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Projeto que proíbe bloqueio de celulares pode restringir acesso ao crédito para consumidores do AM

Associação Brasileira de Liberdade Econômica alerta que restrições ao modelo podem reduzir alternativas de financiamento para públicos com maior dificuldade de acesso ao crédito

Foto: Agência Brasil

A discussão sobre o Projeto de Lei nº 324/2026, que tramita na Assembleia Legislativa do Amazonas e propõe proibir o bloqueio remoto de celulares financiados em casos de inadimplência, reacende o debate importante sobre inclusão financeira, acesso ao crédito e os impactos de eventuais restrições a modelos alternativos de financiamento. O projeto é de autoria do deputado estadual Mário César Filho (União Brasil).

Os impactos de uma restrição ao modelo chamam atenção especialmente em um estado onde o celular desempenha papel central na vida econômica da população. Levantamento realizado pelo Instituto Datafolha, em maio deste ano, mostra que 86% dos consumidores da região Norte consideram o aparelho muito importante para sua rotina, percentual superior à média nacional, de 80%.

O levantamento também revela que 75% dos consumidores utilizam o smartphone como ferramenta de trabalho ou geração de renda, índice acima dos 69% registrados no país. Os dados reforçam a importância do aparelho para atividades profissionais, comunicação, movimentação financeira, acesso a serviços públicos e participação na economia digital.

A Associação Brasileira de Liberdade Econômica (ABLE) tem acompanhado de perto iniciativas legislativas que buscam restringir mecanismos tecnológicos utilizados como garantia em operações de financiamento. Para a entidade, essas ferramentas contribuem para reduzir riscos de inadimplência e ampliar o acesso ao crédito para consumidores que frequentemente encontram barreiras no sistema financeiro tradicional.

Os próprios consumidores reconhecem a importância dessas modalidades. Na Região Norte, 78% acreditam que esse modelo de financiamento ajuda pessoas sem acesso ao crédito convencional a realizar compras financiadas.

“Precisamos olhar para essa discussão sob a ótica da inclusão financeira e da realidade dos consumidores. Os dados mostram que o celular é uma ferramenta fundamental para trabalho, renda, comunicação e acesso a serviços. Quando se restringem mecanismos que viabilizam essas operações, corre-se o risco de reduzir justamente as alternativas disponíveis para quem mais enfrenta dificuldades de acesso ao crédito”, afirma Luciano Timm, presidente da ABLE.

Recentemente, a Associação obteve decisão favorável em ação que discute legislação semelhante no Ceará. Na ocasião, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, manteve o andamento da ação civil pública que questiona a competência dos estados para legislar sobre o tema, mantendo suspensos os efeitos da legislação estadual que restringia o uso de softwares de bloqueio remoto por empresas financiadoras e reconhecendo a legitimidade da discussão judicial sobre o assunto.

Para a ABLE, a eventual proibição desse modelo pode gerar consequências que vão além da relação contratual entre consumidores e financiadores. A entidade avalia que medidas dessa natureza tendem a reduzir a oferta de crédito para públicos que já enfrentam restrições de acesso ao sistema financeiro tradicional, além de desestimular a inovação e limitar a concorrência no mercado.

“É fundamental que qualquer discussão regulatória considere os impactos reais para os consumidores. O desafio está em garantir proteção e transparência sem inviabilizar modelos que hoje ampliam as opções de crédito e promovem inclusão financeira para uma parcela importante da população”, conclui Luciano.

A Associação defende que o debate seja conduzido com base em evidências e na experiência dos próprios consumidores, preservando alternativas capazes de ampliar o acesso ao crédito e fortalecer a participação de mais brasileiros na economia digital.

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