, que eu era mãe, que queria voltar a ver as minhas meninas, que meu seio estava doendo, ardendo muito. Corri e consegui pegar o elevador”, disse.

Ainda no seu relato, Alcimara disse que os jogadores baixaram a cabeça ao vê-la na recepção e entraram no ônibus. Depois disso, a Polícia Militar teria dito para ela se direcionar a uma delegacia, onde o registro foi realizado. Lá, dois policiais a levaram para fazer exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal) e ela tomou coquetel antiaids.

Em sua conta no Instagram nesta quinta-feira (29), a modelo agradeceu o apoio de amigos, pediu para não ser julgada e disse que “os sentimentos são de medo, culpa e tristeza”.

Ligação de jogador

A Folha de São Paulo teve acesso a uma ligação que teria sido feita por Diogo Jennings a Iuri Maia. O contato telefônico teria ocorrido na quarta, após a divulgação do caso. A conversa, em viva voz, foi gravada em vídeo. No visor do celular de Maia, é possível ver o número de telefone que consta no boletim de ocorrência do jogador.

“Mano, é o João Diogo. Mano, o que sua irmã está fazendo? O que sua irmã fez? Eu não tenho nada a ver com essa situação, eu não estuprei a sua irmã, eu não fiz nada com a sua irmã. Não consigo falar com ela, estou falando contigo”, diz a pessoa.

“Mano, ninguém abriu a porta. Eu era daquele quarto. Então, quando cheguei, fui para o quarto. Eu não tenho nada a ver com isso, vocês estão desgraçando a minha carreira”, diz o homem na ligação gravada.

O delegado Vinícius Domingos, titular do 4º DP (Central), disse que a investigação está no início e que se trata de violência sexual. “Preciso do depoimento deles ainda. É uma linha tênue entre importunação sexual e estupro. Ela alega que eles tentaram fazer à força, que seguraram, que houve mordida no peito. Com relação ao argentino, ela diz que ele estava sem camisinha e que [ela] não queria continuar. E ele continuou, sem a vontade dela. Tecnicamente, isso não deixa de ser um ato sexual sem consentimento”, disse.

Em nota, o Botafogo-SP disse que tomou ciência da denúncia e rescindiu o contrato de Lucas Delgado. “Eduardo Hatamoto e João Diogo também foram punidos por infração disciplinar. O Botafogo também informa que aguardará a conclusão das investigações para decidir quais outras atitudes serão tomadas sobre os dois atletas.”

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