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Polícia apura uso de igreja evangélica como 'esconderijo' em esquema de tráfico e lavagem de dinheiro no AM

Delegado afirma que organização utilizava igreja e aparência de “fiel” para reduzir suspeitas, enquanto movimentava valores sob investigação

Allan Kleber Bezerra Lima conseguiu fugir em SP - Foto: Divulgação

O homem identificado como Allan Kleber Bezerra Lima é apontado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) como o principal alvo da operação “Erga Omnes”, que investiga um esquema interestadual de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Uma das linhas centrais da apuração trata do uso de uma igreja evangélica como parte da estratégia de camuflagem do grupo. A matéria é do Radar Amazônico.

De acordo com o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e responsável pelo caso, Allan Kleber é investigado como líder da organização criminosa. Segundo a polícia, ele teria coordenado a compra de entorpecentes na região de Tabatinga (AM) e estruturado a distribuição para outros estados, com o suporte de empresas usadas para disfarçar movimentações financeiras.

A investigação aponta que o grupo buscava reduzir suspeitas por meio de um “disfarce social”. Conforme o delegado, Allan Kleber se apresentava como evangélico, frequentava uma igreja na região do Zumbi dos Palmares e utilizava vestimentas religiosas. Em uma ocorrência anterior, ainda segundo a PC-AM, ele teria escondido drogas dentro de um templo.

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Delegado explica o caso - Imagens: Radar Amazônico
“Ele se disfarçava como uma espécie de evangélico. Ele frequentava uma igreja evangélica (…) e, em uma ocorrência anterior, escondeu drogas dentro dessa igreja”, afirmou Martins. O delegado também disse que há outro alvo investigado que residia dentro de uma igreja, reforçando a suspeita de que espaços religiosos eram utilizados como forma de ocultação e proteção contra desconfianças.

No braço financeiro da investigação, relatórios citados pela polícia — com base em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) — indicam movimentações de cerca de R$ 70 milhões em quatro anos. As investigações apontam ainda o uso de empresas formalmente registradas no setor de logística como supostas “fachadas”, sem atividade compatível com o ramo, mas com transações envolvendo pessoas investigadas no esquema.

Segundo apuração publicada pelo site Radar Amazônico, uma das empresas atribuídas a Allan Kleber seria a Norte Log Transportes, sediada no Pará, onde ele também teria endereço residencial.

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Fuga antes do cumprimento do mandado

A Polícia Civil informou que Allan Kleber fugiu por volta das 3h no estado de São Paulo, pouco antes do cumprimento do mandado de prisão. A esposa dele foi presa durante a operação, e as diligências continuam para localizá-lo.

A operação cumpriu mandados em diversos estados, com prisões, bloqueio de contas e apreensão de bens. A PC-AM afirma que as provas reunidas podem sustentar não apenas tráfico e lavagem de dinheiro, mas também outros crimes conexos. O caso segue sob investigação e novas fases não estão descartadas.

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