O advogado Willer Tomaz voltou ao centro das atenções em Brasília depois de ser alvo da Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
Criminalista com trânsito entre políticos, empresários e integrantes do meio jurídico, Tomaz também mantém uma antiga relação de amizade com Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois já viajaram juntos ao exterior e, durante a campanha presidencial de 2026, Flávio utilizou um apartamento em São Paulo pertencente a uma empresa do advogado.
A origem desse imóvel acrescentou outro personagem à história: Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O apartamento de 158 metros quadrados, localizado na Vila Nova Conceição, área nobre de São Paulo, pertencia a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do ex-banqueiro.
Zettel comprou o imóvel em abril de 2025 por R$ 5,5 milhões. Em fevereiro deste ano, vendeu o apartamento por R$ 3,5 milhões à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Willer Tomaz — uma diferença de R$ 2 milhões em menos de um ano.
Tomaz afirma que a compra foi uma negociação regular de mercado, realizada por intermédio de corretores, e diz não conhecer pessoalmente Zettel nem Vorcaro.
Meses depois da negociação, Flávio Bolsonaro utilizou o apartamento durante a campanha. O imóvel fica próximo ao comitê do candidato em São Paulo. O uso levou a questionamentos sobre a necessidade de registro da cessão na prestação de contas eleitoral.
Amizade, viagens e imóveis
A proximidade entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro não é recente. Em 2021, durante a CPI da Covid, o próprio senador se referiu publicamente ao advogado como “meu amigo”.
A relação também aparece em viagens. A Polícia Federal identificou pelo menos cinco viagens internacionais feitas pelos dois no primeiro semestre de 2025. Em março daquele ano, Tomaz, Flávio e o senador Weverton Rocha (PDT-MA) participaram de um safári na África do Sul.
Outra conexão envolve uma casa em Angra dos Reis. A empresa de Tomaz possui uma cota do imóvel, administrado pela Prime You, companhia que teve Daniel Vorcaro como sócio até 2025. Flávio utilizou a propriedade neste ano para comemorar o aniversário da filha. Tomaz afirmou que emprestou o imóvel ao senador por causa da amizade entre as famílias.
O advogado também manteve participação em aeronaves administradas pela Prime You. Ele afirma que eram operações de propriedade compartilhada e que não mantinha relação pessoal ou comercial com Vorcaro.

Na mira da Polícia Federal
Willer Tomaz foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que investiga o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS.
Segundo informações das investigações divulgadas pela imprensa, a PF identificou cerca de R$ 45,5 milhões em movimentações atribuídas ao advogado entre maio e novembro de 2021 e consideradas atípicas pelos investigadores.
A apuração também encontrou uma transferência de R$ 120 mil feita por Tomaz para Milton Salvador de Almeida Júnior, que posteriormente se tornou diretor de empresas de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, um dos principais investigados no esquema.
A PF também investiga a relação financeira de Tomaz com o senador Weverton Rocha. Empresas relacionadas ao advogado teriam transferido mais de R$ 11 milhões para Samya Rocha, mulher do parlamentar. A defesa afirma que ela trabalhava como associada do escritório de Tomaz e que os pagamentos decorreram de atividade profissional regular.
Esta não é a primeira vez que o advogado aparece em uma investigação de repercussão nacional. Em 2017, Tomaz chegou a ser preso preventivamente em uma investigação derivada da Lava Jato relacionada à J&F. Ele negou as acusações, e a investigação contra ele acabou arquivada.
Agora, quase uma década depois, o nome de Willer Tomaz volta ao noticiário em uma combinação de relações que chama atenção: é amigo e companheiro de viagens de Flávio Bolsonaro, alvo da PF no caso do INSS e comprador de um apartamento que pertencia ao cunhado de Daniel Vorcaro.
Até o momento, porém, não há indicação nas fontes consultadas de que Tomaz seja investigado no caso Banco Master. O advogado nega irregularidades e afirma não ter relação pessoal ou comercial com Vorcaro e Zettel.