O sargento Belmiro Wellington Costa Xavier e o soldado Hudson Marcelo Vilela de Campos se entregarem às autoridades na noite dessa terça-feira (21/4), após terem a prisão preventiva decretada pela Justiça. Os policias são investigados pela morte do jovem Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, durante uma abordagem no bairro Alvorada, zona Centro-Sul de Manaus, no domingo (19/4).
Eles foram levados para o Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), localizado no bairro Monte das Oliveiras, zona norte da capital. Parecer do Ministério Público do Estado (MPAM) apontou indícios de autoria e materialidade, além da necessidade de manter os policiais sob custódia durante as investigações pela morte do jovem.
A detenção dos agentes ocorreu no mesmo dia em que a Justiça do Amazonas atendeu a uma representação do MPAM, que identificou a possível prática dos crimes de homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e falso testemunho.
Segundo o MPAM, as provas reunidas até o momento indicam a participação dos policiais na morte do jovem. O juiz Alcides Carvalho Vieira Filho reconsiderou o entendimento da audiência de custódia anterior, que havia concedido liberdade ao sargento.
O magistrado apontou fortes indícios de abuso de autoridade e violência desproporcional. Os relatos apresentados pelos policiais no boletim de ocorrência divergem das evidências coletadas até o momento.
“A liberdade dos agentes representava um risco à instrução criminal, dada a possibilidade de interferência nas investigações”, destacou o magistrado em sua fundamentação.
Relembre o crime
O jovem foi atingido por um disparo no peito durante uma abordagem policial e morreu ainda no local. Imagens de câmeras de segurança e relatos de testemunhas indicam que a vítima já estaria rendido no momento do disparo. A arma utilizada pelo sargento era uma pistola 9mm de uso particular, sem registro e sem vínculo com a corporação. A arma foi apreendida e periciada. A investigação está sob responsabilidade da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).
A reportagem solicitou nota da PMAM. Em caso de resposta, a matéria será atualizada.