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Outdoor que parabeniza Plínio Valério traz indígena com cocar norte-americano

Outdoor que parabeniza Plínio Valério remete a etnias norte-americanas, como Sioux, Cheyenne e Crow

Este tipo de cocar não faz parte da cultura das etnias indígenas brasileiras - Foto: marioadolfo.com.

Um outdoor espalhado por Manaus para parabenizar o senador Plínio Valério acabou chamando atenção não pela homenagem em si, mas por um erro básico de representação cultural.

Assinada genericamente por “amigos”, a peça publicitária exibe a figura de um indígena em posição de força, com os punhos erguidos, vestindo um cocar típico de povos indígenas da América do Norte. O modelo é conhecido como war bonnet, tradicional entre etnias das Grandes Planícies dos Estados Unidos, como Sioux, Cheyenne e Crow.

O problema é que esse tipo de cocar não faz parte da cultura das etnias indígenas brasileiras, especialmente as amazônicas. No Brasil, os adornos indígenas variam enormemente de povo para povo, mas nunca seguem o padrão alto, com penas longas alinhadas para trás, consagrado pelo imaginário hollywoodiano.

Esteriótipos

A representação genérica e equivocada dos povos indígenas é alvo de críticas recorrentes de lideranças e organizações indígenas no Brasil. Reportagem do portal Terras Indígenas destaca que estereótipos históricos e interesses políticos seguem moldando uma imagem distorcida dos povos originários, ignorando sua diversidade cultural e social.

Na matéria, a ativista indígena Txai Suruí afirma que essas representações reduzem centenas de etnias a um único personagem folclórico, reforçando preconceitos e apagando identidades reais.

A homenagem, que pretendia associar a imagem do senador a símbolos de força e identidade regional, acabou produzindo o efeito oposto: expôs descuido, desconhecimento cultural e uso superficial da figura indígena para fins de comunicação política.

Os principais motivos para essa distinção:

  • Norte-Americano: O estilo "war bonnet" (comum entre os Sioux e Cheyenne) é caracterizado por penas que envolvem a cabeça e caem para trás ou para os lados em uma estrutura volumosa e circular, como visto na imagem.
  • Brasileiro: Os cocares das etnias do Amazonas e do Brasil em geral (como os Kayapó, Tikuna ou Yanomami) costumam ter estruturas mais verticais, em formato de leque frontal ou "raios de sol". Eles utilizam penas menores, muito coloridas (araras, papagaios) e técnicas de amarração em fibras que criam formas geométricas bem diferentes dessa "cabeleira" de penas longas.
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