A artista Catarina Araújo levará sua pesquisa com origami e tinturas amazônicas para estudantes do 1º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Sant’Ana (Rua André Araújo, 2290, Aleixo, zona Centro-Sul de Manaus).
O projeto “Entre dobras e cores: origamis e tinturas amazônicas” será realizado nos dias 12, 13, 14, 18, 19 e 20 de agosto, com uma proposta que aproxima o fazer artístico das experiências pessoais e das escolhas que atravessam a construção do futuro dos adolescentes.
“O projeto é um espaço de afetos, reflexões e germinações de possibilidades presentes-futuras na vida dos adolescentes”, diz a pesquisadora.
Fazer artístico que atravessa gerações
A relação de Catarina com a arte começou na infância, influenciada pelo pai, que é fotógrafo, e pelo interesse por desenhos e pinturas. Ao longo da trajetória, o origami passou a fazer parte de sua pesquisa.
Psicóloga de formação e com experiências em terapias integrativas, a artista encontrou na dobradura uma possibilidade de reunir diferentes olhares e estabelecer uma relação com a cultura amazônica, território onde, segundo ela, parte de seu coração habita.
Desde 2023, Catarina também participa de projetos que contribuíram para sua caminhada artística, entre eles Manto Vital, de Cris Canepa, e Mover os Gestos, da artista Erika Genebra.
Manto Vital propõe a customização de um manto a partir dos desejos de cada participante, que culminaria em uma performance realizada em espaço público. Já Mover os Gestos convida os participantes a refletirem sobre o que desejam movimentar e possibilitar sua concretude no mundo.
Para Catarina, as experiências contribuíram para a criação de Artesanias, projeto que articula expressão artística, saberes amazônicos, sementes, fios, aromas, origami e histórias de vida. E “Entre dobras e cores” surge como um desdobramento da pesquisa.
A proposta parte da experiência da artista com o origami, do interesse pelas plantas e da vontade de trabalhar com matérias-primas amazônicas.
Nas oficinas, o papel e os pigmentos naturais serão utilizados como materiais para uma experiência que relaciona criação artística, natureza e questões presentes na vida dos estudantes.
Entre uma dobra e outra
Os participantes terão contato com técnicas de origami e com tinturas produzidas a partir de açafrão, urucum e açaí. As atividades vão abrir espaço para conversas sobre identidade, pertencimento, relações entre as pessoas, território, cuidado e responsabilidade com o mundo.
A proposta também dialoga com o Projeto de Vida, previsto pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Para isso, o processo criativo parte das dimensões pessoal, social e profissional dos estudantes e cria oportunidades para que eles reflitam sobre suas histórias, os vínculos que estabelecem e as escolhas que fazem diante do futuro.
A própria técnica do origami é utilizada como ponto de partida para essas reflexões. Para Catarina, o ato de dobrar o papel pode revelar movimentos internos e possibilidades de expansão. As tinturas, por sua vez, apresentam características próprias de acordo com cada matéria-prima, desde o preparo até a forma de armazenamento. Esses processos estabelecem relações com os diferentes caminhos e experiências da vida humana.
Quando a arte também é cuidado
A proposta entende o fazer artístico como uma forma de expressão da subjetividade e como possibilidade de criar outras maneiras de perceber a realidade.
Por isso, as oficinas não se restringem à produção dos objetos: o processo também prevê espaço para os afetos, questionamentos e reflexões que surgirem durante as atividades.
“Sinto a arte como uma necessidade de expressão da subjetividade para nos mantermos vivos enquanto coletividade. É uma manifestação de outras possibilidades de releitura da realidade para que consigamos lidar com o nosso próprio interior e o mundo que nos cerca”, afirma Catarina.
Nesse sentido, o projeto aproxima arte e educação ao compreender a escola como um espaço de formação que também envolve convivência, expressão e construção de sentidos.
A experiência busca favorecer a expressão dos estudantes e ampliar seus repertórios a partir do contato com o origami e com matérias-primas relacionadas ao território amazônico.
O projeto também se alinha aos objetivos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) ao contribuir para a democratização do acesso à cultura, a descentralização das ações culturais, a valorização da produção artística local e a aproximação entre cultura e educação.
Equipe que transforma pesquisa em experiência
Por trás das oficinas, há uma equipe formada por profissionais de diferentes áreas, que contribuem para transformar a pesquisa artística de Catarina em uma experiência compartilhada com os estudantes.
A produção executiva é de Viviane Palandi. A videomaker e fotografia ficam a cargo de Aline Fidelix e Alonso Júnior, e a identidade gráfica é assinada por Cris Desrosiers. Karoline Medeiros atua na assistência de produção e Irlene de Sousa como professora colaboradora e mediadora.
O projeto foi contemplado pelo Edital de Artes Visuais, do Conselho Municipal de Cultura de Manaus (Concultura), e é realizado com recursos da PNAB.