A namorada do deputado federal Amom Mandel (Cidadania), Sarah Marinho rompeu o silêncio e deu a entender em uma publicação no X, antigo Twitter, que o carro que ela conduzia transportando o deputado e uma amiga dela na Zona Leste de Manaus, foi abordado pela Ronda Ostensiva Candido Mariano (Rocam) pelo fato de haver uma “pessoa preta” no volante. A reportagem é do jornalista Jefferson Ramos, da Revista Cenarium Amazônia.
“Havia uma pessoa preta dirigindo na zona leste e essa pessoa era eu. O condutor do carro era eu: Sarah Mariah. Tenho CNH há 5 anos e nenhuma penalidade”, disse a jovem ao rebater uma publicação na plataforma.
A abordagem foi feita pela Rocam na noite de quinta-feira, 4, no bairro Jorge Teixeira. Conforme relatos do deputado e de sua namorada, os policiais abordaram o veículo de maneira truculenta e com armas apontadas para os ocupantes.
Sarah Mariah rebateu as alegações dos policiais de que teria ignorado os sinais de parada emitidos pela Rocam. A jovem explica que sinalizou com a seta antes de parar no acostamento e que baixou os vidros antes mesmo do pedido da guarnição policial.
eu NUNCA usei da popularidade do Amom para me promover, para entrar em evidência, para NADA
— sarah (@sousarahmariah) January 6, 2024
eu sei como a história acaba pra mim, eu sou pobre, eu sou negra, eu sou da periferia. vão me acusar de tudo, tudo, tudo…
passei o dia com crise de ansiedade e só me manifestei agora +
“A PM alega atitude suspeita, mas não diz qual. Baixei todos os vidros do carro quando os PMs seguiram com as armas em punho”, adicionou.
Mariah segue e garante que o deputado federal não deu carteirada. Ela confirmou que com base no código penal, Amom deu voz de prisão aos policiais por entender que houve abuso de poder durante a abordagem.
“O deputado Amom não deu carteirada. O tratamento teria sido completamente diferente se ele tivesse dado, né? Os PMs gritaram comigo, apontaram a arma para mim e não me disseram porque eu estava sendo tratada daquele jeito, alguém tem um palpite?”, detalhou.
“O policial também apontou a arma para ele e o deputado deu sim voz de prisão ao PM, após toda a truculência comigo e com a passageira no carro”, continuou Sarah.
À Polícia Federal (PF), Amom Mandel reforçou as alegações feitas pela namorada
Depoimento
Em depoimento à Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), os policiais militares envolvidos na abordagem alegaram que abordaram o veículo no âmbito da “Operação Impacto” que conta com o apoio de órgãos como o Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) e Companhias Interativas Comunitárias (Cicoms).
Os policiais argumentam que avistaram um veícuo Byd Dolphin, cor cinza, de placa QZU-8H32 trafegando com as luzes apagada pela avenida Autaz Mirim, no bairro Tancredo Neves, na zona leste. Segundo o depoimento o veículo trocou de direção de forma perigosa, sem sinalizar a intenção.
O que teria levantado o alerta da polícia foi o fato de o veículo possuir insufilm, o que, segundo o depoimento impossibilitou saber quem dirigia. A partir daí, narra declaração colhida pela PC-AM, a equipe policial emitiu sinais sonoros seguidos de gestos e verbalização, mas sem retorno positivo.
A versão dos policiais endorsa o fato de que após o contato ser ignorado, o carro aumentou a velocidade. Ao alcançar o veículo, os policiais descaram da viatura com arma em punho ordenando que a condutora baixasse os vidros.
O depoimento sublinha que Amom Mandel desembarcou exaltado questionando o objetivo da abordagem. Ele teria perguntado pelo nome do comandante da operação e afirmado que iria denunciar a abordagem.
