Em pouco mais de 30 dias, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) analisou 84 conteúdos suspeitos com o apoio da plataforma GuaIA. O sistema auxilia na identificação de desinformação, deepfakes, uso irregular de inteligência artificial e possíveis irregularidades na propaganda eleitoral na internet.
Em funcionamento desde 16 de agosto, início da propaganda eleitoral, a plataforma é utilizada pelo Comitê de Enfrentamento à Desinformação (CED) e apoia a apuração de denúncias recebidas por duas frentes: aquelas recebidas no aplicativo Pardal e pelo monitoramento ativo abrangendo conteúdos publicados em plataformas como Reddit, X, YouTube, Instagram, Facebook, WhatsApp, TikTok, Threads, Telegram, Kwai, Snapchat e Discord.
Segundo Samuel Oliveira, integrante do CED e responsável pelo monitoramento, a ferramenta realiza uma análise preliminar do material e fornece elementos técnicos que auxiliam a equipe na avaliação. “As denúncias que envolvem inteligência artificial, deepfakes ou propaganda na internet com conteúdo inverídico ou enganoso e que apresentam potencial lesivo são submetidas a uma triagem por meio do GuaIA. A ferramenta nos fornece uma análise prévia para verificarmos se aquele conteúdo pode gerar desinformação e impactar as eleições”, explica.
O risco de cada conteúdo é classificado de acordo com os graus de desinformação e de ilicitude. A combinação dessas avaliações indica o potencial de dano da publicação ao processo eleitoral. “A partir do resultado apresentado pelo sistema, avaliamos o contexto, a veracidade da informação e seu possível impacto. Essa análise nos ajuda a identificar os conteúdos que exigem uma verificação mais aprofundada e os encaminhamentos que devem ser adotados”, acrescenta.
A ferramenta não determina automaticamente se uma informação é verdadeira ou falsa. O resultado apresentado pelo sistema serve de apoio à avaliação humana e à elaboração de parecer técnico.
Quando são identificados indícios de irregularidade na propaganda eleitoral, o caso pode resultar na formalização de uma Notícia de Irregularidade em Propaganda Eleitoral (NIP) e na adoção dos encaminhamentos cabíveis. De acordo com as características e a gravidade da ocorrência, o conteúdo também poderá fundamentar outras providências na esfera eleitoral.
Conteúdos recorrentes
Entre os conteúdos analisados com maior frequência estão imagens manipuladas, notícias inverídicas, enquetes e pesquisas que não atendem aos critérios estabelecidos pela Justiça Eleitoral. Como exemplo, Samuel cita enquetes que apresentam apenas parte das candidaturas ou conferem maior destaque a determinado concorrente, o que pode gerar uma percepção distorcida da disputa eleitoral. “O ganho está principalmente na rapidez e no apoio técnico. A ferramenta permite examinar um volume maior de informações, facilita a triagem e ajuda a identificar conteúdos que exigem uma verificação mais aprofundada”, destaca o servidor.
A plataforma foi desenvolvida pelo Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (INF/UFG), em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), e também é utilizada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).