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Vanda Witoto denuncia racismo e violência política na reta final da campanha

Candidata a deputada federal pelo MDB contesta discurso de que sua candidatura não teria condições de conquistar uma vaga na Câmara

Foto: Divulgação

A candidata a deputada federal pelo Amazonas Vanda Witoto (MDB) reagiu, nesta segunda-feira (28) aos ataques que afirma estar recebendo nas redes sociais durante a reta final da campanha. Em vídeo, Vanda classificou as ofensivas como manifestações de racismo, misoginia e violência política e criticou, especialmente, ataques vindos de pessoas que também integram o campo político progressista no estado.

“Eu não vou aceitar mais esses ataques, essas violências que vêm acontecendo nas redes sociais contra a minha candidatura. Mais uma vez, em mais uma caminhada política que eu faço, eu venho sendo atacada por pessoas que são racistas, por pessoas misóginas, que não querem ver uma mulher indígena ocupando esse espaço de poder político”, afirmou.

A candidata também contestou o discurso de que seu voto poderia favorecer outras candidaturas do partido em detrimento da sua. Vanda afirma que essa narrativa busca desestimular o eleitorado a votar em uma mulher indígena e defende que sua candidatura seja analisada pela possibilidade de conquistar diretamente uma das vagas em disputa.

“Não venham com desculpa de que o voto em mim vai eleger fulano de tal e ciclano não. O seu voto em mim vai me eleger, o seu voto em mim pode me tornar a primeira mulher indígena eleita, o seu voto em mim pode tornar a minha candidatura a mais votada. E sendo a mais votada, eu tenho uma vaga garantida. Eu só preciso de uma vaga para chegar lá”, frisou.

Vanda sustenta ainda que a disputa eleitoral precisa ser compreendida dentro de uma estrutura política na qual, historicamente, mulheres indígenas tiveram pouco acesso aos espaços de poder. Em sua avaliação, os ataques que vem recebendo também expõem a resistência à presença indígena na política institucional. “Este estado nunca quis ver nenhuma pessoa indígena eleita, porque nunca elegeu”, declarou Vanda.

A candidata relacionou os ataques atuais à sua trajetória política desde 2022, quando disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados. Em 2024, concorreu ao cargo de vereadora de Manaus. Dados públicos da Justiça Eleitoral registram 25.545 votos recebidos por Vanda na disputa para deputada em 2022 e 8.374 votos na eleição para vereadora em 2024.

Os episódios de violência política contra Vanda não são inéditos. Em março deste ano, uma charge direcionada à então pré-candidata foi denunciada e classificada pela Justiça Eleitoral como violência política de gênero. Os autores da charge foram condenados a pagar R$ 10 mil cada um a Vanda Witoto, por danos morais. a violência também provocou reação de integrantes do próprio MDB, que saíram publicamente em sua defesa diante de acusações de conteúdo racista e misógino.

No vídeo divulgado nesta segunda, Vanda também rebate a ideia de que sua candidatura estaria submetida aos interesses de homens ou de outras candidaturas.

“Nós estamos aqui tentando romper essas estruturas machistas e embranquecidas”, afirmou. “Nós não estamos aqui a serviço de nenhum homem branco. Nós estamos aqui lutando de igual para igual.”

Vanda afirmou que a disputa eleitoral representa também uma tentativa de ampliar a representação indígena na política institucional e convocou apoiadores a intensificarem a mobilização na última semana de campanha.

“Nós temos condição de sermos eleitas. Se a gente se unisse, de fato nós teríamos uma voz este ano, e nós podemos ter. Ainda dá tempo. É uma semana que falta exatamente para a gente fazer história neste estado. Nós precisamos mobilizar a todos, a todos deste estado, para que a gente seja uma das mais votadas e, assim, a gente poder ter essa voz em Brasília com este mandato”, afirmou.

A candidata relacionou a candidatura à defesa de direitos sociais, dos povos indígenas e dos territórios tradicionais. Segundo Vanda, o mandato que busca construir no Congresso teria como prioridade representar populações que, em sua avaliação, ainda não têm seus direitos devidamente contemplados pelas instituições políticas.

“Este mandato é pela vida das pessoas que ainda não têm os seus direitos, é pela vida do povo indígena, é pela vida dos rios, da floresta, de nossos territórios. E é por essas pessoas que nós estamos fazendo essa luta. Para a gente chegar aqui, muitos dos meus morreram, muitos dos meus resistiram. Não é justo o que estão fazendo comigo neste momento”, concluiu.

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