A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) investiga a possível ligação entre o ataque a tiros contra a casa de um cabo da Polícia Militar e a execução de um homem, ainda não identificado, ocorridos na madrugada desta terça-feira (14/7), na zona Leste de Manaus. Cerca de 45 minutos após o atentado, o nome do policial apareceu em um bilhete deixado ao lado do corpo da vítima, encontrada no Ramal da Suzuki, no Distrito Industrial II.
O primeiro crime ocorreu na Rua das Mangueiras, no bairro Jorge Teixeira. A residência do cabo Dantos Magalhães da Costa, lotado no Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran), foi alvo de um intenso ataque a tiros. Apesar da violência da ação, ninguém ficou ferido.
Segundo informações preliminares, criminosos fortemente armados chegaram ao local em um Ford Ka Sedan preto, sem placas de identificação, e efetuaram dezenas de disparos contra o imóvel. No momento do ataque, familiares do policial estavam na residência e precisaram se jogar no chão para escapar dos tiros, que atingiram principalmente o muro da casa.
Equipes da 14ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) isolaram a área para a realização da perícia. No local, foram encontrados cerca de 30 estojos deflagrados de calibres 5.56, de fuzil, e .40, de pistola. Conforme relatos de moradores e familiares, antes da chegada das viaturas parte das cápsulas foi recolhida por curiosos, o que pode comprometer a preservação de vestígios importantes para a investigação.

Bilhete cita PM
Cerca de 45 minutos após o atentado, por volta de 1h20, equipes da 28ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) foram acionadas após moradores denunciarem a presença de um corpo no Ramal da Suzuki, também conhecido como Ramal 15, no Distrito Industrial II, uma área de difícil acesso cercada por vegetação.
No local, os policiais encontraram um homem, ainda sem identificação, morto com diversos disparos de arma de fogo. A vítima aparentava ter entre 30 e 40 anos, vestia camisa azul-escura, bermuda jeans e cinto preto, e não portava documentos.
Ao lado do corpo, os criminosos deixaram um bilhete atribuído à facção criminosa Comando Vermelho (CV), no qual mencionavam o nome do policial militar.
A mensagem dizia:
"Vou morrer porque estava vendendo droga arrochada do CV que o PM Dantas jnto com a Rocam arrocharam!"
Os investigadores acreditam que o nome tenha sido escrito de forma incorreta e que a referência seja ao cabo Dantos Magalhães da Costa. A suspeita é reforçada pelo curto intervalo entre os dois crimes.
Durante a perícia, também foram encontradas diversas cápsulas de munição espalhadas pela área. A Polícia Civil apura se a vítima foi levada até o ramal apenas para ser executada e se chegou a ser torturada antes do homicídio.
Investigações
A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) conduz as investigações dos dois casos. Os policiais analisam imagens de câmeras de segurança da Rua das Mangueiras e das vias de acesso ao Ramal da Suzuki, principalmente da Avenida Puraquequara, para identificar o Ford Ka utilizado no atentado e outros veículos que possam ter passado pela região durante a madrugada.
Até o momento, a identidade da vítima permanece desconhecida e nenhum suspeito foi preso.