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Polícia abre inquérito contra vendedor de ingressos de Parintins acusado de enganar vítimas no Brasil e no exterior

Delegado Thomaz Vasconcelos investiga denúncias de turistas, torcedores dos bois e frequentadores do festival que afirmam ter pago por passaportes nunca entregues; suspeito teria deixado o Amazonas após as cobranças

Uma das vítimas conta que pagou R$ 10,5 mil por dois passaportes para a arquibancada especial do Garantido - Arte: marioadolfo.com/GPT.

A Polícia Civil do Amazonas instaurou inquérito para investigar denúncias contra um homem identificado por Pedro Paulo Nogueira Brito, acusado por diversas vítimas de vender ingressos para o Festival de Parintins e não entregar os passaportes prometidos.

A investigação está sob responsabilidade do delegado Thomaz Vasconcelos, da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD). Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Civil, outras pessoas que tenham sido prejudicadas devem procurar a especializada para formalizar denúncias e colaborar com as investigações.

Os relatos apontam que o suspeito teria comercializado ingressos para as três noites do festival, além de negociar hospedagens e outros serviços relacionados ao evento. As denúncias já alcançam vítimas em diferentes estados brasileiros e até no exterior.

Entre os prejudicados estão integrantes de torcidas organizadas dos bois Garantido e Caprichoso, turistas que planejavam visitar Parintins pela primeira vez e até pessoas que residem na Inglaterra e teriam adquirido ingressos antecipadamente para acompanhar o espetáculo.

Os próprios moradores de Parintins começaram a denunciar o caso nas rede sociais

Vítimas entregam tudo

Uma das vítimas é o torcedor do Garantido Jorge Lobo, frequentador do Festival de Parintins há dez anos. Ele registrou boletim de ocorrência após pagar R$ 10,5 mil por dois passaportes para a arquibancada especial do Garantido e não receber os vouchers prometidos.

Segundo Jorge, a negociação ocorreu após uma indicação de confiança. Ele afirma que Pedro Paulo era conhecido no meio cultural de Parintins, possuía familiares na cidade e já havia realizado negociações semelhantes em anos anteriores.

“Uma série de fatores agregava segurança à compra. Muitas pessoas que agora também são vítimas já haviam comprado com ele em outros anos e receberam tanto ingressos quanto aluguel de casas”, relatou.

O pagamento foi realizado no dia 26 de abril. Conforme o relato, Pedro Paulo prometeu entregar os vouchers após retornar da Alvorada do Garantido. Com o passar das semanas, novas datas para entrega foram sendo apresentadas, mas os ingressos nunca chegaram.

A situação começou a levantar suspeitas quando o suspeito deixou de responder mensagens e retirou a foto do perfil em aplicativos de comunicação.

Outra vítima, Cítia Andrade, conta que o prejuízo dela e de amigos passou de R$ 70 mil. Ela explicou ao marioadolfo.com que já havia comprado ingressos com Pedro no ano passado e que este ano ele entrou em contato em dezembro dizendo que anteciparia o processo de 2026.

"Tenho um grupo chamado Coração Encarnado, com mais de 60 pessoas. Falei pra pessoas que quem não conseguiu comprar ingressos na plataforma poderia falar com ele, que era de confiança. Os dias foram passando e os ingressos nunca chegavam. Ele chegou a dizer que só seria resolvido depois da mudança do governador Wilson Lima, porque estava tudo parado", afirmou Cíntia.

Ela só teve certeza que caiu em um golpe quando, no final do mês de maio, tentou entrar em contato com Pedro mais uma vez e as redes sociais dele Whastapp já estavam desabilitados.

"Ele chegou a vender ingressos em um ensaio do boi, dentro de um camarote.  A gente se encontrava e nunca desconfiei de nada. Já registramos o boletim de ocorrência e vamos ver o que acontece", lamenta Cíntia.

Prints

Prints de conversas obtidos por vítimas e compartilhados com a reportagem mostram mensagens atribuídas a Pedro Paulo nas quais ele afirma estar em São Paulo e planejar seguir para Florianópolis. Nas conversas, ele também admite estar devendo dinheiro para diversas pessoas e diz que precisaria de tempo para levantar recursos e efetuar pagamentos.

Em uma das mensagens, atribuída ao suspeito, ele afirma que não conseguiria voltar naquele momento e pede que familiares não revelem sua localização.

As denúncias ganharam repercussão nos últimos dias após relatos de que credores e pessoas que alegam ter sido prejudicadas passaram a procurar familiares do suspeito em Parintins.

Os prints em que Pedro diz que estava em São Paulo e iria pra Santa Catarina

Investigação

A Polícia Civil não divulgou o número oficial de vítimas identificadas até o momento nem o valor total do prejuízo investigado. No entanto, relatos reunidos pela reportagem apontam para perdas que podem alcançar centenas de milhares de reais.

A DERFD orienta que todas as pessoas que realizaram pagamentos e não receberam ingressos, hospedagens ou outros serviços negociados procurem a delegacia munidas de comprovantes de transferência, conversas, recibos e demais documentos que possam auxiliar a investigação.

A reportagem tentou contato com Pedro Paulo Nogueira Brito, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Os números de celular que ele costumava usar, de finais 1558 e 6971, não estão recebendo chamadas. O espaço permanece aberto para manifestação.

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