O projeto Escolas do Futuro chega a mais três municípios amazonenses, com a instalação de biodigestores que irão transformar resíduos orgânicos em energia. O município de Rio Preto da Eva será o próximo a receber o projeto, na Escola Municipal Luis Alberto Carvalho Castelo (15/09) e na Escola Estadual de Tempo Integral Alegria do Saber (17/09). Em seguida, o projeto segue para os municípios de Silves e Itapiranga.
Serão mais seis escolas contempladas pelo projeto, que passarão a reaproveitar resíduos que antes eram descartados para gerar energia, biofertilizantes e conhecimento entre estudantes da rede pública do Amazonas.
O Projeto Escolas do Futuro é uma iniciativa da Eneva em parceria com a Amazônia B e Instituto Ecoleta, e foi inaugurado com a instalação do primeiro biodigestor na Escola Estadual Cid Cabral, no dia 10 de agosto, em Manaus. Ao todo, o projeto será implantado em dez escolas públicas: quatro em Manaus, duas em Rio Preto da Eva, duas em Itapiranga e duas em Silves. Nos próximos meses, a Eneva ampliará o projeto, beneficiando mais 5 escolas.
Amplamente utilizada em países como Holanda, Alemanha e Suécia para o tratamento de resíduos orgânicos, a produção de biogás e o fortalecimento da economia circular, a tecnologia de biodigestão chega às escolas públicas do Amazonas como uma solução que une inovação, bioeconomia e educação sustentável.
Desafio começa com o desperdício
O desperdício de alimentos é um desafio global que vai muito além da comida que chega ao lixo.
Em 2022, cerca de 1,05 bilhão de toneladas de alimentos foram desperdiçadas no mundo, enquanto 783 milhões de pessoas enfrentavam a fome. Esse desperdício também representa o uso perdido de água, terra e energia, além de contribuir aproximadamente com 8% a 10% das emissões de gases de efeito estufa, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, UNEP.
É nesse contexto que surge uma pergunta que orienta o projeto: “E se o desperdício que não conseguimos evitar pudesse voltar para o ciclo como energia e nutriente?”
Nas escolas, essa transformação acontece na prática. Os resíduos orgânicos que antes seriam descartados passam a ser utilizados para a produção de biogás e biofertilizante, transformando um problema em recurso e, ao mesmo tempo, em uma oportunidade de aprendizado sobre economia circular e sustentabilidade, inovação.
"Mais do que instalar um biodigestor, queremos deixar um legado para as escolas. O projeto aproxima os estudantes de soluções que já fazem parte da economia de baixo carbono e mostra, na prática, como tecnologia, sustentabilidade e inovação podem transformar a realidade. Quando eles participam desse processo dentro da própria escola, o aprendizado deixa de ser apenas um conceito e passa a fazer parte do dia a dia", afirma Bellmond Viga, diretor da Amazônia B.
Para a Eneva, o projeto representa um novo momento na integração entre tecnologia, sustentabilidade e desenvolvimento das comunidades onde atua.
“O que torna esse projeto tão especial é a capacidade de transformar conceitos como economia circular, transição energética e mudanças climáticas em experiências concretas para os estudantes. Ao ver resíduos orgânicos se transformarem em energia renovável e biofertilizante, os alunos compreendem na prática que os desafios ambientais podem ser enfrentados com inovação, conhecimento e ação local. A Eneva tem o compromisso de apoiar iniciativas que gerem valor duradouro para as comunidades e ampliem oportunidades para as novas gerações. Esse projeto é um símbolo disso”, afirma Aurélio Amaral, diretor-executivo de Relações Institucionais e Comunicação da Eneva.

Quando a tecnologia também ensina
Os biodigestores utilizam bactérias anaeróbias para decompor resíduos orgânicos em um ambiente fechado. O metano gerado nesse processo é capturado e transformado em biogás, utilizado no preparo das refeições da escola. O material restante se transforma em biofertilizante, empregado nas hortas e áreas verdes da unidade.
Com a implantação do projeto, mais de 20 toneladas de resíduos orgânicos poderão deixar de ser destinadas aos aterros sanitários ao longo de um ano.
A iniciativa também poderá evitar a emissão de aproximadamente 8 toneladas de CO₂ e até 300 quilos de metano por ano. Cada equipamento processa até 10 quilos de resíduos orgânicos por dia.
Oficinas de educação sustentável
Os estudantes das escolas que fazem parte do projeto também participarão de atividades, visitas guiadas ao biodigestor e temas sobre economia circular, compostagem, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), culinária sustentável , bioeconomia e o funcionamento da tecnologia instalada. A proposta é envolver os alunos diretamente nas experiências, conectando conhecimento e prática dentro da própria escola.
Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente os ODS 4 (Educação de Qualidade), 7 (Energia Limpa e Acessível), 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e 13 (Ação Climática), o Projeto Escolas do Futuro demonstra como tecnologia, inovação e sustentabilidade podem transformar o ambiente escolar e aproximar estudantes de soluções aplicadas aos desafios do presente.
Ao integrar infraestrutura, tecnologia e aprendizagem prática, o projeto transforma a escola em um espaço onde sustentabilidade deixa de ser apenas um conceito e passa a fazer parte da rotina de estudantes, professores e comunidades escolares.