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Sem ter onde morar, vítimas do incêndio do Viver Melhor 3 recorrem à Defensoria

Instituição realizou visita técnica e pedirá assistência emergencial do Estado e do Município para as 16 famílias afetadas pelo sinistro

Foto: Thamires Clair 

Aos 67 anos, a costureira Evanir dos Santos está dormindo de favor no chão da casa de uma vizinha, depois de ter perdido a própria moradia no incêndio que atingiu o bloco 5 do Conjunto Habitacional Viver Melhor 3, no bairro Monte das Oliveiras, zona norte de Manaus, no último domingo (9/8).

Sem dinheiro para alugar outro imóvel e sem familiares a quem recorrer, ela e outras famílias afetadas pelo sinistro buscaram a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) para solicitar assistência emergencial.

“Hoje, o apartamento está inabitável. Não tenho parentes para buscar ajuda. Até minhas máquinas de trabalho estão danificadas, porque jogaram água na hora do fogo. Não tenho reserva para um aluguel”, declarou a costureira.

A equipe da Defensoria Especializada em Interesses Coletivos (DPEIC) esteve nos apartamentos atingidos pelo incêndio e constatou que a fiação do prédio está comprometida, com risco de um novo curto-circuito. A situação coloca em risco a permanência dos moradores no local.

O titular da DPEIC, defensor público Carlos Almeida Filho, destaca que, por se tratar de um conjunto habitacional construído no âmbito de uma política pública de moradia, o Estado e o Município têm responsabilidade na prestação de assistência emergencial às famílias e serão acionados pela Defensoria.

“Estamos organizando uma reunião com representantes de órgãos estaduais e municipais, além das concessionárias de água e energia. Trataremos das medidas emergenciais de assistência às famílias e dos reparos estruturais”, detalhou o defensor público.

Carlos Almeida Filho ressaltou que a equipe também identificou, em análise preliminar, que o projeto do conjunto habitacional não prevê saídas de emergência, o que pode indicar responsabilidade do Estado.

“O Estado é o responsável pela implementação dessa política e vimos, por exemplo, que não há escadas próprias para casos de incêndio. Isso fez com que uma criança precisasse ser resgatada pela janela do quarto andar, em uma sacola de plástico”, afirmou.

Prédio sem proteção contra incêndio

A líder comunitária do Viver Melhor 3, Kenny Souza, relatou à Defensoria que, entre o início do incêndio e a chegada do Corpo de Bombeiros, não foi possível conter as chamas porque, segundo ela, o sistema hidráulico de combate a incêndios não funciona desde a entrega do conjunto habitacional.

“Tentamos ligar a mangueira, mas não tinha água. Esse sistema nunca funcionou. Também não conseguimos utilizar os extintores. Só quando os bombeiros chegaram, quase meia hora depois, é que o fogo começou a ser contido”, contou.

Esperança para as famílias

Após a visita da Defensoria, o síndico do prédio, Fábio Oliveira, disse que os moradores passaram a ter expectativa de solucionar os principais problemas enfrentados pelas famílias, entre eles a falta de abrigo.

“Estamos otimistas. Vamos ter, agora, amparo e respostas. Já recebemos orientação e um direcionamento. Vamos ter ajuda, finalmente”, comemorou.

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