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Projeto ‘Lambe Café’ seleciona artistas e oferta bolsa de estudos em Manaus

Com auxílio de R$ 3 mil por participante, a segunda edição do projeto também prevê a criação de um livro digital coletivo

Foto: Divulgação

A Café Preto Produções Artísticas abre, de 2 a 12 de outubro, a inscrição para a segunda edição do “Lambe Café”. O projeto é um laboratório prático de artes cênicas que selecionará dez artistas negros, negras e afro-indígenas de Manaus. Cada participante selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 3 mil. A inscrição é gratuita e pode ser feita pela internet, usando o link na bio do Instagram @cafepreto.prod ou direto pelo endereço https://bit.ly/lab-lambecafe.

“Quando a gente propõe um laboratório, cria também um espaço de estudo e de troca de ideias com outros artistas negros e afro-indígenas de Manaus. É uma oportunidade para que esses profissionais se unam, valorizem seus trabalhos e encontrem espaço para que suas pesquisas ganhem vida e cresçam”, afirma Correnteza Braba, idealizadora e produtora do projeto.

Criado de forma independente em 2025, o Lambe Café nasceu para ser um espaço de estudo e união entre artistas da capital. Na primeira edição, o projeto levou as atividades para fora dos teatros tradicionais, promovendo encontros em praças, centros comunitários, quadras de esporte, bares e ruas.

Para Correnteza Braba, o Lambe Café também se destaca por seu foco na criação e no estudo das artes cênicas negras em Manaus. A produtora considera o projeto uma das primeiras iniciativas da cidade a propor um laboratório com esse direcionamento, voltado à pesquisa, à experimentação e à troca de conhecimentos.

Nesta segunda edição, o laboratório mantém o foco em produções artísticas baseadas na cultura negra, na ocupação das ruas da cidade e no fortalecimento do trabalho coletivo.

O projeto aposta em um formato onde os próprios artistas selecionados trocam experiências e compartilham seus conhecimentos e técnicas de forma colaborativa e independente.

Novos caminhos a partir da arte
O conceito desta edição se inspira nas ideias de pensadores conhecidos pela defesa das comunidades tradicionais, como Ailton Krenak, Antônio Bispo dos Santos e Wanderson Flor do Nascimento. Eles discutem, cada um do seu jeito, como os povos indígenas e negros continuam criando formas de viver e preservando seus territórios e saberes históricos mesmo diante das crises de hoje.

O projeto também tem tudo a ver com a história da própria Café Preto. Entre os trabalhos recentes do grupo estão as peças Às margens de seus afluentes de águas negras (2023), Lágrimas Negras (2024), Menino (2024) e Mojubá (2025), que abordam temas como os direitos humanos, histórias de infância, música e as vivências de pessoas negras e da comunidade LGBTQIAPN+ na Amazônia.

Para Paulo Martins, idealizador e coordenador-geral, o laboratório é uma resposta contra o isolamento que os artistas enfrentam na hora de criar.

“O Lambe serve para criar uma rede de apoio, contra a ideia capitalista de que cada um deve produzir, pesquisar e lutar sozinho. Nesta edição, vamos reunir profissionais de várias áreas para pensar juntos o futuro dos artistas negros, periféricos e indígenas na sociedade, mostrando que a nossa arte funciona melhor quando é feita coletivamente”, destaca Martins.

Dos encontros à publicação de um livro
As atividades funcionam por meio de encontros práticos. Ao final do laboratório, cada artista escreverá um texto contando como foi a sua experiência pessoal nas atividades.

Esses relatos podem ser feitos de forma livre, misturando poesia, textos literários ou anotações artísticas, e serão reunidos em um e-book (livro digital) coletivo editado pela Café Preto Produções Artísticas, com registro oficial de publicação.

O livro será lançado em um evento aberto ao público, que terá também pequenas apresentações dos artistas participantes e uma exposição de fotos tiradas durante as oficinas.

Vagas e bolsa de estudo
O laboratório oferece dez vagas para artistas moradores de Manaus, com cotas reservadas para pessoas LGBTQIA+ e pessoas com deficiência (PCD). Além da bolsa de R$ 3 mil (paga em parcelas ao longo do projeto), os selecionados recebem uma ajuda de custo para transporte e alimentação nos dias de encontros.

Entre os deveres, os selecionados se comprometem a participar dos encontros, ajudar a coordenar uma das atividades práticas, escrever o seu texto para o livro e participar do evento de lançamento final.

O regulamento completo com as regras e o calendário de atividades pode ser lido na Convocatória Lambe Café 2026, disponível no link https://bit.ly/convocatoria_lambe.

Quem é a Café Preto Produções Artísticas?
A Café Preto Produções Artísticas é uma produtora cultural criada em Manaus no ano de 2020. O grupo é administrado em sociedade pelo ator, diretor e professor Paulo Martins e pela atriz e produtora Correnteza Braba.

O coletivo surgiu da necessidade de garantir condições dignas de trabalho e criação para artistas das periferias, além de valorizar suas histórias e dar visibilidade às suas narrativas.

Além de espetáculos premiados como Menino e Mojubá, o grupo também realiza o projeto Teatro Perifa: Palmares, que oferece oficinas gratuitas de iniciação ao teatro para estudantes de escolas públicas na periferia de Manaus.

A segunda edição do Lambe Café foi selecionada pelo Edital de Chamamento Público 09/2025 - Multilinguagens, realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) de Fomento à Cultura, por meio da Secretaria de Cultura do Estado do Amazonas (SEC/AM).

SERVIÇO
O quê:
Inscrições para a 2ª edição do Lambe Café
Quando: De 2 a 12 de outubro de 2026
Quanto: Gratuito (com pagamento de 10 bolsas de R$ 3 mil para cada selecionado/a)
Onde se inscrever: Link na bio do Instagram (@cafepreto.prod) ou direto pelo link https://bit.ly/lab-lambecafe

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