O projeto do Aquário de Manaus, anunciado pela prefeitura, pretende apresentar ao público um universo pouco visível mesmo para quem vive na Amazônia: a vida sob as águas dos rios da região. Diferentemente dos aquários marinhos, que costumam concentrar a atenção do público, a proposta aposta na biodiversidade de água doce amazônica, considerada a maior do planeta.
Planejado dentro do programa municipal “Nosso Centro”, o equipamento turístico e ambiental busca oferecer uma experiência imersiva e educativa. Além da observação dos animais, aquários contemporâneos costumam funcionar também como centros de conservação, pesquisa e educação ambiental, aproximando o visitante da vida aquática por meio de recursos de arquitetura, iluminação e tecnologia.
Para desenvolver o projeto, técnicos do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) visitaram aquários em diferentes cidades do Brasil e do exterior. Segundo o diretor-presidente do órgão, Carlos Valente, o levantamento incluiu análise de tecnologia, operação e modelos de gestão desses equipamentos. Após o lançamento da pedra fundamental, a prefeitura prevê a publicação do edital de licitação para a obra.
“Visitamos cidades como Santos, Balneário Camboriú, Rio de Janeiro e São Paulo para entender não apenas o funcionamento dos aquários, mas também os equipamentos, a tecnologia e os modelos de gestão”, afirmou Valente.
A proposta também leva em conta referências internacionais, como o Oceanário de Lisboa e o Aquário de Gênova, mas busca destacar elementos da paisagem amazônica. A experiência do visitante foi pensada para remeter ao ambiente dos rios da região, com cenários inspirados nas raízes das árvores que margeiam os cursos d’água.
Dinâmica dos rios
O espaço terá dois pavimentos temáticos voltados aos principais sistemas fluviais da Amazônia. Um deles será dedicado ao rio Negro, conhecido pelas águas escuras e pela diversidade de peixes ornamentais. O outro apresentará espécies associadas ao sistema dos rios Solimões e Amazonas, caracterizados pelas águas barrentas.
Entre as espécies previstas nos tanques estão peixes como cardinal, acará-disco, tucunaré, pirarara, jaraqui e pirarucu. Muitas dessas espécies são conhecidas pela população principalmente na alimentação ou em registros fotográficos, mas raramente observadas em ambientes que reproduzam seu habitat aquático.
Além do potencial turístico, o projeto também tem proposta educativa. A ideia é permitir que visitantes — especialmente estudantes — tenham contato direto com espécies típicas da região e com informações sobre os ecossistemas aquáticos amazônicos.
O complexo deve incluir ainda estacionamento subterrâneo, lojas de suvenires, quiosques e um rooftop com operações gastronômicas voltadas à culinária regional, como forma de complementar a sustentabilidade econômica do espaço.
Amazônia
A Amazônia abriga entre 1.800 e mais de 3.000 espécies de peixes de água doce, número que varia conforme as classificações científicas. Entre elas estão desde pequenos peixes ornamentais, como o cardinal, até espécies de grande porte, como o pirarucu (Arapaima gigas), que pode ultrapassar três metros de comprimento e pesar mais de 200 quilos.
O projeto do aquário em Manaus pretende destacar justamente essa diversidade, associada ao complexo sistema de rios, lagos e áreas de várzea que compõem os ecossistemas aquáticos da região.